quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Feliz Ano Novo


Este ano que agora acaba não foi seguramente em bom ano. O meu começou com uma caminhada no deserto que tenho estado a fazer com paciência. Contudo ao longo do ano foram surgindo alguns pontos de luz que foram iluminando esta minha caminhada e me fizeram vir à ideia uma frase muito usada pela minha mãe: se os homens te fecham uma porta Deus abre-te uma janela.
Vejo acumularem-se algumas nuvens negras no horizonte de 2009 e confesso que estou preocupado com o novo ano em termos planetários. Vou ter de apelar aos dotes de astróloga/tarologa da minha amiga Shin Tau para que pelo alinhamento dos planetas ou através da sábia disposição das cartas do Tarot nos possa dizer se de facto tenho ou não razões para me preocupar. Existem contudo outros aspectos que me preocupam e cujas respostas terei de procurar não na astrologia ou no Tarot mas sim na astronomia. O Sol caminha para mais um pico de actividade e sabemos quão destrutivas para nós podem ser as “zangas” solares.
Apesar de tudo faço votos para:
Que seja instituido um sistema económico em que as regras de mercado sejam a transparência e a solidariedade e não a ganância e o logro.
Que sejam disponibilizados recursos para ajudar os milhões de pessoas que neste momento passam fome no mundo.
Que acabe o individualismo e se promova a colaboração e a partilha.
Que o Ano Novo inunde os nossos lares de prosperidade e amor.

Saudações

O Viajante

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

As representações sociais


Há alguns anos um casal amigo, numa conversa de café, dava-me conta da sua desilusão pelo facto do filho mais velho depois de concluir o décimo segundo ano, ter decidido não ir para a universidade. Tinham feito grandes sacríficios chegando a trabalhar em dois empregos para que o dinheiro chegasse e agora o seu filho recusava tirar um curso superior, dizendo que tinha de resolver a sua vida, conquistar a sua independência.
Onde é que nós errámos? É a frase que normalmente os pais dizem nestas situações. De facto não se trata de um erro, pelo menos premeditado, estão a lutar por uma causa quase perdida e contra um força subtil mas muito poderosa, a representação social.
O termo representação social foi definido pelo sociologo Serge Moscovici em 1961. Este autor procurava estudar a influência daquilo a que Durkheim – outro sociólogo – chamava de consciência social nos pensamentos, nas decisões e até da forma como veem a realidade os membros de um determinado grupo social.
Ao que parece aparentemente existe um “Big Brother” social constituido por tudo aquilo que fomos aprendendo ao longo dos tempos e que inconscientemente utilizamos como as melhores respostas às situações que vão surgindo permitindo não só a resolução de problemas como tambem uma vivência harmoniosa dentro do nosso grupo social.
Como cientista social sempre me impressionou o facto de existirem determinados principios quase sub-liminares que interiorizamos na nossa socialização e que motivam as respostas tidas como “normais” para o grupo social onde estamos inseridos, a ponto de até conseguirmos alterar a nossa percepção sobre as coisas.
De facto aqueles pais na sua procura pela estabilidade económica inconscientemente transmitiram ao seu filho que esse era o verdadeiro objectivo para no futuro poder ter uma família, e mais, que para o conseguir só poderia ser através do trabalho.
Quando estudei a Teoria do Conhecimento na escola secundária , havia um senhor Irlandês de seu nome Berkley que defendia o que ele chamava de” imaterialismo” e que considerava que uma substância material não pode ser conhecida em si mesma. O que, segundo ele, se conhecia, na verdade, resume-se às qualidades reveladas durante o processo perceptivo. Ou seja na pratica quer dizer que o objecto para existir tem de estar relacionado com o sujeito que o vê. Ou metafóricamente: quando uma árvore cai no meio da floresta só faz barulho se alguém ouvir.
Claro que na altura pensei estes filosofos aparecem com cada teoria !!
Hoje passados alguns anos não me parece assim tão absurdo já que as representações sociais moldam a realidade dando pespectivas diferentes da mesma realidade a pessoas inseridas em grupos sociais diferentes.
Uma entrevista feita aos diversos níveis numa grande empresa com apenas uma questão – “Para si o que é o trabalho” – motivou respostas diferentes, claramente ancoradas nas representações sociais. Enquanto que os quadros técnicos falavam no trabalho como forma de realização quer profissional quer pessoal os trabalhadores não especializados falavam em integração social e forma de sustentar a sua familia.
Perante a questão porque é que muitos dos nossos jovens consideram as férias como objectivo e não a carreira profissional? Talvez possamos responder, porque nós adultos trabalhamos o ano inteiro para um mês glorioso de descanso, todos os planos , poupanças e até empréstimos bancários são feitos nesse sentido .
Ou então porque as nossas representações identificam o trabalho como algo não bom. De facto o termo "trabalho" deriva da palavra latina "tripalium", um instrumento de tortura, espécie de açoite usado para obrigar os escravos a trabalhar.


Saudações


O Viajante

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

De Peixes a Aquário



Iniciando-se quando Jesus nasceu em Belém, a era dos Peixes já começou a sua curva descendente. Durante seu reinado, no nosso planeta predominou fundamentalmente o cristianismo que, curiosamente, se apoderou dos símbolos próprios deste signo aquático: seus pregadores eram pescadores de almas, seus seguidores identificavam-se por um icon em forma do peixe, e a sua máxima oferenda era o sacrifício do cordeiro pascal, símbolo da era do Carneiro, dando a entender a total superação desta era, que foi a imediatamente anterior.
O político e o social não escaparam à influência de Peixes: foi, e ainda é, uma era de dogmatismo, de unidade procurada na uniformidade, com escasso ou nulo respeito para a individualidade. Durante os últimos vinte séculos, ser original, independente, individual, significava ser perseguido, marginalizado ou até exterminado.
Como parece lógico, um signo de água teve a água como protagonista: Peixes foi um signo oceânico, regido por Neptuno, e nele não faltaram em nenhum momento as grandes empresas navais.
O mar foi motivo e meio para os povos, como se com o começo de Peixes o homem tivesse descoberto a água e sobre ela exercido seu império, decidindo nos mares o destino das guerras e procurando nos mares o caminho de seu progresso.
Estamos, pois, saindo de uma era de grandes movimentos espirituais, muitos até agora ocultos, ameaçadores, alguns deles até sangrentos em sua prática. Uma humanidade que foi passiva, normalizada e disciplinada no seu aspecto, mas tormentosa no interior, com paixões, impulsos e desejos, sempre controlados, sempre contidos, está a terminar.
Embora de acordo com os calculos astrológicos a nova era de aquário só se inicie por volta do ano 26oo altura em que o sol estará em Aquário, a sua influência já se está a fazer sentir, e será com certeza muito mais promissora, porque a era de Aquário, corresponde à casa 11 regida por Urano, e é uma das mais harmoniosas e belas do zodíaco. Bom para nossos imediatos descendentes, será contudo bastante enfadonho para nós, os que estamos a assistir à mudança de uma era para a outra, porque é tão radical a diferença entre ambas, são tão opostas, que a transição terá de ser forçosamente tempestuosa, tremenda em muitos sentidos, sangrenta com toda probabilidade.
Saudações
O Viajante

(texto adaptado, retirado do site Esotherika)

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

O Natal num sorriso


Ontem dei um pequeno presente a uma pessoa que diariamente nos assiste quando tomamos os nossos almoços. Quando lhe coloquei o presente à frente o seu rosto iluminou-se com um sorriso que valeu por todas as palavras que ela pudesse ter dito de seguida.
Natal é isto mesmo dar um pouco de nós para provocarmos sorrisos nos outros e depois guardarmos esses sorrisos durante o resto do ano.
Um bom e Santo Natal para todos os que visitaram o meu blog durante este ano que a felicidade inunde os vossos lares e que o próximo ano seja de muito amor e prosperidade.
Para todos os que fizeram comentários quero dizer-vos foram a fonte dos meus sorrisos. as luzes a iluminar o meu caminho.
Obrigada pela vossa amizade
Um abraço de Alma
O Viajante

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Beleza Interior


Apesar de toda a evolução civilizacional a nossa sociedade tem grande dificuldade em aceitar as diferenças.
Para não sermos discriminados passamos grande parte da nossa vida a tentar integrar-nos, ser reconhecidos e aceites pelos outros, preocupando-nos em encaixar num conjunto de padrões sociais.
Nos tempos actuais a boa imagem e sobretudo a beleza fisica são dois aspectos do individuo que poderão definir o seu papel e até estatuto social . Se a imagem se pode melhorar em muitos casos a beleza fisica, apesar dos avanços da cirurgia estética, poderá ser um objectivo inacessível para muita gente que não encaixa nos ditos padrões.
Em muitos casos, à guisa de palmadinha nas costas, dizemos que o mais importante não é a beleza exterior mas sim a interior sem nos apercebermos de que os outros percebem que não acreditamos naquilo que estamos a dizer.
Mas eu acredito nessa beleza interior, eu conheço muitas pessoas que apesar de não estarem ou não se considerarem dentro dos padrões de beleza física reconhecidos pela sociedade, emanam uma luz tão intensa que as tornam inevitavelmente amadas por todos.
Tal é o caso do protagonista do video que resolvi colocar nesta mensagem e que me emociona sempre que o vejo. Mal vestido, gordinho com os dentes tortos mas que num momento quase transcendente deixou sair toda a sua beleza interior e iluminou completamente o local onde se encontrava.


A Beleza interior existe quem tem olhos para ver que veja .

video


Saudações


O Viajante

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Socialização palavra bonita


Escola tradicional, escola em casa ou escola natural era o assunto em discussão no programa do Dr. Phil. No primeiro caso as crianças aprendem de acordo com o programa oficial, no segundo caso aprendem em casa de acordo com o programa oficial, ensinados pelos pais. No terceiro caso os pais deixam ao critério das crianças os assuntos que pretendem aprender.
Existiam varios grupos de pais inseridos nestas três correntes e até uma jovem-adulta que se dizia socialmente inadaptada por nunca ter frequentado o ensino tradicional.
Os principais argumentos das duas correntes não tradicionais são os riscos que os seus filhos correm quando frequentam as escolas normais, que como sabemos são elevados especialmente nos Estados Unidos e no caso da escola natural o facto de aprenderem matérias que não lhes vão ser úteis.
Um dos argumentos do dr Phil era que as crianças para além da falta de experiência têm o seu cerebro em formação e como tal não podem tomar decisões acertadas ou prever as consequências delas. Por outro lado ele achava que a socialização era importante na sua formação e no desenvolvimento do seu caracter.
Depois da escola na altura chamada primária e dois anos num externato , numa pequena vila de província, junto à família, aí venho eu para Lisboa com doze anos, para um quarto alugado, para continuar os meus estudos. Tive a felicidade de ter comigo uma irmã vais velha que me ajudou bastante e uma família que me recebeu em sua casa e me tratou como seu filho.
O Meu Liceu era o Gil Vicente na zona da Graça. Foi aí que eu fiz a minha “socialização” dando conta de coisas de que não fazia a mais pequena ideia e deparando-me com situações que eu tinha de resolver pior ou melhor.
Embora hoje em dia talvez por falta de tempo os pais se tenham demitido dessa função mas é da familia a responsabilidade de na primeira infância transmitir pelo exemplo e pela vivência, os valores éticos que irão marcar as nossas a atitudes e sobretudo as nossas decisões.
A escola deverá dar a instrução, ou seja, atribuir ao jovem um conjunto de competências que constituirá a formatação mental, que lhe permitirá mais tarde aceder a áreas mais especializadas.
Embora eu seja defensor da escola tradicional, acho que ela tem à partida dois defeitos:
A escola reflecte a estratificação social ou seja o sistema só é democrático pelo facto de estar acessivel a todos não pelo facto de dar a todos as mesmas oportunidades. As crianças que chegam mal alimentadas às escolas , ou os filhos de famílias com problemas ou onde os pais têm menos habilitações, não têm as mesmas capacidades de aprendizagem que os que vivem em famílias estaveis, estão bem alimentados ou em que os pais têm formação superior.
Por outro lado o programa oficial de ensino é definido por pessoas com grande formação que estão no fundo a definir um programa que é acessível aos seus filhos e menos acessível aos filhos dos menos habilitados, perpétuando as diferenças existentes na sociedade, em vez de as diluir.
No programa que fiz referência no ínicio os pais defensores da escola tradicional diziam que apesar dos riscos a socialização resultante da frequência dos estabelecimentos escolares era importante no desenvolvimento da personalidade dos jovens.
Socializar os jovens metendo-os todos dentro de uma casa e depois esperar que eles que se entendam e que daqui resultem individuos socialmente aptos é uma lotaria. E não me venham dizer que existem regras dentro da escola porque também existem regras nas penitenciárias e a socialização que lá se faz não será a melhor.
A par da instrução formal deveriam ser ensinadas aos jovens as técnicas necessárias a uma socialização saudável, que os faça evoluir no sentido de um melhor relacionamento com os outros na aceitação das diferenças sejam elas fisicas, étnicas, culturais, ou outras, evitando as situações de violência extrema que têm vindo a lume nas noticias e já deveriam ter feito soar alguns sinais de alarme neste nosso país de brandos costumes .
Saudações

O Viajante

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Crise qual crise?


No inicio da crise financeira o nosso governo disponibilizou uma garantia de 20 mil milhões de euros para que a banca portuguesa pudesse aumentar a liquidez, contraindo empréstimos no estrangeiro. A seguir nacionalizou o BPN, que como todos sabemos, tal como o BCP, andou metido em esquemas muito pouco legais.Depois o “policia”, que nunca sabe de nada, resolveu fazer uma “vaquinha “ para salvar o BPP, que especulava com as fortunas de uns quantos senhores importantes que claro não podem ficar a perder.
Pela voz dos seus mais altos representantes acompanhados por alguns membros do governo, o sistema bancário português veio a público dizer que estava tudo bem, que os nossos bancos não se tinham metido naquelas negociatas americanas, mas pelo menos quatro bancos acabaram por recorrer a essa garantia.
Quando a crise chegou à economia o governo não diminuiu os impostos das empresas, não lhes deu dinheiro, nem sequer pagou as dividas que tinha para com elas, antes criou linhas de crédito, ou seja colocou-as ainda mais nas mãos dos que foram responsáveis pela sua desgraça.
Atendendo a que os lucros da banca portuguesa foram nestes últimos meses de mil milhões de euros seria no mínimo aceitável que houvesse da parte dos bancos uma maior abertura no sentido de facilitar o crédito tanto às empresas como às familias.
Agora vem o senhor Primeiro Ministro apelar aos bancos para “ajudarem” a economia .
Mas então nosso “primeiro”, não foi o nosso dinheirinho que foi para os bolsos dos banqueiros? Então ainda tem de apelar?
Continuamos de joelhos perante esses senhores que descaradamente enchem os seus cofres e mantem os seus salários obscenos à custa de um povo com cerca de dois milhões de pessoas à beira da pobreza e que enfrenta uma crise, criada por eles, que se calhar nem daqui a dez anos estará resolvida .
Se o sistema está podre temos que desenvolver um novo sistema económico que não adultere as leis do mercado e que crie laços de confiança entre os seus agentes .
Talvez em vez de estarmos preocupados a tentar salvar as instituições deveriamos antes ter substituido as pessoas. Depois de uma trajédia desta dimensão é lamentavel que nem as moscas mudem.

Saudações


O Viajante

domingo, 7 de dezembro de 2008

A Salamandra propôs um desafio e ao fim de algunas dias de espera e umas horas de grande trabalho mental aí vai o resultado:

1 - És homem ou mulher? ---“I’m your man"– Leonard Cohen
2- Descreve-te. ---“I Still Haven't Found What I'm Looking For" - U2
3- O que as pessoas pensam de ti? ---“Old and Wise” – Alan Parsons
4- Como descreves o teu ultimo relacionamento?--- “Total Eclipse of the Heart” - Bonnie Tyle
5- Descreve o actual estado da tua relação. ---“ Don't Let It End” - Styx
6- Onde querias estar agora? ---“Under the Milky Way" - The Church.
7- O que pensas a respeito do amor? ---“Eternal Flame” - The Bangles
8- Como é a tua vida? ---“I Wouldn't Have Missed It For The World” - Ronnie Milsap
9- O que pedirias se pudesses ter um desejo? ---“Send Me An Angel” - Real Life
10- Escreve uma frase sábia. ---“ Amanhã é sempre longe demais” – Radio Macau

Saudações

O Viajante

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

"Aqueles que esquecem o passado estão condenados a repeti-lo"


Se queremos contruir o futuro não podemos deixar de ter em conta as experiências do passado. Ao que parece os pais fundadores da democracia americana tinham um percepção correcta em relação à natureza das instituições financeiras mas foram silenciados pelos aurautos do milagre económico chamado capitalismo.
Em Janeiro de 1815 Thomas Jefferson escreve a James Monroe uma carta onde já nessa altura coloca as sua preocupações sobre esse tipo de entidades e que eu traduzi espero que bem:
“Se o povo americano alguma vez permitir aos bancos o controlo do valor da sua moeda, primeiro através da inflação depois através da deflação, os bancos e as empresas que crescem à sua volta irão privar o povo do todos os seus bens até que os seus filhos fiquem sem–abrigo num continente que os seus pais ocuparam. O poder de valorizar o dinheiro deve ser retirado das mãos dos banqueiros e entregue ao Congresso e ao povo a que pertence. Acredito sinceramente que as instituições bancárias com o poder de valorizar a moeda são mais perigosas para a liberdade do que os exércitos permanentes.
Estamos tão dependentes dos bancos que temos que fazer o que eles querem.
Temos de destruir o controlo que as instituições bancárias exercem sobre as mentes dos nossos cidadãos ou então seremos nós destruidos por ele."

Saudações

O Viajante