sexta-feira, 29 de maio de 2009

O estado de "Ermita"




Numa das cadeiras que tive de fazer na universidade o meu professor aconselhou-nos a leitura de textos de vários autores que segundo ele seriam importantes. Um deles era Friedrich Nietzsche. “Assim falou Zaratustra” ou o “Anti-Cristo” , voltaram-me ao pensamento e lembro-me de ter comentado com ele que não era um dos meus filosofos favoritos. Contudo ele aconselhou-me a ler de novo Nietzsche e garantiu-me que ia ficar com uma perspectiva diferente o que de facto aconteceu.
Quando publiquei o meu último post e tornei a ler as palavras do Mestre Krishnamurti sobre os Requisitos do Caminho e sobre os três grandes pecados da humanidade: maledicência, crueldade e superstição, dei conta da facilidade com que os cometemos.
Hoje li nos jornais aqui na minha ilha que dois miúdos depois de terem espancado um cão largaram-lhe fogo. Há dias tive oportunidade de ler os comentários feitos num forum de opinião em que alguns dos participantes em vez de construtivamente darem o seu parecer sobre o assunto se limitaram de forma anónima a agredir os outros com palavras de uma crueldade extrema.
Rotulamos os outros, com ou sem razão e muitas vezes fazemos campanha contra eles comentando com outras pessoas, engrossando a onda que os irá transformar naquilo que nós já achamos que eles são. E fazemos isto sem pestanejar como se tivessemos a missão de expor os defeitos que julgamos ver nos outros.
Senti necessidade de olhar para dentro e se de facto não precisei de pensar muito para me sentir injusto para com o meu irmão, precisei de muito mais para não o discriminar, apesar das razões que eu possa ter contra ele.
Saudações
O Viajante


13 comentários:

IdoMind disse...

Viajante, no caminho para a Redenção...

Bom a minha opinião sobre o assunto é um pouco diferente da sua.Falar mal por falar mal, da mesma forma que usamos o " está um lindo dia, não está" " então e a família'" parece-me desnecessário, de facto.

Apontar que determinada conduta está errada, que foi prejudicial, que não é admissivel, pode não ser falar mal. Pelo contrário pode ser imensamente construtiva.

Destrutiva é a tolerância que virou moda.
Bateu na professora, coitadinho tem de ir ao psicologo; não se paga o que se deve mas marido e mulher têm telemóveis de última geração e cada um dos filhos também; pobre toxicodepente não é que queira roubar a família e todos os que lhe aparecem à frente, foi uma vitima da sociedade....Ora, Viajante há coisas que estão ERRRADAS! E não são meros juízos de valor, são objectivamnete erradas. E não vejo qualquer mal em dizê-lo.

Se alguém mente eu vou dizer que ele é mentiroso; se alguém não cumpre os compromissos porque fica a dormir até tarde, porque não se rala com ninguém ou só porque não lhe apetece, eu vou dizer que é irresponsável e egoísta.

Porquê condescender com tudo? Não vejo qualquer utilidade nesse tipo de postura.É só ajudar a abrir a cova mais uns centímetros.É o que penso.

Se tocar para o meu lado, direi a verdade do que penso, sempre!
E gostava que fizessem o mesmo comigo porque às vezes velhos padrões de conduta cegam-nos e não vemos o mal que estamos a fazer, mas que os outros têm todo o direito ( e eu acrescentaria,dever)de apontar.

Não preciso de ser bonita para saber o que é belo, Viajante

beijos

Vânia Vidal disse...

Oi Francisco!
Que saudade!

Estive ocupada com a finalização de meu trabalho final de pós-graduação, que graças a Deus já terminou, por isso sumi um tempinho.

Não te falei que a leitura do Nietzsche nos revela suspresas, as releituras mais ainda. Leio e releio há anos, sempre me surpreendo.

Outro dia estava na rua, voltando para casa. De repente minha mãe e eu vimos um movimento estranho, uns carros de polícias numa das rus paralelas à minha, algumas pessoas olhando (mas de esguelha)... Era óbvio que se tratava de um assalto e sério. Mas o mais sério eu não havia notado. Como sou muito míope olho muito para o chão, comecei a ver pelo caminho pegadas de sangue, muito sangue, muito. Uma trilha, e ficava desviando. Minha mãe preocupada me olhou e disse: -Não pense nisso. E eu olhei para ela, dentro do meu espanto e disse: - como não pensar, mãe?
Será tema de um escrito pro meu blog depois.

Concordo em parte com a IDomind, filhos sem limites, pais sem limites, vida sem limites. Mas digo, nem sempre o cara que não consegue levantar é o vagabundo que não rala, é o cara que está (mentalmente) doente e a sociedade não aceita. Pouco me importa se o sangue daquela rua era de mocinho ou de bandido, era sangue de gente. De gente.

Acho que a questão não está no valor se que será falado será bom ou mal, mas nas conseqûencias das suas palavras em atos e gestos. De que me adiantaria "esquecer" que na esquina um jovem - bandido ou mocinho - se esvaía em sangue, se eu já o tiha visto e pisava em seu sangue?

Para quê silenciar?

Vânia

António Rosa disse...

Ofereço-lhe o selo «Blog Dorado», por apreciar muito o seu blogue.

Confira aqui, por favor:

http://cova-do-urso.blogspot.com/2009/06/selos-e-premios-medalha-de-ouro-e-blog.html

António

Salamandra disse...

Meu querido amigo, viajante
Sou eu é verdade!!!! ai a intolerância este tema tem muito que se lhe diga e o falar mal por falar, então???? quem não o fez já que atire a primeira pedra!!! de facto é urgente olharmos para dentro de nós, não é desculparmos tudo eu tambem não o faço e tambem não finjo que sou cega mas.....ultrapassa-se todos os limites em nome de nem sei o quê, isto vai mau, tenhamos calma, tolerância gratidão q.b., nem sempre a verdade dita na bucha ajuda, bem antes pelo contrário, existe um tempo para tudo.

Um beijinho meu amigo e pelos vistos está em estado de eremita.

Um abraço cor de malva
salamandra

Viajante disse...

Olá IdoMind
Você sabe que eu concordo com muitas das coisas que disse neste comentário.
Acho que corrigir os que erram e ensinar os que não sabem deve ser um dever de todos
Quando fiz esta paragem e olhei para dentro pensei que não devia rotular as pessoas que apesar de saber que aquela pessoa era cinica ira continuar a falar com ela. Que iria tentar não discriminar ninguem.
Eu acho que quando rotulamos as pessoas temos tendencia a acreditar que elas não melhoram e como tal não temos paciencia para elas.
Quando por vezes tomamos posições mais radicais em relação a pessoas que nos dizem pouco esqueçemo-nos de outras pessoas que surgem na nossa vida, que nos enganam sistemáticamente e mesmo assim arranjamos sempre força para compreendermos e perdoarmos
Como já lhe disse eu sou o homem dos equilibrios, sou uma pessoa paciente e acho que as pessoas mudam. Essa esperança leva-me a ser mais tolerante
Mas claro isto sou eu.

Beijinho

O Viajante

Viajante disse...

OLá Vânia

Ainda bem que já concluiu o seu trabalho fico feliz por você.
Sabe as pessoas ao fim de uns anos a lidar com a violência vão endurecendo e dizem como a sua mãe:
- Não ligue.
Para mim está a ficar cada vez mais dificil não ligar e para falar verdade estou um tanto ceptico em relação a determinadas situações sociais e politicas mundiais que julgo mais cedo ou mais tarde vão trazer grandes problemas.
Vamos orientar as nossas energias no sentido de elavar a vibração plenetária estamos a precisar de um Mestre

Beijinho

O Viajante

Viajante disse...

OLá António

Obrigada pelo selo é sempre bom receber presentes

Um abraço

O Viajante

Viajante disse...

OLá António

Obrigada pelo selo é sempre bom receber presentes

Um abraço

O Viajante

Viajante disse...

OLá Salamandra

Ocupadissima não é??

Espero que esteja tudo a correr bem para o seu lado.
Muitas das nossas atitudes menos positivas resultam de um "sentimento" que surge ligado a outras coisas: o medo.
Não ajudamos o toxicodependente por temos medo que ele nos assalte, não falamos com aquele colega cinico porque temos medo que le nos engane, não nos entrgamos nos braços de quem amamos porque temos medo de ser magoados e por aí fora.
Temos de perder o medo para sermos mais felizes.

Continuação de bom trabalho

Um abraço coral

O viajante

Vânia Vidal disse...

É Viajante...
O trabalho foi conluído com sucesso e suor e ainda vai render filhotes, vêm mais und dois ou três artigos por aí em revistas específicas. Eu não consigo me "desligar" de certas coisa, como o sangue vermelho no asfalto.
beijos
Vânia

Vânia Vidal disse...

Viajate,

Nesse caso, Francisco, minha mãe não tem razão.

bjs
vania

Salamandra disse...

Meu querido amigo

passe lá no blog tem um presente para si.
beijinho
salamandra

Anónimo disse...

excelente, estou a gostar muito de te ler oh viajante!

mariis