terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

É de Pequenino...(parte II)



O aparecimento da depressão e até do suicídio durante a infância estão relacionados com o ambiente familiar onde a criança cresce. São variados os factores que estão na base das situações depressivas, contudo poderemos indicar alguns dos mais importantes:
A existência de uma história de depressão familiar, especialmente da mãe ou do pai, que possibilita com que a criança, ainda em fase de formação e ávida por identificações, se torna semelhante psíquicamente ao progenitor deprimido.
Situações em que a criança adquire um sentimento generalizado de que a mãe é inacessível, ou que ela não possui qualidades que atraiam o interessa da mãe e possa com isso satisfazê-la.
A rejeição manifesta da criança por um dos pais ou a presença de uma acentuada rigidez educativa, possibilitando a constituição de um superego severo e punitivo.
O abuso sexual, porque as crianças vítimas de abuso sentem-se responsáveis e culpadas pelo abuso sofrido, condição esta que determina o seu silêncio.
A perda de alguém ou alguma coisa. Muitas vezes os adultos têm dificuldade em conversar com a criança sobre a morte, especialmente quando existe a perda de alguma pessoa querida para a família e também para a criança, fazendo rodeios ou inventando histórias, que têm como consequência impedir que a criança faça o seu luto, impulsionando-a a desejar seguir o caminho da pessoa perdida.
Entre os sinais indicadores de episódio depressivo, sempre levando em conta a idade da criança, podemos considerar a alteração drástica no desempenho escolar, desleixo na aparência, apatia, ausência de reações afectivas, acidentes frequentes em que a criança de facto se fere, conduta agressiva, baixa tolerância à frustração, dificuldades de sono, pesadelos, sonolência, distúrbios do apetite e enurese.
Muitos dos sinais e sintomas que a criança apresenta podem passar despercebidos até mesmo aos pais, podendo ser interpretados como birras, má-criações diversas ou idiossincrasias adquiridas.
Como se pode verificar a depressão na infância é difícil de ser reconhecida, não só por clínicos, mas, especialmente pelos próprios familiares. Torna-se pois importante que sobretudo os pais recebam informação que os sensibilizem para estas situações e possibilitem o dignóstico atempado deste tipo de doença, possibilitando assim aos seus filhos uma vida emocional equilibrada e saudável.
(Pesquisa realizada sobre um texto de Cláudio Garcia Capitão)


Saudações
O Viajante

3 comentários:

Salamandra disse...

Olá Viajante
Todo este post me fez ficar com pele de galinha.É urgente despertar para esta realidade não se pense que só acontece aos outros,Tive um familiar próximo que em criança teve alguns sintomas depressivos na adolescência tentou-se suicidar,isto aconteceu em agosto,foi uma siyuação muito complicada, e até eu me questionei! onde tinha falhado, todos somos responsáveis pelas nossas crianças é urgente ter tempo para elas,dar-lhes atenção, oferecer amor.
Mais um bom texto e pesquisa, Parabéns.
beijinho
Um abraço de alma
Salamandra

Carla O. disse...

Uma vez vi uma reportagem sobre a depressão e o suicidio na infância e adolescência. Já na altura fiquei apreensiva, precisamente pela dificuldade que temos em detectar os sintomas.
Bjs

Vania Vidal disse...

Achei, Viajante, qualquer dia você me diz o teu nome, muito importante abordar a questão. E não falo como uma pessoa que têm sobrinhos e amigos com filhos pequenos e edolescentes, mas sim como uma criança (feliz e saudável que na adolescência começou a ter os sintomas de um tipo muito grave de depressão que é a Bipolaridade. Ninguém percebeu nada, não sei como passei por normal na escola e me arrastava muitas vezes para fazer qualquer coisa alternando com períodos de onipotência. Sobrevivi mais por acaso e sorte do que cuidado, sou adulta, pós-graduada e faço tratamento já há muitos anos.
Minha vida teria corrido menos riscos se eu tivesse recebido o diagnóstico na época certa, eu decerto teria sofrido menos e muita coisa seria diferente.
Durante muito tempo me questionei se valia ou não o risco do preconceito em falar sobre isso (medo de perder emprego, relacionamentos, amizades), só que tudo isso já aconteceu em algum momento mesmo, então, por quê calar?

Tem um texto no Blog Para Além da Borda: www.alemdaborda.blogspot.com

Sobre a Bipolaridade, que pode acometer crianças também, recomendo: www.bipolaridade.com.br
www.bipolaridade.Kit.net
wwww.abrata.com.br
beijos
e sinceramente
espero que meu depoimento sirva de alerta.