domingo, 29 de novembro de 2009

Entre marido e mulher....


Na semana passada muito se falou da violência doméstica e embora os números sejam já assustadores com 26 mulheres assassinadas desde o principio do ano pelos maridos ou namorados e cerca de 1800 queixas apresentadas nas autoridades, tenho quase a certeza que estamos só a ver a ponta do icebergue.

A violência é algo que está subjacente à espécie humana, A sobrevivência dos mais aptos e o instinto de conservação resultam em situações violentas ainda nos nossos dias.

A violência doméstica não tem que ver com instintos básicos ou opções políticas, é transversal aos sistemas políticos e às classes sociais e atinge toda a família. Tem únicamente a ver com o poder que as mentes disfuncionais dos agressores de forma cobarde procuram exercer sobre os mais fracos, utilizando violência não só fisica como tambem psicologica contra aqueles que deveriam proteger.

Não julgo os abusados porque só eles sabem o que sentem mas acho imoral o incentivo à denúncia feito por organizações públicas e privadas, que se limitam a acrescentarem mais uma vítima às suas estatísticas e depois deixam-na de novo nas mãos dos abusadores.

Temos de orientar a lei na protecção das vítimas e sobretudo mudar as mentalidades para que os agressores se sintam criticados socialmente.

Estava o Patriarca de Lisboa preocupado com as mulheres portuguesas que pensavam em casar com muçulmanos…


Saudações

O Viajante


PS. depois de publicar este post mais uma mulher foi morta pelo marido dentro da ambulância que a transportava ao hospital para se tratar dos ferimentos provocados pela última sova. A filha de 5 anos estava com a mãe e assistiu a tudo.


8 comentários:

Reyel Angel disse...

Às vezes penso que a violência psicológica seja pior que a física, pois esta afeta o corpo, mas a primeira vai mais fundo afetando a alma, a mente, podendo até nos enlouquecer e anular como indivíduos...

Tbm acho um absurdo qdo as vítimas decidem denunciar, e depois não recebem a devida proteção. É revoltante.

Bjo na alma e abençoado sejas.

Maria de Fátima disse...

Olá Francisco, todas estas situações de violência doméstica metem-me nojo.Fico revoltada com as notícias sobre o assunto em questão.É como tu bem dizes, há que tomar medidas mais drásticas e eficientes para proteger as vítimas e punir com mão pesada os agressores, para servirem de exemplo, para que os próximos possíveis agressores pensem duas vezes antes de agir.Beijocase bom feriado.

IdoMind disse...

Querido Amigo,

Como podes adivinhar, já me passaram pelas mãos algumas destas situações. De facto, o sistema não funciona e muitas vezes as mulheres vitimas de abuso têm de voltar para junto dos agressores. É triste e dá-nos uma sensação de impotência que demora a passar.

O outro entendimento da vida diz-me que todos escolhemos as nossas provas. E nestes casos lembro-me sempre da história da pequena alma ao sol. Talvez estes agressores estejam a cumprir o papel ingrato de ajudar estas mulheres a superarem-se.

Outra coisa que aprendi: até quereres VERDADEIRAMENTE ajuda, ninguém vai conseguir ajudar-te.

Na minha experiência já vi estas mulheres a ter pena dos agressores, a retirar as queixas, não por medo, mas por outra coisa qualquer. Talvez porque esta seja a única forma de se sentirem pessoas, suscitando piedade, desempenhando eternamente o papel da vitima.

Penso que é do que se trata na maior parte dos casos, mesmo que má estas mulheres não estão dispostas a mudar a situação actual que conhecem e à qual se habituam. sad bu true

Beijos amigo atento

Viajante disse...

Olá Reyel Angel
De facto a gravidade da violência psicológica assenta no facto de que é mais subtil não deixa marcas físicas visíveis, contudo destrói completamente as pessoas.
Obrigado pelo seu comentário.

Saudações

O Viajante

Viajante disse...

Olá Fátima

Eu acho que os dois grandes pilares de resposta a esta tragédia são a lei claro mas também a tomada de consciência de que os agressores devem ser penalizados não só legalmente mas sobretudo socialmente.
A comunidade não pode ficar indiferente a estas situações.
Obrigado pelo teu comentário

Saudações

O viajante

Carla O. disse...

Há muita coisa a mudar, a começar pela mentalidade. E realmente, a condenação e afastamento social, às vezes podem mais ainda do que a justiça.
Agora, apelar à denúncia e depois obrigar a acareações com o agressor, sem protecção alguma da vitima que tem que voltar com ele... E mais, porque é que tem que ser a vítima a deixar tudo, ficando sem nada? Devia actuar-se sim pelo afastamento do agressor, protegendo a vitíma e não o contrário.
Bjs

Marise Catrine disse...

Viajante,

(como se pode ver, andei ausente e agora estou a colocar a leitura em dia)

Isto da violência tem muito que se lhe diga, mas é um facto que faz parte da espécie humana.
É uma vergonha que nem as autoridades consigam proteger estas mulheres (como vimos no caso da mulher morta na ambulância, junto a uma esquadra e após ter apresentado queixa).
Não imagino o que é estar na pele destas mulheres mas por vezes também me confunde que aguentem anos de abuso... que levem o primeiro estalo, o primeiro empurrão, o primeiro "vai para %&$$##" e não haja reacção?!
Por vezes é complicado entender o percurso de cada um neste plano. Mas se estamos nisto juntos, talvez seja porque podemos e devemos ajudar quem precisa.

****

Anónimo disse...

Não vale a pena perder tempo a tecer filosofias e comentários.A realidade tem muitos tons...
Fui abusada fisicamente aos 3 anos por dois empregados da casa.
Fui abusada psicologicamente quase toda a vida.
Divorciei em 2009 pela quinta vez,depois de ser abusada psiquicamente a tal ponto que ainda estou em terapia e estarei...
Descobri que minha mãe tbm não foi a fada da minha vida,ao dar-me conta que me trapaceou pedindo dinheiro para o suposto funeral da mãe dela,o qual foi pago pelo estado.Fui aldrabada a vida toda.
A culpa não é da mãe nem do pai nem minha...não há culpas...há factos,há uma existência ...como tirar ilações de que estou a sofrer pq em outra vida fiz tudo isso a alguém?Não tem a ver com nacionalidades nem religiões..
Não sei,ninguém sabe.
Só quis deixar aqui o meu testemunho para lembrar que não podemos julgar..nem os outros nem a nós...Tomar medidas preventivas sim,sempre...