segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Estes Americanos...!




Estive a ouvir atentamente o discurso que Obama fez no Congresso para perceber quais eram as razões de tanta contestação por parte dos americanos em relação à criação de um serviço nacional de saúde, que aliás fazia parte do programa de candidatura.
Ao que parece os grandes problemas dos americanos estão relacionados com três medidas que seriam implementadas com este projecto segundo determinadas fontes:

1. Seriam criadas comissões governamentais para decidirem quem receberia tratamento ou não.

2. Este serviço seria utilizado para prestar cuidados de saúde aos americanos que não tivessem meios para os pagar e aos emigrantes ilegais.

3. A criação de um serviço público seria uma atitude intervencionista do governo no mercado.

Embora a meu ver o ponto 1 seja no mínimo surrealista, o que me impressiona é como muitos americanos acreditam que tal é possível numa sociedade democrática. Claro eu sei que eles ultimamente têm visto e até apoiado muitas coisas que não abonam muito à democracia. Por outro lado até os percebo porque isto é o que fazem as companhias de seguros quando sistemáticamente rescindem os contratos com os clientes que têm mais problemas de saúde e como tal mais gastadores. Até agora ao que parece ninguém se indignou ou manifestou contra isso.
Quanto ao ponto dois, para quem corre meio mundo em defesa da liberdade, a derrubar tiranos e a defender os direitos humanos, fazendo até relatórios anuais sobre os direitos humanos noutros países, ter como princípio que dentro das suas fronteiras possam existir pessoas, que por circunstâncias diversas não têm direito a receber tratamento médico é no mínimo estranho, porque o deito à saúde é um direito humano.
Quanto ao ponto 3 será que o conceito de “valor público” é um conceito desconhecido dos americanos. O direito à vida, à saúde, à justiça, à liberdade, à segurança, são direitos universais e como tal têm de ser garantidos pelo estado a todos os cidadãos nacionais ou de outros paises que se encontrem dentro das suas fronteiras, não podem apenas estar acessíveis aos que podem pagar, ou dependentes dos caprichos do mercado ou bem pior da influência dos lobies. Só assim se poderá evitar que no mínimo se criem situações de desigualdade.
Digam o que disserem os especialistas internacionais, América não está preparada para um presidente negro, a prova disso foi o facto do congressista do Dakota do Sul, quando Obama explicava o seu projecto, lhe ter chamado mentiroso. Não me lembro que alguém tenho feito o mesmo ao Bush, apesar daquela farsa das armas de destruição maciça no Iraque, talvez para o congressista afinal os mentirosos sejam só de uma cor.


Saudações


O Viajante

6 comentários:

The Seeker disse...

Ainda bem que puseste na baila este tema.
Acho que nos devemos preocupar com o reflexo de uma sociedade que não nos é tão distante assim.
Sinceramente esta é uma questão que me está a perturbar e até já expus as minhas questões a uma amiga americana que por sua vez também está preocupada com a situação.
É estranho para mim que os americanos não se importem que o dinheiro dos seus impostos vá para armamento e salários de soldados que combatem em países que eles apenas acham que, tudo bem estão a levar a paz (quando "sabemos" que o que se passa não será "bem assim"...) e fiquem indignados por "ajudarem" o "vizinho do lado", o seu "irmão" que não tem possibilidades para pagar o seguro de saúde.
Onde está a solidariedade????

E ainda nós nos queixamos do nosso sistema de saúde....

Espero realmente que Obama seja capaz de levar até ao fim o que se propõe...

xoxo

xoxo

IdoMind disse...

Viajante, O Agitador

Há que perspectivar.
Lembra-te que os Unite States são ainda uma criança. Como tal, ainda dão valor a determinados brinquedos, ainda não apreenderam determinados valores. Estão a crescer e é inevitável pensar fazer e asneiras.

Nós, mais adultos, não agimos muito melhor. Também se fala em privatizar os Sistema Nacional de Saúde...
O buraco financeiro é enorme e hoje toda a gente EXIGE que cuidem delas.

Queres lançar polémica? Aqui vai.
Que achas dde andar a sustentar ciganos que nunca na vida deles descontaram um único cêntimo para o que quer que fosse. E sabes bem como vivem.
Digo ciganos como posso dizer todosaqueles "desfavorecidos" que por exemplo receberam casa novas sem nunca trabalharem para elas e rendimentos mínimos que lhes caem do céu.
Tu, se precisares efectivamente, torcem-te o narizporque não preenches os requisitos de "pobreza" suficiente. E então pagas, mas não beneficias. Isto parece-te justo?
Sou a favor de ajudar quem precisa como é óbvio mas talvez não fosse má ideia criar " comissões governamentais" para fiscalizar quem se está a ajudar.

beijos e já estou toda acesa, este assunto toca-me

Viajante disse...

Olá Seeker

Eu tambem me sinto mal pelo facto de um país que se coloca como defensor do "mundo livre" tenha uma atitude colectiva como esta.
Vamos ver o resultado final disto tudo, porque não é pelos facto de alguns cães ladrarem que a caravana vai deixar de passar

Beijos

O Viajante

Viajante disse...

Olá IdoMind

Pois é como dizes eles são miudos mas têm uns briquedos muito perigosos só um deles matou quase 90 mil pessoas.
Apesar de saber do espirito belicoso e alguma arrogância (até começarem a levar na cabeça)não consegui deixar de ficar chocado com a situação e com a forma como as pessoas acreditam nas coisas mais incriveis.
Quanto aos "desfavorecidos", eu concordo contigo que existem situações que têm de ser corrigidas. Contudo como em qualquer área da nossa sociedade por vezes a lei é generica e pode ser manipulada por uns quantos "espertos", tem de ser corrigida e claro fiscalizada. Quanto à facto dos cidadãos com rendimentos não pagarem impostos isso talvez queira dizer que o sistema que controla todas essas coisas não funciona.

Beijos

O Viajante

Carla O. disse...

Subscrevo inteiramente o que escreveste.
No entanto, também não deixo de concordar com o que a IdoMind refere.
Os EUA ainda têm muito que aprender, nomeadamente com os Estados Sociais europeus e estes, nomeadamente o nosso, tem muito que aperfeiçoar a começar pela fiscalização, por exemplo.
~Bjs

Barbara disse...

Ainda bem que cá nestas terras temos curandeiros.
Pois que os governos esquecem que o povo tem um corpo a tratar, uma cabeça a educar, e tudo o mais...
Sou do terceiro mundo.
Quem dera algum governo aqui, se dispusesse a tratar de assuntos tão prioritários como a saúde.
Obrigada.