quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Em nome de Deus


Mais uma cena lamentável de intolerância religiosa aconteceu num lugar que devia ser um lugar santo. Na igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém duas confissões religiosas cristãs envolveram-se em agressões físicas, porque ambas pretendiam usar aquele templo para a realização dos seus rituais, templo esse partilhado desde sempre, até agora sem problemas.
No século 11 ao apelo do Papa, em nome de Deus e sobre o pretexto de protegerem os lugares santos, os cristãos partiram em cruzada para a palestina.
A primeira prova que demos de amor pelos outros e de respeito pelos lugares santos foi a conquista de Jerusalém, que foi pilhada, e a execução de todos os que se encontravam dentro da cidade. Depois disso matamos, pilhámos, roubámos durante mais de um século até que Saladino nos mandou de volta para casa. Contudo esta saga ainda continuou até ao século 16 tanto na Palestina como na Europa com a contra-reforma e a tão falada Inquisição.
Dois mil anos depois ainda se mata em nome de Deus. Mata-se indiscriminadamente na indonésia, na Argélia no Paquistão no Iraque. Homens mulheres e crianças muçulmanos inocentes, que apenas gostariam de viver e amar o seu Deus, são diariamente mortos pelos seus irmãos de credo, que os deviam amar e proteger, a pretexto de uma luta que não passa de uma tomada do poder como qualquer politico agnóstico faria.
Como não existem guerras justas também não existem assassínios em nome do estado ou em nome de Deus. Existem apenas assassinos, pessoas sem espírito que tentam acalmar a sua consciência, arranjando uma razão que justifique a vontade que têm de tirar a vida dos outros e homens sedentos de poder pessoal que os doutrinam, controlam e instigam a fazer isso.
Esquecem-se os cristãos do mandamento “não mataras” e os muçulmanos também se esquecem de que a “Gihad” é feita na defesa da fé e nunca contra homens desarmados, mulheres e crianças, muito menos muçulmanos?
Contudo em acredito que a verdade tal como o azeite virá ao de cima e os que cumprirem o que Deus manda serão recebidos na luz, porque está escrito que não é o que bate no peito e diz Senhor Senhor! que entrará no Reino dos Céus, mas aquele que ouve a palavra e a põe em prática.
Saudações
O Viajante

5 comentários:

Salamandra disse...

Caro Viajante
belo post, ainda estou tambem a digerir esse acontecimento.Deus não tem nada a ver com isto, realmente é tão mais fácil os homens matarem-se uns aos outros em nome de Deus, assim os seus actos ficam justificados.È triste ao fim de tantos séculos os homens continuam a cometer os mesmos erros. Eu tambem acredito que a verdade virá ao de cima, só pode vir o mundo precisa.Gosto bastante do seu blog.

Um abraço de alma
salamandra

Shin_Tau disse...

Querido Viajante,

mais uma vez concordo plenamente com as suas palavras e as da Salamandra.
Creio que a Guerra é algo inerente ao Homem, assim como é a Paz. Uma vez mais será preciso, para podermos viver plenamente em Paz, aceitar que também somos Guerra. O equilíbrio só poderá ser alcançado através da utilização dos dois em conta e medida. Quando apenas praticamos a Paz, a Guerra acaba por ter de se manifestar, bem como o caso contrário.
Será talvez esta a justificação para Homens que apenas praticam o Bem, de repente cometerem actos de maldade, sem que ninguém os consiga compreender. Quanto mais recalcarmos a nossa violência, mais ela terá necessidade de se manifestar, assim, creio, é preciso saber canalizá-la para actos produtivos e transformá-la numa mola criadora ao invés de destruidora. Uma das formas mais comuns de conseguir controlar essa violência é através do sexo, algo que as Igrejas tentam reprimir, criando assim pessoas menos equilibradas.
Enfim, este assunto é tão rico e interessante que poderiamos continuar a divagar, mas o texto já vai longo e o espaço é reduzido...

Mais uma vez obrigada pelas suas palavras sábias!

Viajante disse...

De facto o homem é um ser dual existe sempre uma natureza e o seu oposto
A a guerra e a paz a violencia e a bondade convivem dentro de nós. Se assim não fosse alguns seriam sempre violentos e outros sempre bondosos. Os primeiro evoluiriam para anjos e os segundos para quê demonios??
A nossa morada é na luz é para lá que todos caminhamos.
Muitas vezes o mal das guerras não está nos que as combatem mas sim naqueles que as instigam, esses são a essência do mal.
Não podemos sub-valorizar as trevas enquanto força. Então para de que servem os rituais de protecção??

Shin_Tau disse...

Os rituais de protecção, pelo menos o objectivo com que os pratico, é para me libertar de todo o mal que crio. Quando tenho desejos, ideias, vontades e não as concretizo, estou a criar no plano astral essas coisas, que ao não serem colocadas na prática, acabam por se tornar em energias dispersas. Essas energias ficam agarradas a nós e muitas vezes começam a impedir-nos de fazer o nosso caminho. Um ritual de protecção serve para limpar essa energia. Também há, e haverá sempre, os outros que nos desejam coisas, às vezes até podem ser coisas boas, mas que não são o que precisamos e isso atrasa-nos.

Mais uma vez esta é a minha opinião e, como sabe, eu não acredito no diabo, pelo menos não como a igreja o caracteriza. O Mal em si têm de existir, senão como poderíamos evoluir? Para mim a história de Adão e Eva e da Serpente, a primeira situação do Mal expressa na Bíblia, é apenas uma metáfora para a descida do Homem a este Plano. A serpente ofereceu o Conhecimento ao Homem, como Lúcifer, e a partir desse dia tivemos de começar a passar por provas para podermos evoluir e voltarmos a ser parte do divino. Quanto aos segundos (os que praticam o mal), apenas não evoluem, têm de se manter aqui a aprender até conseguirem superar o Mal.

Creio que não estamos em acordo neste aspecto, e compreendo perfeitamente o que diz e o seu ponto de vista, é perigoso sub-valorizar o Mal, mas também o é não o reconhecer em nós e enfrentar. O Bem e o Mal coabitam em nós e todos devemos ter isso em mente, para conseguir distinguir a voz de um da voz do outro.
Por favor, continue a expor a sua opinião sobre este tema, pois como já lhe disse, é um tema ainda um pouco confuso para mim e quando o debato consigo vou conseguindo arrumar as minhas ideias, torná-las mais claras e ao mesmo tempo fazendo acertos com aquilo que você diz.
Desde já um muito obrigada.

Anónimo disse...

Matar seja qual for a situacao e um acto mau.Faze-lo em nome de Deus ainda pior, concordo consigo que existem apenas assassinos e homens sedentos de poder pessoal que os controlam e instigam a fazer isso.
Sao