sábado, 15 de novembro de 2008

Pessoa e a Vida


Hoje gostaria de partilhar convosco um poema de Fernando Pessoa, acerca da vida enquanto caminho da nossa evolução, que me foi enviado pela pessoa que eu amo.


Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,

mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo.

E que posso evitar que ela vá a falência.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.

É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.

Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.

É saber falar de si mesmo.

É ter coragem para ouvir um 'não'.

É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo


(Fernando Pessoa)
Saudações
O Viajante

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Um Deus com dupla personalidade?




Existem diferenças fundamentais entre o Deus do antigo testamento e o Deus de que nos fala o Sr. Jesus.
De acordo com o que está escrito o Deus do Antigo Testamento é o Deus do “olho por olho dente por dente” que lançou sobre a “terra” o dilúvio do qual se salvou apenas Noé e a sua descendência, arrasou Sodoma e Gomorra apesar dos pedidos de Abraão, fazendo chover sobre elas enxofre. Lançou pragas sobre o Egipto, matou todos os primogénitos dos egípcios e destruiu o seu exército para que os israelitas pudessem sair daquele país. Mas como eles construíram um ídolo e afastaram-se Dele castigou-os fazendo-os vaguear pelo deserto durante quarenta anos até atingirem a “terra prometida” e depois de todo o trabalho realizado em Seu nome só permite a Moisés que a veja de longe.
O Deus de Jesus é o oposto, é o “Pai nosso que está no céu” que nos ama e que veio introduzir nas tábuas da Lei um mandamento novo: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amo”, inclusive os inimigos, é o Deus do perdão da bondade da segunda oportunidade. Colocou-se claramente contra muitas das leis religiosas e sociais vigentes e falou através de Jesus de coisas que eram absolutamente revolucionárias para a época.
Considerando que Deus é criador e portanto pre-existente aos homens ficamos com a ideia que ele evoluiu de Deus dos Exércitos para Deus do Amor o que será inconsequente já que Deus “é” logo sempre perfeito e imutável.
Podemos também pensar que ele agiu de maneira diferente porque o “coração dos homens era mais duro” e como tal as leis teriam ser mais duras. Mas mesmo duro ele teria de ser justo e tolerante o que continua a ser incompatível com o discurso se não és por mim estás condenado, ou com as destruições em massa.
Também está escrito que Deus se arrependeu do dilúvio que lançou sobre a terra como se tivesse cometido um excesso ou um erro. Outra situação inconsequente já que como perfeito que é não erra.
Poderá também ter acontecido que os homens tenham criado uma imagem de Deus que legitimasse as suas leis punindo com a destruição os pecadores que não as cumprissem.
Ou então os escritos que chegaram até nós apresentam episódios ocorridos em circunstâncias especiais, como as pragas do Egipto, a destruição do exercito do faraó, a destruição de cidades, a exterminação de milhares de pessoas, que são entendidos como acontecimentos de origem divina, quando talvez tivessem resultado de acidentes naturais, ficcionados pela tradição.
Mas o mais interessante é que apesar da dureza do coração dos homens há dois mil anos ser ainda muita, surgiu através de Jesus o Deus do Amor, que não pretendia legitimar as leis dos homens antes pretendia mudá-las. Talvez tenha vindo repor a verdade dos factos e limpar a imagem do Deus punitivo do antigamente
O meu Deus é claramente este.
Saudações
O Viajante

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Em nome de Deus


Mais uma cena lamentável de intolerância religiosa aconteceu num lugar que devia ser um lugar santo. Na igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém duas confissões religiosas cristãs envolveram-se em agressões físicas, porque ambas pretendiam usar aquele templo para a realização dos seus rituais, templo esse partilhado desde sempre, até agora sem problemas.
No século 11 ao apelo do Papa, em nome de Deus e sobre o pretexto de protegerem os lugares santos, os cristãos partiram em cruzada para a palestina.
A primeira prova que demos de amor pelos outros e de respeito pelos lugares santos foi a conquista de Jerusalém, que foi pilhada, e a execução de todos os que se encontravam dentro da cidade. Depois disso matamos, pilhámos, roubámos durante mais de um século até que Saladino nos mandou de volta para casa. Contudo esta saga ainda continuou até ao século 16 tanto na Palestina como na Europa com a contra-reforma e a tão falada Inquisição.
Dois mil anos depois ainda se mata em nome de Deus. Mata-se indiscriminadamente na indonésia, na Argélia no Paquistão no Iraque. Homens mulheres e crianças muçulmanos inocentes, que apenas gostariam de viver e amar o seu Deus, são diariamente mortos pelos seus irmãos de credo, que os deviam amar e proteger, a pretexto de uma luta que não passa de uma tomada do poder como qualquer politico agnóstico faria.
Como não existem guerras justas também não existem assassínios em nome do estado ou em nome de Deus. Existem apenas assassinos, pessoas sem espírito que tentam acalmar a sua consciência, arranjando uma razão que justifique a vontade que têm de tirar a vida dos outros e homens sedentos de poder pessoal que os doutrinam, controlam e instigam a fazer isso.
Esquecem-se os cristãos do mandamento “não mataras” e os muçulmanos também se esquecem de que a “Gihad” é feita na defesa da fé e nunca contra homens desarmados, mulheres e crianças, muito menos muçulmanos?
Contudo em acredito que a verdade tal como o azeite virá ao de cima e os que cumprirem o que Deus manda serão recebidos na luz, porque está escrito que não é o que bate no peito e diz Senhor Senhor! que entrará no Reino dos Céus, mas aquele que ouve a palavra e a põe em prática.
Saudações
O Viajante

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

O pecado e a virtude






O pecado e a virtude são duas palavras muito utilizadas no léxico judaico-cristão. Embora opostos e portanto equivalentes de sinal contrário a sua massa crítica é fundamentalmente diferente. Virtude é um estado resultante de um conjunto de acções tidas e sentidas como boas. Pecado pode ser estado mas normalmente é visto como acto praticado não conforme com o bem.
Para podermos avaliar as situações decorrentes da utilização destes termos importa pois definir o que é o bem e o que é o mal.
Embora todos os grupos humanos mesmo civilizacionalmente diferentes, tenham princípios definitórios do bem e do mal idênticos existem algumas diferenças que muitas vezes estão ligadas a situações sócio culturais.
A noção de casamento monogâmico e fidelidade conjugal defendida pelas correntes cristãs como a atitude correcta em contraposição ao adultério, difere da muçulmana em que é permitido ao homem ter até quatro esposas e como tal esse pecado deixa de ter sentido.
Enquanto que a caridade para com os pobres é um acto virtuoso para muitas confissões religiosas, para os hindus organizados por castas não é permitido contactar de qualquer maneira e muito menos ajudar os chamados “intocáveis”. Será que perante Deus o pecado e a virtude dependem do facto de ser cristão, muçulmano ou hindu?
Ao que parece, mais do que uma definição universal quase transcendental de pecado e da virtude, torna-se necessário que o actor tenha consciência da maldade ou bondade do acto que pratica.
Mas sendo assim, se eu, porque tenho problemas mentais, cometo um crime, e não tenho consciência desse acto, perante Deus não pequei, ainda que tivesse assassinado alguém.
Contudo se a tomada de consciência é condição necessária, então só poderemos responder pelos nossos actos conscientes e como tal o tradicional “pecado original” praticado por Adão e Eva não será mais do que isso, algo de muito original.




Saudações






O Viajante

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Forças Armadas debaixo de fogo



Ao fim de quase cem anos e com pelo menos 15 anos de guerra, treze dos quais em três frentes, as Forças Armadas Portuguesas, ainda “imbuídas de grande espírito de sacrifício” continuam a ser enviadas, tal como em 1916, para cenários de guerra, sem o equipamento adequado, porque os nossos políticos, tal como dantes, estão em biquinhos de pés para aparecerem na cena internacional.
Enviámos pessoal para Timor e fomos comprar à pressa uns quantos humvees que estavam preparados para a guerra no deserto e não para o clima tropical.
Depois no Afeganistão os nossos “Comandos” utilizaram, enquanto as que tinham vindo de Timor eram reforçadas, viaturas idênticas aos humvee contruidas em Espanha, tendo sido numa dessas viaturas que tivemos as nossas únicas baixas devido ao rebentamento de uma mina.
Foi-se ao cumulo de enviar elementos da GNR para o Iraque que no ínicio usaram vituras não blindadas emprestadas pelos italianos, até que receberam as que tinham sido adquiridas pelo estado português.
Não sei o que diz a lei da programação militar, mas a percepção do comum dos cidadãos é que a marinha não tem barcos para fazer a busca e salvamento, quanto mais para fiscalizar aquilo a que pomposamente chamamos a nossa zona económica exclusiva, que está completamente a saque pelas frotas estrangeiras que destroem os nossos recursos.
Que estamos a melhorar os nossos aviões F16 para depois os vendermos, e ficarmos com os que não estão melhorados.
Que os patrulhas oceânicos de que a nossa marinha necessitava há dez anos estão desde 2005 a enferrujar na doca dos estaleiros de Viana do Castelo.
Que os novos helicópteros “Merlin” não traziam sobressalentes o que levou que ao fim de alguns meses só um terço dos existentes estivessem a funcionar, obrigando a Força Aérea a reactivar os “Pumas”.
Que o orçamento da defesa nacional tem um “buraco” de 100 milhões que segundo algumas fontes se deve ao facto do Ministério das Finanças sub-orçamentar deliberadamente para controlar as despesas dos militares.
Para além de tudo isto agora temos o novo capítulo: o ataque aos “privilégios” dos militares. Na tentativa de nivelar tudo por baixo o governo acha que de facto eles não passam de funcionários públicos.
Existe já um certo mal-estar mesmo das chefias militares e até de alguns políticos que ainda se lembram do papel que os militares tiveram na situação política actual.
Por fim vem o Ministro dos Negócios Estrangeiros a público dizer que se a Nato precisar de mais militares portugueses que o governo está disponível.
Mas afinal que querem os nossos responsáveis? Continuarem a usar as Forças Armadas como instrumento de política externa e de prestígio a nível internacional, sem quase investirem um euro. A sua postura em relação aos militares vai ter de mudar, não bastam espectáculos televisivos de partidas e regressos, não bastam homenagens ao mortos, importa dar a estes portugueses que optaram por servir o país mais dignidade.
Parece que de 1916 para cá nada mudou e que os políticos só entendem os militares quando eles estão de armas na mão, assim foi em 1917 com Sidónio Pais, 1928, com Gomes da Costa e em 1974 com o “Movimento dos Capitães”. Talvez não acreditem mas a história é cíclica e o maior erro é pensar que ela não se repete.


Saudações


O Viajante

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

I Have A Dream (Martin Luther King)



E pronto o Barak Obama ganhou, fez-se história, na América tudo é possível, blá blá blá. Assisti a esta torrente de imagens e comentários que nos entrou por casa dentro. Acho que se os portugueses votassem para eleger o presidente dos Estados Unidos a abstenção teria sido menor.
Acredito que ele tente mudar as coisas no seu país, acredito sobretudo que ele tem vontade de fazer isso, mas quanto à politica externa não me posso esquecer que ele é o Presidente dos Estados Unidos e nunca irá pôr em causa os interesses dos seu país, o que diga-se de passagem é absolutamente legítimo.
O homem quer fechar Guantanamo, falar com os iranianos, sair do Iraque, aumentar a presença militar no Afganistão, criar um fundo para acabar com a pobreza a nível mundial, tomar medidas sérias na protecção do ambiente, criar um sistema de saúde que seja universal, legalizar os emigrantes, diminuir os impostos dos mais idosos, dar aos estados a hipótese de legalizarem, se assim o entenderem, casamentos homossexuais, dar mais financiamento aos estudos sobre a utilização de células estaminais e regulamentar as actividades financeiras.
É de facto uma mudança ambiciosa e apesar de eu acreditar que a América não mudou assim tanto só porque elegeu um presidente afro-americano chamado Barak Hussain Obama, dou o benefício da dúvida a mais este homem que tem um sonho. Espero que ele consiga e que de facto a América tenha mudado e as pessoas não morram só por terem sonhos
Boa sorte Presidente Obama
Saudações
O Viajante

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Os bombeiros nunca chegam a tempo











Ao fim de 25 anos de serviço nos Bombeiros e centenas de intervenções só me recordo de duas situações em que a pessoa que pediu o socorro disse à nossa chegada que tínhamos vindo rapidamente.
Eu sei que para quem tem um familiar em risco e aguarda durante dez ou quinze minutos por uma ambulância ou quem tem a sua casa em chamas e aguarda durante vinte minutos a chegada de uma viatura de incêndio, parece uma eternidade. Por isso temos de ter presença de espírito para ouvir as críticas e entender o desespero das pessoas.
Claro que os elementos dos bombeiros também têm as suas características de personalidade que podem, por falta de experiência ou até algum nervosismo, provocar conflitos, que numa situação de sinistro são de todo de evitar.
José Alexandre, mais conhecido pelo “Zé Barra” praticamente “nasceu” nos bombeiros. Bombeiro de segunda geração filho de outro José Alexandre que foi para mim uma referência quando entrei para os bombeiros em 1977. Tal como o seu pai o “Zé Barra” dizia o que pensava e punha por vezes muita emoção nas discussões especialmente sobre bombeiros, dava a ideia que “fervia em pouca água”.
Um dia de madrugada a sirene tocou, era um incêndio na vila de Ferrel uma localidade do nosso concelho.
A situação era complicada, um incêndio numa garagem na parte debaixo da casa impedia uma senhora grávida e duas crianças que se encontram no primeiro piso, de sair do edifício.
O Zé saiu a chefiar a primeira viatura e ao que parece quando chegou ao local o dono da casa, que se encontrava no exterior, chamou-lhe a ele e à guarnição todos os nomes de que se lembrou porque tinham demorado muito tempo a chegar.
Aí o Zé superou-se, manteve a calma e agiu como bom operacional que era. Avaliou a situação e de imediato com a sua guarnição procedeu ao salvamento das pessoas e à extinção do incêndio, não dando sequer atenção aos insultos. Quando cheguei ao local a situação estava praticamente resolvida.
Nesse dia à tarde o dono da casa foi ao quartel pedir desculpa e o Zé disse-lhe que não tinha que pedir desculpa que compreendia que ele estava numa situação difícil daí ter dito tudo aquilo.
Boa Zé nesse dia, se eu ainda alguma dúvida tivesse, convenceste-me que a herança do José Alexandre pai estava bem entregue.

Um abraço


Saudações

O Viajante

domingo, 2 de novembro de 2008

Arte o alfa e o omega


Segundo a minha colega Teresa, especialista na área, uma das caracteristicas da arte é desafiar os limites, desmontar fronteiras ou seja à arte tudo é permitido pôr em causa.
Existem contudo duas questões que me preocupam:
Quem define o que é arte e quem define quem é artista?
Serão por acaso os críticos de arte ou a rede comercial constituida pelas galerias que publicitam os autores e vendem as obras que definem o que é arte e quem é artista?
Se um critico bem conceituado fizer uma critica positiva a uma determinada obra é uma caminho garantido para que o autor possa ter sucesso.
Se determinada galeria patrocinar uma exposição de obras de um autor isso leva ao seu reconhecimento publico e à entrada no circuito comercial.
Será o público? Se for o público que número de pessoas será relevante para atribuir esse estatuto?
Arrisco portanto a dizer que artista não é o que pinta ou esculpe bem mas o que é reconhecido e para isso existem todo um conjunto de esquemas de marketing que vão de alguma forma influênciar o juizo de valor que as pessoas fazem dele.
Nero para se inspirar na composição das suas canções largou fogo a Roma, considerava-se um artista. Hitler apreciador de arte, que “adquiriu” por toda a Europa, tinha ambições de transformar Berlim numa cidade diferente, destruiu bairros inteiros mudou milhares de pessoas para construir a capital à sua imagem , não sei se se considerava um artista mas com certeza que os críticos de arte alemães da época o consideravam .
Á tempos numa galeria houve um “artista” que manteve um cão preso até morrer à fome, parece que era uma obra de arte.
Assim o estatuto de artista atribuido por não sei quem e talvez nem sempre pelas razões correctas colocam nas mãos de um homem um poder que nem os ditadores mais empernidos têm, com a agravante de que aparentemente não tem de responder por ele.
Eu sei que porque criam gostariam de ser deuses mas não passam de reflexos da centelha divina que existe em todos nós. Humildade para reconhecer que o seu dom criativo é ao mesmo tempo algo de maravilhoso mas tambem uma missão e temperar isso com bom senso, será a receita ideal para deixar de por em causa tudo apenas pelo prazer de derrubar, porque nem tudo o que é novo se constroi sobre as ruinas do que é antigo.
Saudações

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Tudo na mesma


Em Fevereiro 2008 a DECO vinha a público apresentar um estudo sobre os “spots” publicitários de alguns bancos que apurava que estas entidades apostavam em produtos e designações que sugeriam “remunerações aliciantes”, mas a maioria manipulava os números “vendendo” a uma taxa que não correspondia à taxa real.
A DECO esperava a intervenção das entidades competentes nomeadamente o Banco de Portugal, a Direcção Geral do Consumidor e o Instituto de Seguros de Portugal, na fiscalização das regras para este tipo de produtos, que considerava claramente como um caso de publicidade enganosa.
Em Junho de 2008 novo estudo da DECO chegava à conclusão que “a publicidade do crédito ao consumo procurava camuflar os verdadeiros custos do empréstimo, com as instituições financeiras a destacar a facilidade da contratação”. De acordo com aquela entidade, algumas instituições de crédito não se preocupavam em cumprir a lei e não indicavam a taxa anual de encargos efectiva global (TAEG) que iria permitir comparar propostas de crédito de outras instituições.
Em Julho 2008 a Procuradoria-Geral da República considerou abusiva a cláusula dos arredondamentos e decidiu avançar com acções contra os bancos.
Em Agosto 2008 o Governo proibiu os bancos de procederem a arredondamentos abusivos das taxas de juro nos créditos à habitação.
Outubro de 2008 a DECO depois de um estudo efectuado em 331 agências de 16 instituições bancárias concluiu que os bancos “não dão informação geral obrigatória sobre tipos de empréstimos, garantias e opções de reembolso, entre outras, numa fase inicial da negociação", como deveriam fazer de acordo com a lei e instruções emanadas do Banco de Portugal.
Ao fim de um ano de telenovela, depois da bronca doméstica do BCP, do desastre de Wall Street e do aval do estado onde anda o Dr. Constâncio? Quando vamos chamar à responsabilidade esses senhores que deveriam supostamente vigiar e fiscalizar o sistema?

Saudações

O Viajante

terça-feira, 28 de outubro de 2008

A mágica das rupturas sociais.


As rupturas sociais são situações dramáticas que acontecem na ordem social dos grupos humanos, que de uma forma radical colocam em causa o “status quo”, criando novos quadros de valores e definindo novas formas de relacionamento.
Apesar dos problemas sociais que provocam, estas mudanças bruscas têm algo de mágico já que fazem desaparecer umas coisas e surgir outras.
Quando a Alemanha se rendeu no fim da segunda guerra os nazis tinha desaparecido todos só existiam anti-nazis. Em Itália com a morte de Mussolini dum momento para o outro o país ficou sem fascistas. Em Portugal no dia 26 de Abril de 74 surgiram quase 10 milhões de democratas.
Com a crise financeira então a mágica tem sido mais apurada. Os lucros fabulosos das instituições financeiras como que por encanto desapareceram, com eles foram os neo-liberais. Os responsáveis dos governos passaram todos a intervencionistas e por último os bancos já não têm accionistas só clientes.
Como diz o povo: “cantam bem mas não me alegram”. Quem ouviu a conversa dos gestores dos principais bancos nacionais no último “Prós e contras”, até parecia que estávamos a falar de organizações de solidariedade social. Lá foram os senhores administradores, ainda com os mesmos ordenados milionários de antes da crise, dizendo que os bancos estavam bem, que o aval do estado era apenas uma segurança para as transacções com os outros bancos, mas que em principio talvez não fosse necessária a utilização daquela garantia. Passadas duas semanas alguns desses senhores já colocam a hipótese de utilizar até 90% da garantia dada pelo estado português.
Será que os bancos vão pagar pela utilização do aval do estado o mesmo que eu enquanto cidadão pago por uma garantia bancária?
Depois vieram com a conversa dos depositantes, dos clientes num “mamar doce” que na prática se traduz em perfeitas “mafiosisses” para extorquir o máximo.
Como a que aconteceu com um colega meu que estava a construir um edifício e como não conseguiu utilizar todo o capital que tinha solicitado dentro do período estipulado, foi ao “seu” banco, e quando digo seu estou a falar do banco onde sempre foi cliente, onde tem os seus depósitos, através do qual tem feito os seus negócios, e solicitou uma prorrogação. Qual não foi o seu espanto quando reparou que a autorização vinha com um aumento de “spred” de 100%. Como tinha capital prontificou-se de imediato a pagar a parte já utilizada e a finalizar ali o contrato de financiamento o que fez recuar os responsáveis do banco.
Isto aconteceu com alguém com capacidades de reagir se fosse outra pessoa sem capital próprio teria de continuar o empréstimo, ou não concluía a obra, mesmo com o “spred” 100% mais caro.
São estes senhores que têm duas horas e meia de tempo de antena em horário nobre na televisão que todos nós pagamos, têm um aval do estado com o nosso dinheiro para aumentarem os seus lucros ao passo que o comum dos cidadãos que nem dinheiro tem para pagar a casa, não têm voz nem aval.


Saudações

O Viajante