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terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Capitalismo de rosto humano


Já lá vão vários meses, crise financeira, milhões de euros perdidos, apoios de milhões para os bancos, crise económica, e agora vamos enfrentar a recessão e o desemprego maciço.
Contudo não vi até hoje ninguém propor uma nova visão do sistema capitalista que impeça estas crises cíclicas. Assim busquei no fundo do meu saber empírico e fiz algumas reflexões que eventualmente por esse mundo já muita gente fez.
Os três pilares do capitalismo são: o mercado, a bolsa de valores e o sistema financeiro. Para o sistema funcionar tal como os órgãos vitais do nosso corpo estes pilares tem de ser protegidos.
O mercado precisa de ser regulado para impedir as disfunções causadas por monopólios oligopólios ou pelo açambarcamento.
A empresas enquanto agentes do mercado não podem ter apenas como único objectivo, aumentar indefinidamente o lucro.Têm de voltar a desempenhar um importante papel social, formando e motivando o seu pessoal, dando estabilidade à malha social onde se inserem e ao ambiente.
A bolsa de valores tem de ver defendida a razão primeira para que foi criada, absorver as poupanças dos investidores e capitalizar as empresas. A especulação terá ser fortemente penalizada.
O sistema financeiro terá de ser monitorizado por entidades oficiais ou semi-oficias que efectuarão auditorias periódicas a todas as organizações financeiras e as fraudes ou tentativas de enganar os clientes e accionistas, têm ser severamente punidas e os seus gestores responsabilizados pessoalmente.
A gestão por objectivos para as empresas do ramo financeiro terá de ser repensada.
Os paraísos fiscais que lavam o dinheiro de sangue e financiam o crime e o terrorismo internacional terão acabar.
Quanto ao estado como se pode ver tirando a legislação e a monitorização do sistema pouco aparece nas minhas propostas. Apesar de tudo alguns dirão que será exagerado, também foram exagerados os excessos e até hoje não vi quase ninguém penalizado por isso.
Depois de várias crises em que se nacionalizaram os prejuízos já era tempo das cabeças pensantes terem reparado que o sistema funciona num mundo perfeito sem egoismo e sem ganancia. Como esse mundo talvez exista na “Utopia” de Tomas More tanto este quanto outros sistemas económicos têm de ser regulados e monitorizados.

Contudo não acredito que se mude nada de relevante e daqui a cinquenta anos os mesmo irão meter os pés pelas mãos e nós cá estamos para os "ajudar".



Saudações



O Viajante

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

O Sindrome do Escorpião




Um dia estava um escorpião numa margem de um rio africano e aproximou-se dele um crocodilo. Ao vê-lo o escorpião pediu-lhe que o transportasse para a outra margem. Quando estavam a meio da travessia o escorpião picou com o seu ferrão o crocodilo que devido ao veneno começou a perder forças e a afundar-se. Voltando-se para o escorpião o crocodilo perguntou-lhe porque fizeste isso? Tens consciência que nos condenaste os dois à morte? Ao que o escorpião respondeu eu sei mas esta é a minha natureza.
Quando o nosso governo ajudou a resolver os problemas dos bancos, a pensar que eles iriam apoiar a economia, esqueceu-se de que eles são instituições, que tal como o escorpião, têm uma natureza muito peculiar, que tem como objectivo aumentar indefinidamente os seus lucros, mesmo que para tal afundem todo o sistema económico.
Portanto linhas de crédito para as pequenas e médias empresas, são bons argumentos políticos para se apresentarem na comunicação social, mas que dificilmente serão levados à prática. Com o aumento explosivo do crédito mal parado, empréstimos só se envolverem poucos riscos e nem o facto das taxas de juro estarem baixas tem contribuido para um maior dinamismo nos empréstimos por parte dos bancos.
Há tempos o Sr. Ministro das Finanças disse que retiraria a garantia do Governo se os bancos não emprestasse dinheiro às empresas, mas ao que parece foi como diz o povo, só conversa.
Saudações
O Viajante

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Crise qual crise?


No inicio da crise financeira o nosso governo disponibilizou uma garantia de 20 mil milhões de euros para que a banca portuguesa pudesse aumentar a liquidez, contraindo empréstimos no estrangeiro. A seguir nacionalizou o BPN, que como todos sabemos, tal como o BCP, andou metido em esquemas muito pouco legais.Depois o “policia”, que nunca sabe de nada, resolveu fazer uma “vaquinha “ para salvar o BPP, que especulava com as fortunas de uns quantos senhores importantes que claro não podem ficar a perder.
Pela voz dos seus mais altos representantes acompanhados por alguns membros do governo, o sistema bancário português veio a público dizer que estava tudo bem, que os nossos bancos não se tinham metido naquelas negociatas americanas, mas pelo menos quatro bancos acabaram por recorrer a essa garantia.
Quando a crise chegou à economia o governo não diminuiu os impostos das empresas, não lhes deu dinheiro, nem sequer pagou as dividas que tinha para com elas, antes criou linhas de crédito, ou seja colocou-as ainda mais nas mãos dos que foram responsáveis pela sua desgraça.
Atendendo a que os lucros da banca portuguesa foram nestes últimos meses de mil milhões de euros seria no mínimo aceitável que houvesse da parte dos bancos uma maior abertura no sentido de facilitar o crédito tanto às empresas como às familias.
Agora vem o senhor Primeiro Ministro apelar aos bancos para “ajudarem” a economia .
Mas então nosso “primeiro”, não foi o nosso dinheirinho que foi para os bolsos dos banqueiros? Então ainda tem de apelar?
Continuamos de joelhos perante esses senhores que descaradamente enchem os seus cofres e mantem os seus salários obscenos à custa de um povo com cerca de dois milhões de pessoas à beira da pobreza e que enfrenta uma crise, criada por eles, que se calhar nem daqui a dez anos estará resolvida .
Se o sistema está podre temos que desenvolver um novo sistema económico que não adultere as leis do mercado e que crie laços de confiança entre os seus agentes .
Talvez em vez de estarmos preocupados a tentar salvar as instituições deveriamos antes ter substituido as pessoas. Depois de uma trajédia desta dimensão é lamentavel que nem as moscas mudem.

Saudações


O Viajante

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

"Aqueles que esquecem o passado estão condenados a repeti-lo"


Se queremos contruir o futuro não podemos deixar de ter em conta as experiências do passado. Ao que parece os pais fundadores da democracia americana tinham um percepção correcta em relação à natureza das instituições financeiras mas foram silenciados pelos aurautos do milagre económico chamado capitalismo.
Em Janeiro de 1815 Thomas Jefferson escreve a James Monroe uma carta onde já nessa altura coloca as sua preocupações sobre esse tipo de entidades e que eu traduzi espero que bem:
“Se o povo americano alguma vez permitir aos bancos o controlo do valor da sua moeda, primeiro através da inflação depois através da deflação, os bancos e as empresas que crescem à sua volta irão privar o povo do todos os seus bens até que os seus filhos fiquem sem–abrigo num continente que os seus pais ocuparam. O poder de valorizar o dinheiro deve ser retirado das mãos dos banqueiros e entregue ao Congresso e ao povo a que pertence. Acredito sinceramente que as instituições bancárias com o poder de valorizar a moeda são mais perigosas para a liberdade do que os exércitos permanentes.
Estamos tão dependentes dos bancos que temos que fazer o que eles querem.
Temos de destruir o controlo que as instituições bancárias exercem sobre as mentes dos nossos cidadãos ou então seremos nós destruidos por ele."

Saudações

O Viajante

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Tudo bons rapazes



Embora a minha formação seja na área das ciências sociais, adoro relações internacionais e dou atenção a muitos programas que falam dessa área. Num dos canais da televisão estavam a falar de uma nova arma pessoal que equiparia o soldado do futuro e ao longo do documentário foram descrevendo as capacidades da arma. Por último o fabricante faz uma declaração que me deixou no mínimo espantado: “estamos a desenvolver um equipamento que vai salvar muitas vidas”.
Como é que um objecto desenhado e pensado para matar pode salvar vidas? Só na consciência triste e amargurada de quem o fabrica e que se limita a pensar em termos de empresa, grupo político ou país.
As Nações Unidas dizem que durante este Inverno em ligação directa com a crise económica vão ser ameaçados pela fome cerca de 750 milhões de pessoas em todo o mundo. Claro que ainda faltam incluir os outros milhões que com crise ou sem crise estão sempre ameaçados pela fome.
Como se sentirão os gestores financeiros gananciosos quando estiverem a celebrar o Natal com as suas famílias? Se calhar a sua consciência não os acusa de nada eles apenas cumpriram os objectivos que eram exigidos pelas suas companhias, quanto ao resto não têm nada que ver com isso.
Se um terço destas pessoas morrerem, estamos a falar de 250 milhões, ora por muito menos os Estados Unidos entram em guerra com o Iraque e Sadam Hussein foi deposto e executado.
Em 1989 uma Entidade Cósmica canalizada por um humano, entre muitas outras coisas, deixou o aviso que as instituições financeiras eram as piores organizações que existiam neste plano e que no novo milénio iriam causar muito sofrimento, pelo que devíamos evitar utilizá-las.
Pois eu sei que essa gente das armas e dos dinheiros são todos bons rapazes e que gostam de chegar a casa e sentirem que foram úteis para a sociedade, uns porque estão a contribuir para a defesa do seu país, outros que estão a contribuir para o desenvolvimento económico. Mas nestes negócios como noutros quaisquer, o interesse geral tem de sobrepor-se ao individual. Mercado sem regras é coisa que só existe nas mentes deturpadas de alguns indivíduos que depois do desastre se limitam a assobiar para o lado.
Mas a contabilidade Cósmica é infalível e como diz o nosso povo “cá se fazem cá se pagam”
Saudações
O Viajante

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Tudo na mesma


Em Fevereiro 2008 a DECO vinha a público apresentar um estudo sobre os “spots” publicitários de alguns bancos que apurava que estas entidades apostavam em produtos e designações que sugeriam “remunerações aliciantes”, mas a maioria manipulava os números “vendendo” a uma taxa que não correspondia à taxa real.
A DECO esperava a intervenção das entidades competentes nomeadamente o Banco de Portugal, a Direcção Geral do Consumidor e o Instituto de Seguros de Portugal, na fiscalização das regras para este tipo de produtos, que considerava claramente como um caso de publicidade enganosa.
Em Junho de 2008 novo estudo da DECO chegava à conclusão que “a publicidade do crédito ao consumo procurava camuflar os verdadeiros custos do empréstimo, com as instituições financeiras a destacar a facilidade da contratação”. De acordo com aquela entidade, algumas instituições de crédito não se preocupavam em cumprir a lei e não indicavam a taxa anual de encargos efectiva global (TAEG) que iria permitir comparar propostas de crédito de outras instituições.
Em Julho 2008 a Procuradoria-Geral da República considerou abusiva a cláusula dos arredondamentos e decidiu avançar com acções contra os bancos.
Em Agosto 2008 o Governo proibiu os bancos de procederem a arredondamentos abusivos das taxas de juro nos créditos à habitação.
Outubro de 2008 a DECO depois de um estudo efectuado em 331 agências de 16 instituições bancárias concluiu que os bancos “não dão informação geral obrigatória sobre tipos de empréstimos, garantias e opções de reembolso, entre outras, numa fase inicial da negociação", como deveriam fazer de acordo com a lei e instruções emanadas do Banco de Portugal.
Ao fim de um ano de telenovela, depois da bronca doméstica do BCP, do desastre de Wall Street e do aval do estado onde anda o Dr. Constâncio? Quando vamos chamar à responsabilidade esses senhores que deveriam supostamente vigiar e fiscalizar o sistema?

Saudações

O Viajante

terça-feira, 28 de outubro de 2008

A mágica das rupturas sociais.


As rupturas sociais são situações dramáticas que acontecem na ordem social dos grupos humanos, que de uma forma radical colocam em causa o “status quo”, criando novos quadros de valores e definindo novas formas de relacionamento.
Apesar dos problemas sociais que provocam, estas mudanças bruscas têm algo de mágico já que fazem desaparecer umas coisas e surgir outras.
Quando a Alemanha se rendeu no fim da segunda guerra os nazis tinha desaparecido todos só existiam anti-nazis. Em Itália com a morte de Mussolini dum momento para o outro o país ficou sem fascistas. Em Portugal no dia 26 de Abril de 74 surgiram quase 10 milhões de democratas.
Com a crise financeira então a mágica tem sido mais apurada. Os lucros fabulosos das instituições financeiras como que por encanto desapareceram, com eles foram os neo-liberais. Os responsáveis dos governos passaram todos a intervencionistas e por último os bancos já não têm accionistas só clientes.
Como diz o povo: “cantam bem mas não me alegram”. Quem ouviu a conversa dos gestores dos principais bancos nacionais no último “Prós e contras”, até parecia que estávamos a falar de organizações de solidariedade social. Lá foram os senhores administradores, ainda com os mesmos ordenados milionários de antes da crise, dizendo que os bancos estavam bem, que o aval do estado era apenas uma segurança para as transacções com os outros bancos, mas que em principio talvez não fosse necessária a utilização daquela garantia. Passadas duas semanas alguns desses senhores já colocam a hipótese de utilizar até 90% da garantia dada pelo estado português.
Será que os bancos vão pagar pela utilização do aval do estado o mesmo que eu enquanto cidadão pago por uma garantia bancária?
Depois vieram com a conversa dos depositantes, dos clientes num “mamar doce” que na prática se traduz em perfeitas “mafiosisses” para extorquir o máximo.
Como a que aconteceu com um colega meu que estava a construir um edifício e como não conseguiu utilizar todo o capital que tinha solicitado dentro do período estipulado, foi ao “seu” banco, e quando digo seu estou a falar do banco onde sempre foi cliente, onde tem os seus depósitos, através do qual tem feito os seus negócios, e solicitou uma prorrogação. Qual não foi o seu espanto quando reparou que a autorização vinha com um aumento de “spred” de 100%. Como tinha capital prontificou-se de imediato a pagar a parte já utilizada e a finalizar ali o contrato de financiamento o que fez recuar os responsáveis do banco.
Isto aconteceu com alguém com capacidades de reagir se fosse outra pessoa sem capital próprio teria de continuar o empréstimo, ou não concluía a obra, mesmo com o “spred” 100% mais caro.
São estes senhores que têm duas horas e meia de tempo de antena em horário nobre na televisão que todos nós pagamos, têm um aval do estado com o nosso dinheiro para aumentarem os seus lucros ao passo que o comum dos cidadãos que nem dinheiro tem para pagar a casa, não têm voz nem aval.


Saudações

O Viajante

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

“Tudo como dantes e nós a pagantes”



Tornei a ser surpreendido por uma nova notícia acerca da crise, que mais uma vez me deixa a pensar, até que ponto foi a perversão desta gente das instituições financeiras.
Fiquei a saber que os directores da AIG, uma empresa seguradora e de gestão de fundos que foi salva da falência pelo governo dos Estados Unidos com uma ajuda de vários milhões de dólares, ainda se mantêm no seu lugar a auferirem com certeza aqueles vencimentos, que todos fazemos ideia de quanto serão.
E porquê sei eu isto?
È porque esses senhores foram responder perante uma comissão de inquérito do Congresso, porque já depois da intervenção, foram fazer uma conferência de uma semana num hotel da Califórnia e gastaram a módica quantia de meio milhão de dólares.
Vários milhares foram gastos em Spa, massagens e cabeleireiro.
Mas eu entendo estes senhores as últimas semanas têm sido um sufoco muito stress e portanto spa e massagens seriam absolutamente necessários.
Como é que esta gente ainda está à frente da empresa?
Em Portugal a utilização de fundos públicos em proveito próprio é um crime chama-se peculato e na América não têm essa figura penal?
Ou isto de peculato é para funcionário que leva uma caixa de papel de fotocópias do serviço?
Quanto mais se analisam as situações mais se vão descobrindo as movimentações tendentes a deixar tudo como dantes. Como esta chantagem insuportável de que temos de salvar as instituições financeiras que até há pouco tempo tinham lucros fabulosos que naturalmente foram distribuídos pelos accionistas.
Porque não pagam os prejuízos agora esses senhores que receberam os lucros e salvam as suas empresas?
Porque raio deverá ser o dinheiro dos meus impostos a salvar o BCP que foi afundado por aqueles senhores muito bem falantes que por acaso são da “Opus dei”, que ainda hoje vão à televisão botar discurso, como se fossem pessoas de bem?
Temos que, de uma vez por todas, dar um sentido ético às relações sociais, estou farto de ver gente a bater com a mão no peito mas de coração vazio. Há que penalizar os que têm condutas que põem em causa os outros e o funcionamento da sociedade e louvar os que lutam pela manutenção do bem-estar social.
Como diriam os “Gato Fedorento”: “É claro que um gajo tem de se chatear”

Saudações


O Viajante

domingo, 12 de outubro de 2008

As causas remotas da crise




Ouvi uma das explicações mais claras sobre as raízes profundas desta crise financeira dada pelo presidente da Ibermoldes, Henrique Neto.
Segundo ele jovens financeiros vindos das universidades mais importantes dos Estados Unidos no inicio dos anos 80, verificaram que era mais rentável comprar empresas e vendê-las por partes do que pô-las a produzir. Este modelo económico criou algumas mega empresas do ramo, designado por fusões e aquisições, que deram aos seus gestores enorme poder.
Contudo segundo o entrevistado embora muito conhecedores em termos financeiros eram ignorantes no resto e esta mistura de poder e ignorância é normalmente explosiva.
Como era um modelo não produtivo que se limitava a predar as empresas existentes acabou por ficar esgotado antes de 2000. Daí que as mesmas escolas que formaram estes financeiros lançaram as novas teorias da desregulação do mercado e da globalização, o que permitiu a deslocalização das empresas produtivas e a manutenção deste modelo até aos nossos dias.
Por outras palavras este era um modelo de “terra queimada” e os seus mentores sabiam-no, desde as escolas que elaboraram as teorias até aos financeiros que as aplicaram na prática, daí que se tenham protegido quer em termos legais quer com ideminizações milionárias caso fossem despedidos.
Como se sentirão estes "génios" da finança? Em primeiro lugar ricos e depois inteligentes porque conseguiram enganar muita gente durante quase vinte anos.
Mas as lideranças a nivel mundial especialmente as do G8 não podem assobiar para o lado porque foram colaborantes com tudo isto. Impõe-se que haja ética em todos os aspectos da sociedade e o financeiro não pode ser excepção.
Saudações

O Viajante

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

A maldita crise


Estou a ficar farto de falar na crise económica em que os nossos amigos americanos nos mergulharam mas de facto, ao analisar bem a situação, fico constrangido pela forma quase infantil como o presidente e seus colaboradores, vem pedir ao seu povo e aos restantes países que os ajudem a superar a crise.
Estamos nós preocupados com as armas nucleares do Irão, com a intervenção russa na Geórgia ou com a guerra do Iraque, quando a administração dos Estados Unidos de conluío com este bando de especuladores desonestos, chamados pomposamente de bancos de investimento, faz deflagrar esta bomba de hidrogénio económica que poderá, ainda não sabemos, destruir a economia mundial, mas que para já, segundo a Onu, vai colocar a beira da fome durante este inverno cerca de 75 milhões de pessoas.
Estamos perante um crime contra a humanidade levado a cabo por pessoas sem escrúpulos e sem ética que pode, qual arma de destruição maciça, matar muita desta gente.
E que sinal estamos a dar a esses criminosos? Que podem continuar porque haverá sempre dinheiro dos contribuintes para os salvar e que quanto a penalizações, tudo como dantes, podem ficar com os milhões que sugaram.
E a nossa Europa meus senhores com o nosso mercado de 700 milhões de pessoas e talvez o bloco económico com o maior rendimento per capita do mundo, como é que as nossas instituições financeiras ficam com pneumonia só porque a América espirrou. Talvez porque os especuladores desonestos não estejam só nos bancos de investimento.
Naturalmente os banqueiros centrais, os semi-deuses da nossa economia, vão assobiar para o lado porque também têm as mãos sujas e tal como muitas vezes já aconteceu a culpa vai morrer solteira.

O pior vai ser se um dia nós dissermos: "não pagamos"
Saudações
O Viajante

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

O Fim da farsa


Ontem foi um fartar de rir ver os senhores deputados que costumam dizer com ar sério: “o nosso partido defende menos estado, melhor estado”, criticarem o ministro da economia pelo facto de ele não intervir na questão do preço dos combustíveis. Até houve um senhor deputado do PSD que disse que não podia ser a Galp nem o senhor Amorim a governarem o país. Ai Ai senhor deputado parece-me que o senhor já não vai constar da lista para as próximas legislativas, então esqueceu-se das doações para a campanha?
Mas ao que parece, tal como o comunismo, o neo-liberalismo já foi chão que deu uvas, mas como há grandes génios da economia envolvidos ninguém tem coragem de vir à boca de cena e dizer meus senhores de facto largamos fogo ao teatro. Estivemos a enganá-los com umas peças rascas acerca de umas teorias económicas fabricadas sob encomenda, naquelas importantes universidades norte americanas, para vos sacar mais uns tostões e também mais uns direitos sociais, mas como somos como o escorpião acabamos, devido à ganância, por picar a mão que nos quer salvar, mais uma vez pusemos o mudo inteiro num caos. Mas tal como das outras vezes contamos com vocês para nos salvarem.
Para tal vocês vão ter de ir buscar as vossas poupanças, pagar mais juros pelos vossos empréstimos bancários, receber menos salário, cederem mais uns quantos direitos sociais, trabalharem mais e até serem despedidos. Porque vocês entendem temos necessidades e precisamos recuperar rapidamente os nossos milhões.
De facto os estragos foram tão grandes que até no paraíso do neo-liberalismo o governo teve de nacionalizar empresas, financeiras claro, para impedir que elas fossem à falência.
Como diria o meu colega António privatizam-se o lucros e nacionalizam-se os prejuízos.
Depois disto, defender o neo-liberalismo económico é tão ridículo como defender o comunismo.



Saudações

O Viajante

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Quanto mais ainda teremos de pagar


Afinal quanto estamos a pagar por mês a este senhor para ele colocar a economia da zona euro de “pantanas”?
Pois é sr. Trichet, canta muito bem mas não me alegra. Depois dos fundamentalismos religiosos faltava agora o fundamentalismo financeiro. O senhor governador do BCE diz que prefere ter a economia europeia estagnada do que a inflação alta. Conversa de quem, aconteça o que acontecer, não será afectado no seu posto de trabalho, sem a mínima sensibilidade social e para quem os outros não passam de dados estatísticos.
Disse também o Sr. Trichet que seria de esperar que até ao fim do ano houvesse novo aumento das taxas de juro e não satisfeito com isso ainda pede contenção salarial. Claro que vai ter de subir as taxas, o euro está desvalorizar em relação ao dólar portanto há que manter a diferença para manter os depósitos nos bancos europeus, isto sou eu a falar porque sou má-língua.
Desde 2005 que o BCE tem vindo a subir o preço do dinheiro para evitar a subida da inflação sem grandes resultados práticos porque ela tem continuado a subir: 2.3 em 2006, 2.4 em 2007 e 3.6 em Abril de 2008. O conselho de governadores do BCE reconhece que a inflação é resultante do aumento dos combustíveis e bens alimentares. Estes bens têm uma procura pouco elástica porque nós precisamos de comida para sobrevivermos e combustíveis para ter energia também necessária à nossa sobrevivência, portanto seja qual for o preço temos de os comprar.
Todos sabemos que os manuais da economia falam na utilização do aumento das taxas juro como forma de combater a inflação mas não será com certeza a única forma e além disso vivemos numa sociedade de equilíbrios, talvez até os combustíveis e alimentos baixarem de preço ou a politica de produção de alimentos dentro da União fosse mudada, teríamos de viver com uma inflação de 4 ou 5% mas por amor de Deus temos um mercado de 700 milhões de pessoas, ou será que o mercado não resolve estas coisas também?

Estou definitivamente a ficar farto deste senhor.



Saudações


O Viajante

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

O rei vai nu


Antes das férias em troca de correspondência com um amigo levantei questão da subida das taxas de juro feita sistemáticamente pelo BCE para de acordo com os seus responsáveis combater a inflacção.
Tendo em conta que o aumento dos preços se deve sobretudo ao aumento dos combustíveis e das matérias primas, ou seja no caso da UE é uma inflacção importada, não estava a ver como a subida das taxas iria impedir esse aumento.
A subida das taxas de juro tem entre outros efeitos a diminuição do investimento das empresas, o aumenta o desemprego e o aumento dos gastos com a habitação.Os custos sociais graves que advêm destas medidas devem ser ponderados em função dos resultados que se esperam com a sua implementação, que na minha opinião serão nulos se não baixarem os custos dos combustíveis e das matérias primas.
Por isso fiquei surpreendido pelo facto de apenas o presidente da França e o primeiro ministro de Espanha terem criticado estas medidas. Nem o nosso governo nem os economistas da nossa praça vieram a público fazer algum comentário, que eu tenha ouvido.
Daí que teria ficado muito contente se de facto a situação não fosse trágica quando um antigo governador do Banco de Portugal disse de forma desassombrada que não entendia a actuação do Banco Central Europeu.
Ora até que enfim alguem gritou “O rei vai nu” . Estou a começar a ficar farto de uns quantos senhores que ninguem elegeu, controlarem a nossa vida sem poderem ser questionados, são os dirigentes dos bancos, das multinacionais, os especuladores da bolsa, decididamente temos de propor para o Nobel o homem que inventou o neo-liberalismo económico.
Enquanto escrevia estas linhas ocorreu-me outra razão para o aumentos das taxas de juros, talvez o BCE queira aumentar os depositos nos bancos da zona euro para eles poderem enfrentar os problemas resultantes da crise do “sub-prime”americano, ou seja eles metem água nós pagamos .

Saudações

O Viajante