Mostrar mensagens com a etiqueta Bombeiros. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Bombeiros. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 6 de abril de 2009

"O Triângulo da Vida"



Num dos últimos posts "a segurança começa em nós" falei de algumas medidas a tomar em caso de tremor de terra.
Dei algumas dicas sobre quais seriam os melhores lugares na nossa casa que em caso de desabamento do tecto nos pudessem dar mais hipoteses de sobrevivência.
As técnicas de busca, salvamento e primeiro socorro em caso de catástrofe ou acidente grave são processos dinâmicos que desde 1978, altura em que fiz o meu primero curso, até hoje, têm sofrido alterações de metodologias e procedimentos. Por isso nada está completamnete definido e todos os dias em resultado das experiências no terreno surgem técnicas que podem ser úteis.
Assim vou transcrever alguns conselhos de um especialista de seu nome Doug Coppcom, com muitas horas em locais de catástrofe que apresentou um novo conceito a que ele chamou “O Triângulo da Vida”
Segundo ele quando um prédio cai o peso do tecto cai sobre os objectos e móveis esmagando-os, porém fica sempre um espaço vazio em seu redor. A este espaço chamou “O Triângulo da Vida”. Quanto maior for o objecto mais pesado e mais resistente, menos se compactará e maior será o espaço do “Triângulo da Vida” e maiores serão as hipoteses de sobrevivência da pessoa que se deitou ao lado desse móvel ou objecto.
È muito melhor estar fora de um prédio do que dentro dele, porque quanto mais dentro do perímetro do prédio mais certo será que a sua saida esteja bloqueada, tornando a fuga mais difícil senão impossível.
Contudo se estivermos num edifício de varios pisos temos de ter em atenção que para além da proibição de utilização dos elevadores, que irão ficar parados com o corte de corrente que acontece nos sismos de grande magnitude, acontece outro fenómeno as escadas devido às tecnicas de contrução, têm diferentes “níveis de frequência”, e movem-se de forma diferente do resto do prédio dificultando bastante a evacuação dos moradores.
Assim durante o sismo e se não puder sair da sua casa ou local de trabalho tome em consideração o seguinte:
Não se coloque debaixo das vigas das portas deite-se ao seu lado escolha os cantos da casa
Não se coloque debaixo de objectos ou moveis, deite-se ao lado em posição fetal protegendo a cabeça e a cara com as mãos e os braços.
Se estiver na cama role para o lado e fique entre a cama e a parede na posição fetal protegendo a cabeça e cara com as mãos e os braços.
Se estiver na sala deite-se ao lado do sofá ou de um movel resistente na posição fetal protegendo a cabeça e cara com as mãos e os braços.
Se estiver no exterior e por qualquer razão não puder abandonar o local:
Não se coloque debaixo de viaturas ou paragens de transportes urbanos , deite-se ao lado em posição fetal protegendo a cabeça e a cara com as mãos e os braços
Desloque-se bem encostado à parede ou então a uma distância segura que o proteja da queda de algum elemento da fachada.
São mais alguns conselhos a juntar a outros de que já vos falei e que podem ser a diferença entre a vida e a morte. O trabalho dos que salvam é um trabalho sempre inacabado e vocês não fazem ideia da alegria que é salvar uma vida. Só assim se poderá entender imagens como as que vemos muitas vezes na televisão de equipas e populares a baterem palmas no meio da destruição só porque salvaram mais uma vida.




Saudações




O Viajante

segunda-feira, 16 de março de 2009

A segurança começa em nós VI


Hoje gostaria de falar sobre algumas medidas que poderemos tomar em nossa casa para que em situação de sismo as nossas possibilidades de sobrevivência aumentem.

Existe, como para todas as situações uma fase de planeamento a que eu vou chamar o antes.

Assim no antes vamos olhar para a nossa casa e vamos fazer o seguinte:
- Libertar as saídas e os corredores de móveis e outros objectos.- Fixar à parede as estantes ou móveis pesados, e outras peças decorativas
- Colocar os objectos mais pesados nas prateleiras mais baixas das estantes.
- Não localizar as camas perto de janelas ou debaixo de candeeiros. Cuidado com as imagens e quadros que colocamos na parede sobre a cabeceira da cama
- Dar instruções a toda a família sobre o que devem fazer nomeadamente desligar a electricidade, a água e o gás.
- Identificar com toda a família os locais mais seguros da casa, vãos de portas, de preferência em paredes mestras, cantos das divisões ou debaixo de mesas, camas ou outras superfícies resistentes
- Identificar também os locais mais perigosos, junto a janelas, próximo de espelhos ou chaminés, o centro das divisões e os elevadores
- Prepare e tenha sempre à mão um Kit de emergência constituído pelo menos por uma lanterna, rádio portátil, reserva de pilhas, estojo de primeiros socorros, medicamentos que sejam necessários e um extintor.
- Tenha sempre armazenados água e alimentos para 2 ou 3 dias, nomeadamente enlatados e bolachas.
- Não se esqueça que este Kit de emergência tem equipamentos que precisam de ser verificados de tempos a tempos como é o caso do extintor, do rádio ou da lanterna e outros que precisão de ser substituídos como é o caso do material de primeiros socorros, dos alimentos e da água.

Depois do planeamento passamos ao acontecimento ou seja ao durante. Se o sismo acontecer:

- A primeira atitude será manter a calma e procurar um dos locais mais seguros, ajoelhe-se e proteja a cabeça e os olhos com as mãos- Se estiver num bloco de apartamentos, não se precipite para as saídas, as escadas podem ficar congestionadas, mas se o fizer nunca utilize os elevadores

Acabou os sismo e passamos à fase do depois. Quais são as medidas urgentes a tomar:
- Conte com a existência de possíveis réplicas
- Não acenda fósforos nem isqueiros, pois pode haver fugas de gás
- Corte imediatamente o gás, a electricidade e a água.
- Observe se a sua casa sofreu danos graves. Saia imediatamente se não for segura. Nunca utilize os elevadores
- Vista calças, camisas de mangas compridas e calce sapatos fortes para evitar ferimentos- Cuidado com vidros partidos ou cabos de electricidade.
- Não toque em objectos metálicos que estejam em contacto com fios eléctricos
- Se houver pequenos incêndios extinga-os
- Limpe urgentemente derrames de tintas, pesticidas e outros materiais perigosos e inflamáveis
- Afaste-se das praias. Depois de um sismo pode produzir-se um tsunami (onda gigante)
- Solte os animais, eles tratam de si próprios
- Se houver feridos, ajude-os, se souber. Mas cuidado, não trate de remover feridos com fracturas, a não ser que haja perigo de incêndio, inundação ou derrocada.
- Ligue o rádio e fique atento às recomendações difundidas pela protecção civil.


Saudações


O Viajante

domingo, 15 de março de 2009

Bombeiros adivinhos


Estava um dia quente de Verão e depois de algumas horas a combater um pequeno incêndio florestal nos limites do conselho dirigíamo-nos para o quartel para um merecido descanso.
Já na estrada nacional demos conta que grandes rolos de fumo se elevavam junto a uns pinhais do lado oposto.
Informamos a central de comunicações que íamos para o local e confirmamos quando lá chegamos a existência de outro incêndio.
Entretanto um homem com ar de camponês pára a sua carrinha de caixa aberta e entra em passo acelerado dentro do quartel:
- Ó senhor! Ó senhor! E para dizer que há um fogo numas” propredades” minhas pertinho dos Casais Brancos.
Para o acalmar o quarteleiro de serviço disse-lhe:
- Não fique preocupado que os bombeiros já foram para lá.
Com um ar de quem estava perante um facto quase do outro mundo, o homem esbugalhou os olhos, o seu rosto fez uma careta de espanto e repetiu baixinho, talvez com medo de acordar as forças do mundo dos espíritos:
- Já foram “per” lá
É, de facto nós fomos muito rápidos, quem sabe tínhamos capacidades premonitórias, julgou ele claro.
saudações
O Viajante


quinta-feira, 12 de março de 2009

A segurança começa em nós V


Pois é, de facto este post já esteve publicado mas como não fui a tempo de cumprir os procedimentos, bum!! explodiu(estou a brincar claro).

A explosão é a mais perigosa forma de manifestação do fogo. Resulta da inflamação quase instantanea de uma mistura de um combustível (normalmente gás) com o ar, provocado por uma fonte de ignição, um fósforo, uma faísca de um equipamento eléctrico ou até de um interruptor.

Poderá não provocar um incêndio mas a onda de choque que resulta da explosão danifica edificios e mata os seus habitantes devido à destruição de orgãos internos como os pulmões ou o estomago.

Em nossas casas estas situações poderão resultar da avaria de fogões, aquecedores ou esquentadores, ou por não cumprirmos as normas de segurança.
Sempre que se aperceba do cheiro característico que denuncia a fuga de gás adopte os seguintes procedimentos de segurança:

1. Se o comando para desligar energia eléctrica estiver no exterior deverá ser desligado;
2. Feche as válvulas de segurança do contador ou na botija do gás;
3. Ventile a casa, abrindo portas e janelas ;
2. Não fume, não faça lume e apague quaisquer chamas;
3. Não provoque faíscas ou incandescência de qualquer material;
4. Se não puder desligar luz não accione interruptores. nem ligue ou desligue os aparelhos eléctricos;
6. Se a fuga for na garrafa remova-a para o exterior;
7. Se não conseguir parar a fuga saia para o exterior e chame, de imediato, os Bombeiros ou os técnicos especialistas em gás da sua área;
Saudações
O Viajante

domingo, 8 de março de 2009

A segurança começa em nós IV


Aula prática de extintores - Funcionários da Vice-Presidência do Governo Regional dos Açores



Um extintor de incêndio poderá ser de facto a diferença entre um pequeno incidente e o desastre completo. Considero indispensável tanto em nossa casa como no nosso carro a existência de pelo menos um equipamento desse tipo.
Existem, como já disse, extintores de vários tamanhos e portanto com várias quantidades de agente extintor. Os extintores de pó químico são os mais baratos e também os mais utilizados Para a vossa viatura eu proponho um extintor de 1 kg e em casa 2kg. Estamos a falar em custos entre 20 e 30 €, valor bastante baixo para o que podemos proteger com ele. Os extintores de “neve carbónica” ou CO2 são mais pesados e mais caros, muito eficazes dentro de casa, menos ao ar livre se estiver vento. Apesar do pó químico ser eficaz em equipamentos eléctricos e de informática a “neve carbónica” é recomendada porque causa menos estragos. Em nossa casa o extintor deverá estár à vista em lugar desempedido(existem extintores que são usados como cabide ou escondidos por detrás de algum móvel) e na minha opinião devem ser colocados na divisão da casa com mais riscos de incêndio, a cozinha. Não na chaminé ao pé do fogão mas junto à porta de ligação com as restantes divisões, para reparamos nele quando formos a fugir do incêndio que está a acontecer no fogão.
Existem ainda dois aspectos importantes a considerar: o extintor mesmo que não tenha sido utilizado deverá receber manutenção pelo menos uma vez por ano para termos a certeza que funciona sempre e a formação de todos os habitantes da casa na sua utilização é indispensável para que as coisas resultem. Contactem o Corpo de Bombeiros da vossa terra eles com certeza arranjaram mais um tempinho para vos ensinarem a utilizar o extintor. No entanto para adiantar tempo aí vão as dicas.
Procedimentos para utilização de um extintor
1.Devem ser colocados em locais bem visíveis e em locais de acesso fácil;
2.Devem estar carregados e prontos a funcionar;
3.O operador deve ler, previamente, as instruções de funcionamento, que estão impressas no extintor;



4. Transporte o extintor na posição vertical, segurando no manípulo;
5. A cerca de três metros do fogo Retire o selo ou cavilha de segurança;e experimente o extintor para ver se está a funcionar 6. Sumultaneamente pressione a alavanca e avance cautelosamente para o fogo apontando o jacto para a base das chamas e fazendo movimentos de varrimento da direita para a esquerda e vice-versa
Não se esqueça ainda que deve:
Aproximar-se do foco de incêndio, cautelosamente.
Avançar apenas quando estiver certo que o fogo não o envolverá pelas costas
Quando tiver de actuar, ao ar livre, verifique se tem o vento pelas suas costas






Saudações

O Viajante

terça-feira, 3 de março de 2009

A segurança começa em nós III




Hoje em dia são vários os produtos para extinguir o fogo que temos no mercado. Para além da água existem a espuma que resulta da mistura de determinados produtos químicos com a água e que servem para apagar incêndios em combustíveis líquidos como a gasolina ou em caves, onde por razões de segurança os bombeiros não possam entrar.
Os pós químicos que são produtos que extinguem o fogo normalmente por abafamento e por ultimo o anidrido carbónico também conhecido por Co2 ou “neve carbónica”, um gás que também actua por abafamento mas que devido a alta pressão em que se encontra quando é atirado sobre o fogo saí a uma temperatura muito baixa e em forma de flocos de neve baixando por consequência a temperatura do fogo.
Estes dois últimos produtos são vendidos em contentores cilíndricos de cor vermelha chamados “Extintores” que estamos habituados a ver em edifícios que recebem público e empresas.
A existência de um equipamento desses em nossa casa poderá significar a diferença entre um prejuízo de algumas dezenas de euros e a destruição completa do recheio e até da própria casa.
Embora existam também de água pulverizada, o pó químico ou a “neve carbónica” serão os extintores ideais para termos em nossa casa. Podem ser usados sem restrições em qualquer tipo de incêndio que possa eclodir. Existem extintores de várias dimensões e portanto com diferentes quantidades dos agentes extintores e claro a preços diferentes.
No próximo post direi mais coisas sobre estes equipamentos.
A IdoMind uma amiga blogger “activista da segurança” e que pertence ou pelo menos colabora com a Cruz Vermelha pediu-me para publicitar um pedido da Cruz Vermelha Internacional:
As equipas de socorro perceberam que em quase todos os acidentes de viação, os feridos têm um telemóvel consigo.·Para que em caso de acidente seja possível contactar alguém da nossa família o mais rapidamente possível devemos acrescentar na nossa lista de contactos o numero da pessoa a contactar em caso de emergência. Tal deverá ser feito da seguinte forma: “AA Emergência” (as letras AA são para que apareça sempre este contacto em primeiro lugar na lista de contactos).
A utilidade desta medida é indiscutível, portanto mãos à obra.

Saudações


O Viajante

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

A segurança começa em nós II







"Se te conheceres mas não conheceres o teu adversário, em cem batalhas só vencerás cinquenta”



Na sequência do post que coloquei no outro dia sobre a segurança hoje irei falar de um assunto mais técnico que vou tentar que não seja aborrecido.
Lembrando a frase sobre a importância de conhecermos os nossos adversários, gostaria de falar sobre um presença assídua em nossa casa. Normalmente bem comportado mas que quando põe as garras de fora pode destruir em poucos minutos o trabalho de uma vida ou até a própria vida. Estou a falar do fogo.
O fogo como a respiração ou a ferrugem é uma reacção química, que tem uma particularidade importante, liberta calor.
Esta reacção química, que tem o nome técnico de combustão, para acontecer precisa da presença de três elementos o chamado “Triângulo do Fogo”:
O combustível – o que arde
O Oxigénio – o que ajuda a combustão
O calor – o que inicia a combustão
Depois de se libertar de controlo, o fogo passa a ser um “incêndio” e para o dominarmos temos de o ver como se fosse um ser vivo já que ele respira, alimenta-se e desloca-se.
Tendo em conta que ele alimenta-se do combustível, precisa do oxigénio para respirar e do calor para se propagar, as formas de o dominarmos passam pela supressão de um ou dois dos elementos que fazem parte do “Triângulo de Fogo”, existindo assim três técnicas de extinção do fogo:
Por carência – retirar o combustível
Ex: fechar o gás perante um incêndio no fogão
Por abafamento – retirar o oxigénio
Ex: colocar um cobertor sobre uma pessoa com roupas em chamas
Por arrefecimento – retirar o calor
Ex: deitar água sobre uma fogueira.
Um dos incidentes mais vulgares na nossa cozinha é a inflamação do óleo na frigideira. Embora não seja um combustível perigoso, como a gasolina, o óleo alimentar liberta grande quantidade de calor quando se inflama. Assim perante esta emergência os procedimentos deverão ser os seguintes:
1. Desligue o gás
2. Não utilize água directamente sobre as chamas já que vai provocar o derrame do óleo, espalhar o fogo e pode provocar queimaduras graves
3. Arranje uma tampa de panela que tenha um diâmetro maior do que a frigideira e coloque sobre a frigideira. Mantenha a frigideira tapada por alguns minutos até a temperatura do óleo baixar
4. Se não tiver uma tampa use uma tolha mas antes molhe bem a toalha no lava-louça, escorra a água que tiver a mais, dobre-a ao meio e coloque sobre a frigideira. Mantenha a toalha sobre a frigideira durante alguns minutos para o oleo arrefecer
Saudações

O Viajante




segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Bombeiros da nossa terra

(Equipa de Salvamento de Grande Angulo do CB Peniche)


Nos comentários que fez ao meu post “A segurança começa em nós” a amiga blogger Shin Tau colocou algumas questões sobre o salvamento das pessoas de dentro casas em chamas ou sobre o estado de espírito dessas pessoas.
Quando vejo o filme “Mar de Chamas” com todos aqueles incêndios espectaculares, dou graças a Deus pelo facto de felizmente, tanto para os bombeiros como para as vítimas, na esmagadora maioria das vezes, as coisas não acontecerem assim.
Nas pequenas localidades com edifícios de pouca altura e pequenas superfícies tanto industriais como comerciais, os incêndios de grande dimensão são em número reduzido.
Outra coisa que sucede nos meios pequenos é que nós conhecemos os vizinhos sabemos se estão em casa ou não, se estão doentes ou se são idosos. Normalmente quando os bombeiros chegavam ao local os moradores já tinham saído da casa, pelos seus meios ou ajudados pelos vizinhos. Que eu me lembre apenas duas vezes tivemos de tirar pessoas dentro de um edifício, sempre mãe e filhos, nunca por causa das chamas, sempre por causa do fumo.
Mas se as vítimas mortais dos incêndios foram pouco mais de vinte, as provocados por acidentes rodoviários ou de trabalho e acidentes no mar foram muito superiores.
Aí houve situações em que de facto sentimos que fizemos a diferença, conseguimos salvar vidas. Aliás dois elementos do meu Corpo de Bombeiros o Rui e o Zé Tó, receberam o prémio de “Bombeiro do Ano” pelo facto de apesar das condições dificílimas terem entrado por mar dentro com um bote de borracha e terem salvo dois surfistas que já não conseguiam chegar à costa.
A esmagadora maioria dos bombeiros em Portugal são voluntários ou seja dão algum do seu tempo livre para aprenderem, prestarem serviço no quartel e sempre que a sirene toque, (sim porque embora nas grandes cidades já não haja, nas pequenas os bombeiros são chamados ao quartel sempre que necessário a qualquer hora do dia ou da noite por uma sirene) acorrerem a salvar quem precisa.
O stress emocional e o facto de ao longo do tempo de serviço assumirem o pouco do karma daquelas pessoas, que ao seu lado sofrem entre a vida e a morte, transformam a alma de qualquer um, dão-lhe uma perspectiva mais precisa de quão atentos devemos estar ao Caminho e aos outros.
Durante os meus mais de vinte e cinco anos de serviço o Corpo de Bombeiros de Peniche perdeu dois bombeiros por acidente, o Leiria, electricista de profissão e a Amélia, doméstica e mãe, iam a caminho do incêndio e nunca chegaram lá.
Pois é o regulamento tem destas coisas, diz que temos de ir mas não diz nada em relação ao voltar.
Saudações
O Viajante

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

A segurança começa em nós I

Como fui bombeiro durante mais de 25 anos achei que poderia transmitir alguns conhecimentos nesta área que fossem úteis a todos os que passam por este blog. Por isso de tempos a tempos vou colocar um post com a indicação das atitudes a tomar perante situações que envolvam riscos diversos, nomeadamente o fogo.
Para já diria que os locais onde ocorrem os sinistros são muito perigosos pelo que o facto de actuarmos de acordo com as normas não nos coloca automaticamente fora de perigo, poderão existir outros factores que não estamos a ver ou que desconhecemos.
Hoje vou deixar algumas regras práticas que poderão utilizar caso sejam surpreendidos pelo fogo dentro de um edifício:

1. Procure sair do edifício rapidamente
2. Utilize os caminhos de evacuação assinalados e as saídas de emergência
3. Nunca utilize os elevadores desça pelas escadas, os elevadores podem parar e as pessoas no seu interior poderão morrer asfixiadas
4. Se houver muito fumo e calor procure deslocar-se o mais próximo possível do solo até uma porta ou janela, o ar junto ao chão é mais fresco e tem mais oxigénio
5. Se chegar a uma porta apalpe as ferragens se estiverem quentes não abra.
6. Se chegar a uma janela chame a atenção de alguém na rua, gritando ou até atirando algum objecto, mantenha a calma e aguarde que o salvem
7. Se a sua roupa começar a arder, não corra, deite-se no chão, proteja a cara com as mãos e role para a esquerda e para a direita até apagar as chamas.
Como o saber não ocupa lugar espero que este primeiro post tenha despertado a curiosidade para os próximos.



Saudações

O Viajante

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Natureza em chamas


Os que combatem fogos florestais sabem que os três factores determinantes são: o combustível, o terreno e a meteorologia.
Se estamos perante uma região de vegetação rasteira e árvores de pequeno porte, combustível ligeiro, o incêndio propaga-se mais rapidamente porque o combustível arde com mais facilidade. Se estamos perante grandes florestas de árvores adultas, combustível pesado, a velocidade de propagação do fogo é manifestamente inferior.
Se o terreno for irregular com elevações o fogo ganha velocidade quando sobe encostas porque o combustível vai sendo pré-aquecido e perde velocidade quando as desce. Por outro lado o ataque em terreno irregular é muito mais complicado pela dificuldade em fazer chegar meios pesados de ataque aos locais. Assim foi em Portugal durante os anos 1975/85 em que em vários incêndios na Guarda os bombeiros tinham que andar mais de meia hora a pé para chegarem aos focos de incêndio.
Por último o terceiro factor que influencia este tipo de sinistros a meteorologia, nomeadamente através da temperatura ambiente, da humidade relativa do ar e da velocidade do vento.
A conjugação de forma explosiva destes factores, o combustível, o terreno e a meteorologia, na Austrália causaram uma tragédia sem precedentes com perdas avultadas em vidas, quase trezentas até agora, e materiais, com centenas de milhares de hectares de florestas plantações e até cidades completamente incineradas pelas chamas.
Temperaturas de mais de 45º com valores de humidade relativa próxima do zero com ou sem ajuda humana desencadearam em pouco tempo no estado de Vitória dezenas de incêndios o maior dos quais a 80 km ao norte de Melbourne, destruiu uma extensão de 1.400 hectares, avançou através de 30 km, destruiu cerca de cem casas das pequenas localidades e matou pelo menos 25 pessoas.
Como foi possível ter morrido tanta gente, inclusive alguns dentro dos carros em que tentavam fugir? Isto parecerá surreal para muitos, o fogo a deslocar-se com maior rapidez que um automóvel.
Mesmo que antes do início do incêndio não haja vento quando um incêndio atinge as dimensões daquele ao norte de Melburne as correntes de convecção criadas pelo próprio fogo geram as chamadas “tempestades de fogo” com ventos, que sem grande dificuldade, atingem velocidades superiores a 80Km por hora. Dizem as autoridades que houve progressões de 35 m/s, ou seja houve alturas em que o incêndio se propagou a cerca de 120Km por hora, o que tornou impossível qualquer fuga para pessoas que o avistaram a 10 ou 15Km de distância.
Provocados ou não pelas alterações climáticas planetárias o facto é que apesar do equipamento sofisticado, nomeadamente helicópteros e aviões e milhares de bombeiros experientes e bem equipados, o homem falhou redondamente ao enfrentar a natureza. Cada vez mais temos que ter consciência a que não somos donos do planeta mas apenas “hospedes” e como tal teremos de mudar a atitude arrogante de julgar que a nossa tecnologia resolve tudo porque ela já há muito que deixou de ser parte da solução e começou a ser parte do problema.
Quero deixar aqui uma palavra de solidariedade a todos os que perderam entes queridos nesta tragédia e também enviar um abraço aos bombeiros que apesar das condições dificílimas combateram o fogo e salvaram vidas.

"Vida por vida"(lema dos bombeiros portugueses)


Saudações


O viajante

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Os bombeiros nunca chegam a tempo











Ao fim de 25 anos de serviço nos Bombeiros e centenas de intervenções só me recordo de duas situações em que a pessoa que pediu o socorro disse à nossa chegada que tínhamos vindo rapidamente.
Eu sei que para quem tem um familiar em risco e aguarda durante dez ou quinze minutos por uma ambulância ou quem tem a sua casa em chamas e aguarda durante vinte minutos a chegada de uma viatura de incêndio, parece uma eternidade. Por isso temos de ter presença de espírito para ouvir as críticas e entender o desespero das pessoas.
Claro que os elementos dos bombeiros também têm as suas características de personalidade que podem, por falta de experiência ou até algum nervosismo, provocar conflitos, que numa situação de sinistro são de todo de evitar.
José Alexandre, mais conhecido pelo “Zé Barra” praticamente “nasceu” nos bombeiros. Bombeiro de segunda geração filho de outro José Alexandre que foi para mim uma referência quando entrei para os bombeiros em 1977. Tal como o seu pai o “Zé Barra” dizia o que pensava e punha por vezes muita emoção nas discussões especialmente sobre bombeiros, dava a ideia que “fervia em pouca água”.
Um dia de madrugada a sirene tocou, era um incêndio na vila de Ferrel uma localidade do nosso concelho.
A situação era complicada, um incêndio numa garagem na parte debaixo da casa impedia uma senhora grávida e duas crianças que se encontram no primeiro piso, de sair do edifício.
O Zé saiu a chefiar a primeira viatura e ao que parece quando chegou ao local o dono da casa, que se encontrava no exterior, chamou-lhe a ele e à guarnição todos os nomes de que se lembrou porque tinham demorado muito tempo a chegar.
Aí o Zé superou-se, manteve a calma e agiu como bom operacional que era. Avaliou a situação e de imediato com a sua guarnição procedeu ao salvamento das pessoas e à extinção do incêndio, não dando sequer atenção aos insultos. Quando cheguei ao local a situação estava praticamente resolvida.
Nesse dia à tarde o dono da casa foi ao quartel pedir desculpa e o Zé disse-lhe que não tinha que pedir desculpa que compreendia que ele estava numa situação difícil daí ter dito tudo aquilo.
Boa Zé nesse dia, se eu ainda alguma dúvida tivesse, convenceste-me que a herança do José Alexandre pai estava bem entregue.

Um abraço


Saudações

O Viajante

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Que avance a marinha


As vezes nos incêndios, talvez porque o ambiente seja de risco e tensão, acontecem pequenas coisas que ajudam a descomprimir, como esta que aconteceu num incêndio florestal perto de Alcobaça.
Este o incêndio, localizado no sopé da serra dos Cadeeiros, começava a ameaçar algumas povoações pelo que foi enviada uma coluna de reforço constituida por pessoal dos bombeiros de Peniche Caldas da Rainha e Nazaré, para ajudar os nossos colegas de Alcobaça.
Estavamos a atacar uma frente de incêndio e junto a nós o comandante de combate, o saudoso comandante Leão de Alcobaça, ponderava com o seu adjunto a hipotese de pedir ao Corpo de Bombeiros da Marinha Grande que nos viesse ajudar.
A determinada altura voltou-se para o seu motorista e disse-lhe:
É pá fala aí para a central para eles pedirem à Marinha para avançar.
Ao meu lado um bombeiro da Nazaré volta-se para mim com um ar indignado e comenta no seu sotaque característico:
Ah! Subchefe já viu aquilo daquele “home” en vez de chamar a aviação vai chamar a Marinha!!!
Gargalhada geral, mas de facto passado meia hora, a Marinha chegou, a Marinha Grande claro.
Saudações
O Viajante

sábado, 20 de setembro de 2008

Vida Por Vida


Heróis não são aqueles que realizaram obras notáveis. Mas os que fizeram o que foi necessário
e assumiram as consequências dos seus actos.



Um dia estava eu no quartel de bombeiros em Peniche quando uns pais angustiados vieram pedir ajuda. A sua filha estava mal psicologicamente, tinha desaparecido de casa e eles tinha receio que ela se suicidasse.
Peniche é uma península com boas praias mas tambem com muitas falésias que as pessoas com problemas aproveitam para desistir da vida.
Juntámos uma equipa e resolvemos começar na zona norte junto à estrada marginal em frente à Papoa.
Mal chegamos ao local recebemos logo más noticias, alguém tinha visto a moça atirar-se da falésia.
Este tipo de situações é muito frustrante para quem pretende salvar porque as hipoteses da pessoa estar viva são extremamente diminutas e portanto a partir daí o objectivo é recuperar o corpo para o entregar à família.
Na equipa ia um bombeiro de seu nome Fernando Malheiros , carpinteiro naval de profissão e pescador experiente que conhecia todos os acessos e possíveis lugares daquela falésia onde a nossa vítima poderia estar, isto claro se não tivesse atingido o mar. Depois de verificados todos esses lugares sem resultados, acabamos por parar a busca partindo do princípio que a vítima teria de facto caído ao mar e se tinha afogado.
Quando iamos de regresso ao quartel o Fernando volta-se para mim e diz: Hoje de madrugada quando a maré estiver baixa volto cá com outra equipa. E de facto nessa noite a equipa do Fernando descobriu a vítima numa caverna não acessível durante o período das primeiras buscas. Estava em hipotermia e tinha uma fractura numa das pernas, mas estava viva. Foi de imediato levada ao hospital . Se não tivesse sido o Fernando a tomar a decisão de voltar naquela noite, a moça teria com certeza morrido.
Mais tarde em conversa com ele perguntei-lhe como seria que ela tinha conseguido chegar à gruta com a perna fracturada e ele respondeu de uma forma simples mas profunda, de quem conhece e respeita: foi o mar que a devolveu.

Um abraço de Vida Por Vida ao Fernando
Como diz o Talmud o livro sagrado dos judeus "Aquele salva uma vida salva todo o mundo"

Saudações

O Viajante

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Bombeiros Voluntários II



Foto de estação de bombeiros na Austria


Recordo-me de muitas conversas sobre bombeiros em que os nossos amigos mais “progressistas “, defendiam que isto de bombeiros voluntários era uma característica muito portuguesa muito terceiro mundista e que resultava do estado não querer ou não ter capacidade para assegurar a protecção das populações, até porque nos países mais desenvolvidos tal situação não se colocava.
De facto este movimento de voluntariado a nível dos bombeiros em Portugal já vem desde o século XIX e tem resultado de iniciativas da sociedade civil com a criação de associações humanitárias em quase todo o país que estão próximo das 500.
Mas ao contrário do que muita gente pensava este movimento não é exclusivamente português nem tão pouco terceiro mundista.
Com excepção do Reino Unido onde de facto existem muito poucos bombeiros voluntários na verdadeira acessão do termo, nos restantes países da União Europeia o voluntariado nos bombeiros é levado muito a sério.
Na Alemanha existem mais de um milhão de bombeiros voluntários para apenas 27 mil profissionais. O governo faz campanhas para o recrutamento de voluntários existindo até um manual sobre o assunto.
Na Austria só existem 6 Corpos de Bombeiros profissionais em Vienna, Graz, Innsbruck, Klagenfurt, Salzburg and Linz. Em 2007 4.527 Corpos de Bombeiros Voluntários com cerca de 320 mil homens e mulheres constituiam a espinha dorsal do serviço de socorro na Austria.
A Belgica dispõe de 17 mil bombeiros sendo 5 mil profissionais e 12 mil voluntários, a Holanda dispõe de 26 mil bombeiros 22 mil dos quais voluntários e a França conta com 240 mil bombeiros dos quais 207 mil voluntários, 27 mil profissionais e 9 mil sapadores bombeiros militares.
Portanto o voluntariado nos bombeiros europeus é algo acarinhado e apoiado pelos governos que veem de facto que “O voluntariado nos Bombeiros representa uma forma das pessoas se empenharem na missão suprema de defesa de vidas e bens, o mesmo é dizer, exercerem uma cidadania activa e responsável, alicerçada nos valores da solidariedade, da partilha, do trabalho de equipa e da disciplina funcional”.(Ano Nacional do Voluntariado nos Bombeiros in site LBP).
Como qualquer atitude humana esta doação altruista em favor dos outros merece e deve ser reconhecida e recordada sempre.



Saudações



O Viajante