domingo, 18 de abril de 2010

O tigre de papel




Caros amigos todos vocês que passam o dia a entronizar os deuses da era moderna, a tecnologia, o mercado e sei lá que mais, já repararam quão arrogantes e ao mesmo tempo quão patéticos são? No meio do mar, numa pequena ilha, a natureza deu um "espirro" e todo o continente europeu praticamente parou.
Em menos de dois dias foi o caos. Gente pelos aeroportos sem saber quando regressava a casa, produtos em todas as partes do mundo que não são entregues com elevados prejuízos.
Se a situação se mantiver até ao verão tudo o que seja movimentação turística será gravemente afectada com os prejuízos evidentes para a zonas turísticas do planeta, normalmente situadas em países menos ricos, e para todo o sistema ligado a este tipo de indústria. Por outro lado a Europa vai ter dificuldade em receber produtos, muitos deles alimentares, e perecíveis , porque os voos vão estar em grande maioria cancelados. O tráfego de longo curso por estrada vai aumentar com prejuízo para o ambiente. Ou seja estamos a caminhar para mais uma crise económica à escala global.
O suporte da nossa "felicidade", a economia, (o dinheiro é que faz andar o mundo) com todo o seu aparente poder tem na sabedoria oriental uma imagem que define a sua realidade, não passa de um "tigre de papel" e quanto mais cedo nos apercebermos disso melhor. Este vulcão que entrou em actividade não é o único na Europa, se os nossos sistemas ficam inoperantes perante um facto deste tipo, então todo o esquema económico está errado. Esta não será a última crise mas devia ser suficiente para alertar os responsáveis de que a globalização já acabou. Apostar em tecnologia de ponta é uma miragem para a esmagadora maioria dos países. e como tal há politicas estratégicas que urge mudar. Por exemplo deixar nas mãos de outros o que comemos talvez não seja uma boa ideia porque poderá chegar o dia em que apesar de todos os euros que possam ter os europeus não vão ter quem lhes venda a comida de que necessitam.

Saudações

O Viajante

domingo, 4 de abril de 2010

Quem desconhece a história está condenado a repeti-la


Gostaria de perguntar a alguns dos nossos políticos se por acaso sabem o que foi o “integralismo lusitano”. Gostaria de perguntar a alguns dos nossos políticos se por acaso sabem alguma coisa sobre a Primeira República, a forma como funcionou ou as razões pelas quais caiu.
Só uma ignorância histórica pode fazer com que os eleitos pelo povo se comportem como alguns políticos da nossa praça o fazem.
A mentira sistemática e descarada, o enriquecimento à custa dos lugares políticos e a corrupção de muitos dos que nos representam, têm afastado os cidadãos das urnas, dando cada vez mais voz aos saudosistas da ordem e da autoridade.
Poderão dizer que as coisas são diferentes, agora estamos na União Europeia. Eu responderei que como todas as criações do homem tal como começou também vai acabar e tendo em conta a sua base económica se acontecerem em curto espaço de tempo mais uma ou duas crises iguais à actual então será cada um por si.
Talvez nessa altura surja mais um “Salvador da Pátria” que nos ponha na ordem por mais quarenta anos mas isso digo eu que sou má-língua.

Saudações

O Viajante

quarta-feira, 31 de março de 2010

Mas as crianças Senhor...



Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!...
Porque padecem assim?!...

(Balada da neve – Augusto Gil)

Tenho alguma dificuldade em entender que raio de sentimento distorcido leva determinada pessoa a abusar sexualmente de uma criança. Contudo é um facto que assim acontece. Na família, na escola nas organizações de juventude eles lá estão. Claro onde estariam os predadores senão perto das vitimas. O aspecto mais insidioso deste ataque aos mais fracos é que é levado a cabo na esmagadora maioria das vezes por aqueles que os deveriam proteger.
Daí que como cristão não entenda a posição que o Vaticano teve ao longo dos anos em que foi detectando os abusos que foram surgindo dentro da igreja, protegendo os criminosos e ameaçando as vitimas de excomunhão, caso tornassem públicas estas situações. Para proteger a organização sacrificam-se os inocentes, decididamente esta é cada vez menos a igreja onde fui baptizado. Onde é que ficou o apelo de Jesus "deixai vir a mim as crianças porque delas é o reino dos céus"?
Hipócritas, clamam que defendem a vida mas são incapazes de defender os vivos, não passam de “túmulos caiados: formosos por fora, mas por dentro, cheios de ossos de mortos e de toda a espécie de imundície». (Mateus, vs: 23, 27-28. )


Saudações


O Viajante

segunda-feira, 15 de março de 2010

O triunfo dos porcos


Ao que parece no reino do capitalismo as coisas estão a voltar ao normal. Os directores dos maiores bancos continuam nos seus lugares, as agências de ratting que colaborando no esquema deram o JP Morgan e outros bancos que faliram como de confiança, continuam a ser ouvidas e os comentadores de economia que na véspera do crash da bolsa recomendavam a compra de acções, continuam a ter programas de grande audiência e até se dão a luxo de criticar Obama, porque a regulamentação que ele está a impor dificulta os mercados.
Segundo uma congressista norte americana entrevistada no Daily Show, os presidentes dos maiores bancos já se esqueceram que foram os contribuintes americanos que pagaram a manutenção dos seus bem remunerados postos de trabalho, aliás eles acham que estas crises acontecem de cinco em cinco anos e como tal estão de consciência tranquila.
Depois do assalto à economia falta agora a política. Estamos a assistir à contagem decrescente para a saída de Obama, já com algumas dificuldades em unir os que o apoiaram, resta saber como irá ele sair. Quando tal acontecer os homens do capital irão colocar alguém da sua confiança que lhes torne a dar as condições de antes da crise e nessa altura a vitória será completa. Volta Karl Marx que estás perdoado.
E eu a pensar que os piratas estavam na Somália!

Saudações

O Viajante

sábado, 13 de março de 2010

Portugal país de emigrantes



Nestes últimos tempos tenho sentido uma forte vontade de emigrar, talvez influenciado pelo Vítor Constâncio. O homem que depois de ter apelado ao aumento de impostos e congelamento de salários, o homem que teve falhas graves na supervisão do mercado financeiro português, é premiado assumindo o cargo de Vice-Governador do BCE com um aumento um pouco acima da inflação, 17%, passando dos míseros 18 mil euros que auferia por cá para 21 mil.
De imediato uma onda de hipocrisia passou por todos aqueles que o criticaram. Com o despudor que tem assolado a nossa classe política, muitos vieram a terreiro congratularem-se por esta nomeação de mais um português para um alto cargo europeu, talvez contentes de o verem pelas costas. De imediato apontaram um substituto que será uma espécie de D. Sebastião: tecnicamente competente, independente e que não sofra influências, qual super homem de Nietzsche. Também segundo eles deverá ser uma pessoa que defina(?) politicas económicas correctas, para este tempo de crise. Mas eu pensava que quem definia as politicas, económicas ou outras, para o país era o governo! Mais um que ninguém elege a mandar na nossa vida, afinal que democracia é esta?

Saudações

O Viajante

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Toronto e a neve


Como podem ver pela foto junta estou no meio da neve, o que seria muito difícil acontecer na minha ilha. Como a Seeker vai ter o seu aniversário no próximo dia 10, metemo-nos no avião, atravessámos o Atlântico e aterrámos no novo mundo. O calor e o carinho da recepção dispensada pela nossa família fez-nos facilmente esquecer os quatro graus negativos com que a cidade de Toronto nos recebeu. Já tivemos um vislumbre do programa das festas que conta entre outras coisas com uma viagem a Niagara Falls, uma visita ao museu da cidade, um midnight bowling e claro as sempre omnipresentes expedições de compras nos vários centros comerciais da cidade.
Hoje apesar do jet-leg e ainda com quatro graus negativos ja demos um passeio. Amanhã será a visita ao ˝ROM˝ Royal Toronto Museum e à noite um sensacional bowling, o meu primeiro.


Saudações

O Viajante


domingo, 20 de dezembro de 2009

Ora explique lá Senhor Doutor





O governo para fazer face à escassez crónica de médicos no nosso país, resolveu abrir mais uma escola de medicina. O senhor bastonário da Ordem dos Médicos veio a terreiro defender que de acordo com dados internacionais um país moderno deve ter uma faculdade de medicina para cada dois milhões e meio de habitantes. Portanto para nós serão suficientes cinco.
Ao que parece com a última a ser inaugurada ficamos com oito o que daqui a dez anos segundo o mesmo bastonário poderá levar a que os médicos saiam das faculdades e não tenham emprego.
Depois, na sequência deste comentário do Dr. Pedro Nunes, no dia 20, os telejornais transmitiram o juramento de novos médicos, cerimónia organizada pela secção do Norte da Ordem dos Médicos.
400 vejam bem, 400 novos médicos prestaram juramento na secção da Ordem dos Médicos no Porto.
Contudo quando questionada se depois de fazer a sua especialidade aceitaria trabalhar no interior, uma das novas clínicas logo foi dizendo que a sua especialidade tinha lugar no porto e depois de ter a vida organizada no porto era difícil ir para outro lugar.
A seguir o Sr. bastonário vem em defesa da sua confrade dizer que na periferia das grandes cidades também existe falta de médicos.
Fazendo um pouco de história, chegamos a 1974 pelo menos com quatro faculdades: duas em Lisboa, uma em Coimbra e outra no Porto. Em 74 surgiu mais uma no Porto e em 99 em Braga.
Depois temos de considerar as privadas que foram surgindo e também o número enorme de portugueses que foram fazer a sua formação a Espanha e outros países europeus e mesmo assim, conforme o senhor diz, não existem médicos de família suficientes na periferia das grandes cidades?
Bom ! então explique lá ó "sotôr": afinal as faculdades são suficientes ou não? Ou será que estamos perante um problema de falta de produtividade?
Talvez o tempo seja pouco, as aulas na faculdade, os doentes no hospital e também no consultório privado e claro todos aqueles congressos...
Pois é os socialistas não foram na vossa conversa do ensino de qualidade que durante anos impediu o investimento em novos estabelecimentos de ensino da medicina e privou as populações do interior de assistência médica condigna, fez quase desaparecer os médicos de família deixando os que ficaram com centenas de utentes que quando estão doentes se vêem aflitos para marcar uma consulta e depois, porque não conseguem, acabam por entupir as urgências dos hospitais, levando ao desespero os já poucos médicos que as vão assegurando.
Quanto a não encontrar emprego depois de fazer a faculdade caro Sr. bastonário, esse é o dia a dia da esmagadora maioria dos licenciados deste país, porque deveriam os médicos ser diferentes?
E depois daqui a dez anos também haverão hipóteses no Reino Unido que é para onde estão a ir os médicos formados pelas nossas universidades, para cá entretanto vêm os peruanos e cubanos, cuja formação não levanta problemas à nossa Ordem dos Médicos.
Respeito muito os profissionais de saúde mas não podia ficar indiferente a esta conspiração classicista nada conforme com o juramento de Hipócrates.

Saudações

O Viajante

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Nós por cá nem todos bem


A noite passada o desastre abateu-se mais uma vez sobre os Açores. Na freguesia de Agualva no norte da ilha Terceira, depois de horas ininterruptas de chuva intensa, a ribeira que a atravessa, saiu do leito e transformou as ruas da localidade em torrentes de lama que arrastaram tudo à sua passagem. Os carros os recheios das casas tudo correu rua abaixo deixando duas habitações completamente destruídas e outras quarenta inabitaveis. Felizmente nenhuma vida se perdeu, apenas uma idosa permanece no hospital de Angra do Heroismo. Ela e o seu marido foram salvos quase no último momento pelos vizinhos e bombeiros que acorreram ao local.

Pelo menos cem pessoas ficaram desalojadas e como por aqui sempre acontece, apesar das casas postas à disposição pelo governo, todos optaram pelas portas que familiares e amigos de imediato lhes abriram sobretudo numa época tão especial como a que atravessamos.

Agora chove copiosamente , mais uma noite de alerta para muita gente. Que o Céu nos proteja e as ribeiras fiquem nos seus leitos

Saudações

O Viajante

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

A importância do cu

Como já sabem todos os que passam por aqui eu acredito na reencarnação. Acho que setenta ou oitenta anos é pouco tempo para nos definirmos para a eternidade. Seria uma injustiça sermos condenados ou glorificados para todo o sempre, apenas por uma vida.

Acredito também que algumas pessoas que nos tratam mal, que consideramos inimigos, estão tal como os que nos tratam bem, a cumprir um papel importante para a definição do nosso caminho.

Acredito que somos seres de luz que vivem noutro plano e que de tempos a tempos vimos em viagem de aprendizagem a este planeta.

Quando eu defendo que: competição, traição, deslealdade,agressão, homicídio, são situações deste plano e que no outro plano isso era impossível porque a relação entre todos os seres de luz é orgânica, ou seja nenhum deles faz nada para prejudicar outro porque estaria a prejudicar-se a si mesmo, sinto que quem me ouve tem dificuldade em imaginar tal situação.

Por isso eu vou contar um história deste plano que julgo irá esclarecer e sobretudo transmitir a ideia de que mesmo aqueles que aparentemente são “mais pequenos”, não são por isso menos importantes que os outros que aparentemente são “maiores”e todos temos de trabalhar em harmonia para o bem da humanidade.

Uma vez os orgãos de um determinado corpo estavam a discutir quem seria de facto o orgão mais importante.

O coração dizia que era ele porque se parasse durante alguns minutos o corpo morria. O cérebro dizia que ele era de facto o mais importante controlava tudo até o funcionamento do coração. Depois seguiram-se o fígado os pulmões e o pancreas, até que se ouviu uma voz lá do fundo :

-Ok já estou farto da vossas conversa, vou fechar a loja e vocês os importantes que se aguentem .

Mas quem és tu ? Peguntou o cérebro . Eu sou o cu, respondeu a voz e a gargalhada foi geral.

A partir daquele dia mais nenhum dejecto saiu do corpo. Passados alguns dias as infecções alastravam primeiro no intestino depois no estômago, as defesas do corpo eram destruidas uma a uma . A determinada altura o cérebro deu conta de que o coração e os pulmões iam colapsar e pensou bem temos que falar com o cu.

Ligação orgânica é isto nenhum é o mais importante mas somos todos imprescindíveis.

Saudações

O Viajante

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O medo

Ah! o medo vai ter tudo

(Penso no que o medo vai ter

e tenho medo

que é justamente
o que o medo quer)

Alexandre O'Neill "Medo"


Há alguns dias uma amiga blogger falava dos seus medos e das dificuldades em enfrentá-los e superá- los. Por isso eu resolvi também falar do assunto já que sinto como Alexandre O'Neill que o medo vai ter tudo.

O medo faz parte da nossa natureza. Boa parte do nosso sucesso enquanto espécie reside nele.

Chamamos-lhe instintos e são como que programas que foram ficando inscritos no nosso código genético. Foram-se instalando no sistema límbico a parte mais primitiva do cérebro e ainda hoje nos permitem reagir fisiologicamente de forma quase automática a situações de perigo.

Com o desenvolvimento de outras partes do cérebro, desenvolvemos novas capacidades muitas delas situadas no lobo frontal do cérebro que controla não só a nossa razão como também a nossa personalidade. Hoje a nossa mente faz construções complexas e claro as emoções e o nosso companheiro "medo" estão presentes e de forma mais sofisticada.

Portanto o medo vai ter tudo como diz o poeta, não vale a pena fugir dele, vai estar presente em todos os momentos da nossa vida. Temos de o conhecer, falar com ele ler os seus sinais e claro não fazermos o que ele quer que é termos medo dele.

Saudações

O Viajante

domingo, 29 de novembro de 2009

Entre marido e mulher....


Na semana passada muito se falou da violência doméstica e embora os números sejam já assustadores com 26 mulheres assassinadas desde o principio do ano pelos maridos ou namorados e cerca de 1800 queixas apresentadas nas autoridades, tenho quase a certeza que estamos só a ver a ponta do icebergue.

A violência é algo que está subjacente à espécie humana, A sobrevivência dos mais aptos e o instinto de conservação resultam em situações violentas ainda nos nossos dias.

A violência doméstica não tem que ver com instintos básicos ou opções políticas, é transversal aos sistemas políticos e às classes sociais e atinge toda a família. Tem únicamente a ver com o poder que as mentes disfuncionais dos agressores de forma cobarde procuram exercer sobre os mais fracos, utilizando violência não só fisica como tambem psicologica contra aqueles que deveriam proteger.

Não julgo os abusados porque só eles sabem o que sentem mas acho imoral o incentivo à denúncia feito por organizações públicas e privadas, que se limitam a acrescentarem mais uma vítima às suas estatísticas e depois deixam-na de novo nas mãos dos abusadores.

Temos de orientar a lei na protecção das vítimas e sobretudo mudar as mentalidades para que os agressores se sintam criticados socialmente.

Estava o Patriarca de Lisboa preocupado com as mulheres portuguesas que pensavam em casar com muçulmanos…


Saudações

O Viajante


PS. depois de publicar este post mais uma mulher foi morta pelo marido dentro da ambulância que a transportava ao hospital para se tratar dos ferimentos provocados pela última sova. A filha de 5 anos estava com a mãe e assistiu a tudo.


sábado, 21 de novembro de 2009

A manta do diabo


Como diz o nosso povo “o diabo tem uma manta que tem alturas que cobre e tem outras que descobre”. As minhas desconfianças em relação à indústria farmacêutica e aos métodos utilizados para venderem os seus produtos já eram “mais que muitas” quando um alto responsável governamental português, ontem na televisão, depois de uma campanha bem sucedida de combate à venda de medicamentos contrafeitos na internet, disse para quem quis ouvir que o mercado dos medicamentos era tão rentável que os narcotraficantes estavam a deixar a cocaína e a heroína para se dedicarem a este novo tipo de tráfego.

Obrigado Sr. Governante esse foi mais um passo no caminho para nos convencer que de facto mesmo em relação à nossa saúde é tudo uma questão de mercado, que o lucro será sempre o objectivo da indústria e a ética é um bom tema para se falar num qualquer seminário, fica bem.

Saudações

O Viajante

domingo, 1 de novembro de 2009

Á procura!


Por razões profissionais, tenho dado algumas férias ao meu blog. Não resisti contudo a “botar” palavra na polémica criada pelo nosso José Nobel.

Numa manobra de marketing à velha maneira do departamento de agitação e propaganda de qualquer partido comunista mais ortodoxo, mas orientadada para objectivos bem capitalistas, o nosso José Saramago quando escreve um novo livro, voa do seu refúgio em Lazarote e faz declarações quase sempre polémicas normalmente sobre a igreja.

Talvez quem sabe, à espera que o Vaticano o transforme no Salman Rushdie do cristianismo, considerou a Bíblia “um manual de maus costumes onde está patente o que existe de pior na humanidade”. Claro que o Vaticano nem tomou conhecimento quanto mais responder e o José teve de se contentar em ser perseguido apenas em Portugal. Acho estranho que até hoje José Saramago nunca tenha comentado ou escrito sobre as ideias políticas que sempre o orientaram. Talvez se o tivesse feito o novo livro se chamasse em vez de Caim, Estaline teria também traição e carnificina em quantidade suficiente.

Outro dos aspectos que eu acho interessante neste homem é a luta contra Deus que ele como ateu defende que não existe. Ele tem que fazer como certas pessoas e assumir-se. Aceitar que orientou a sua vida por ideias estéreis, essas sim que trouxeram ao de cima o lado pior da humanidade, e que está à procura de Deus através da única maneira que um materialista assumido como ele sabe fazer, no confronto.

Saudações

O Viajante

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

A teoria da conspiração




Na cadeira de ciência política aprendi que os políticos e os grupos onde se inserem só têm dois objectivos: conquistar o poder e mantê-lo.
O povo, ou como “eles” costumam dizer, os superiores interesses nacionais, não fazem parte desta equação.
Mas não fiquem chocados eles estão a actuar bem, nós eleitores é que estamos a actuar mal. Não exigimos cumprimento das promessas nem penalizamos os mentirosos.
Ora vejamos bem a campanha eleitoral:
Na pré campanha com os debates televisivos discutiu-se de facto o que era importante: a crise económica, desemprego; os partidos tentaram separar as águas procurando transmitir aos eleitores o que os diferenciava dos outros.
Começou a campanha e pronto foram só bombas de fumo: asfixia democrática, escutas na presidência, voto útil, cuidado com a esquerda, cuidado com a direita, a Manuela é salazarenga o Socrates tem um acordo secreto com bloco. Como que por magia os principais problemas dos país desapareceram do discurso dos grandes partidos.
Depois temos os críticos do PS que afinal até acham que Socrates governou bem e querem mais 4 anos disto e por último o homem que não queria influenciar.
Afinal porque é que Alegre falou a favor de Socrates? e Cavaco que só ia falar depois das eleições demitiu o seu assessor de longa data, dando assim uma ajudinha ao PS?
As palavras chave aqui são "Eleições Presidênciais"
Depois dos resultados nas europeias e o facto das últimas sondagens darem um empate técnico entre PS e PSD, alimentaram em Cavaco Silva a esperança de fazer a cooperação estratégica com um governo do PSD, o que seria sem dúvida benéfico para a sua recandidatura.
Daí que tenha deixado cair o caso das escutas telefónicas, que a meu ver foi uma pressão sobre o governo para negociar apoios para a sua recandidatura.
Com o reaparecimento dos emails sobre o caso, Cavaco remeteu-se ao silêncio, apesar das pressões dos partidos, especialmente do PS, que claro era o mais prejudicado.
Quando as sondagens começaram a dar um afastamento do PS em relação ao PSD desfazendo assim o empate a favor do PS, Cavaco lá foi dizendo que para não influenciar o acto eleitoral iria depois verificar o que se passava em termos de segurança na presidência. Mais uma manobra de pressão sobre o governo.
Depois aconteceu a situação mais grave, Alegre surgiu em cena apoiando Socrates e quase garantindo o apoio do PS à sua recandidatura. Perante esta situação tão perigosa Cavaco que não queria influenciar, demite o seu assessor deixando no ar a ideia de que de facto ele fez algo de errado, dando razão às criticas do PS e sobretudoentregando-lhe de bandeja a vitoria nestas eleições, quem é amigo quem é?
Pois é senhor Presidente, de facto trabalhou bem mas mesmo assim não sei se vai ter o apoio do PS para a nova corrida a Belém, se eu fosse presidente do PSD o do partido não tinha de certeza.


Saudações conspirativas


O Viajante

terça-feira, 15 de setembro de 2009

A face oculta



Como é estranho o desejo de nos exibirmos. Como é difícil a simplicidade e a autenticidade!

A autenticidade é, em si, uma tarefa das mais árduas, ao passo que o desejo de nos tornarmos alguém oferece pouca dificuldade. É muito mais fácil fingir ou representar, mas é extremamente complexo sermos aquilo que somos; e isso, porque estamos sempre mudando, nunca somos o mesmo, e cada instante revela uma nova faceta, uma nova dimensão e profundidade.

Podemos estar certos que somos muito sensíveis e eis que um acidente ou um pensamento fugaz nos mostra o contrário; ou, então, podemos considerar-nos talentosos, cultos, com agudo sentido estético e dignos, mas, de repente, ao dobrarmos uma esquina, percebemos o quanto somos ambiciosos, invejosos, carentes, brutais e ansiosos. Somos tudo isso, de momento a momento, e, no entanto, desejamos a continuidade e a permanência daquilo que nos traga lucro e prazer.

Não podemos ser todas estas coisas ao mesmo tempo, pois cada instante trás consigo algo novo. Portanto, se formos inteligentes, abriremos mão da pretensão de sermos alguém ou alguma coisa.

Deixar tudo isso de lado, libertando-nos da contradição e do eterno sofrimento e renunciar a qualquer forma de preenchimento ou realização pessoal, é o que de mais natural e inteligente nos cumpre fazer.

Mas, para que procedamos assim, para que deixemos de ser alguém, é preciso desvendar a nossa face oculta, expô-la sem medo, a fim de a compreendermos. A compreensão de nossas ânsias e desejos ocultos vem da plena consciência deles, o que é também indispensável perante a morte; desta forma, o puro acto de ver destrói aquela estrutura psicológica, libertando-nos do sofrimento e do desejo de ser alguém.

Saudações

O Viajante


segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Estes Americanos...!




Estive a ouvir atentamente o discurso que Obama fez no Congresso para perceber quais eram as razões de tanta contestação por parte dos americanos em relação à criação de um serviço nacional de saúde, que aliás fazia parte do programa de candidatura.
Ao que parece os grandes problemas dos americanos estão relacionados com três medidas que seriam implementadas com este projecto segundo determinadas fontes:

1. Seriam criadas comissões governamentais para decidirem quem receberia tratamento ou não.

2. Este serviço seria utilizado para prestar cuidados de saúde aos americanos que não tivessem meios para os pagar e aos emigrantes ilegais.

3. A criação de um serviço público seria uma atitude intervencionista do governo no mercado.

Embora a meu ver o ponto 1 seja no mínimo surrealista, o que me impressiona é como muitos americanos acreditam que tal é possível numa sociedade democrática. Claro eu sei que eles ultimamente têm visto e até apoiado muitas coisas que não abonam muito à democracia. Por outro lado até os percebo porque isto é o que fazem as companhias de seguros quando sistemáticamente rescindem os contratos com os clientes que têm mais problemas de saúde e como tal mais gastadores. Até agora ao que parece ninguém se indignou ou manifestou contra isso.
Quanto ao ponto dois, para quem corre meio mundo em defesa da liberdade, a derrubar tiranos e a defender os direitos humanos, fazendo até relatórios anuais sobre os direitos humanos noutros países, ter como princípio que dentro das suas fronteiras possam existir pessoas, que por circunstâncias diversas não têm direito a receber tratamento médico é no mínimo estranho, porque o deito à saúde é um direito humano.
Quanto ao ponto 3 será que o conceito de “valor público” é um conceito desconhecido dos americanos. O direito à vida, à saúde, à justiça, à liberdade, à segurança, são direitos universais e como tal têm de ser garantidos pelo estado a todos os cidadãos nacionais ou de outros paises que se encontrem dentro das suas fronteiras, não podem apenas estar acessíveis aos que podem pagar, ou dependentes dos caprichos do mercado ou bem pior da influência dos lobies. Só assim se poderá evitar que no mínimo se criem situações de desigualdade.
Digam o que disserem os especialistas internacionais, América não está preparada para um presidente negro, a prova disso foi o facto do congressista do Dakota do Sul, quando Obama explicava o seu projecto, lhe ter chamado mentiroso. Não me lembro que alguém tenho feito o mesmo ao Bush, apesar daquela farsa das armas de destruição maciça no Iraque, talvez para o congressista afinal os mentirosos sejam só de uma cor.


Saudações


O Viajante

sábado, 12 de setembro de 2009

Os homens são de Marte e as mulheres são de Venus



Desde de que li o livro "Os homens são de Marte e as mulheres são de Venus que tenho feito uns cursos intensivos de venusiano. Hoje chegou-me este e-mail que penso irá ser útil para que os "marcianos" mais distraidos possam conviver melhor com as venusianas deliciosas que por aí andam e claro seria um desperdicio ninguém as entender

11 expressões usadas pelas mulheres...e os seus verdadeiros significados:

1 - "Chega": Esta é a palavra que as mulheres usam para encerrar uma discussão quando elas estão certas e tu tens que te calar.
2 - "5 minutos": Se ela está a arranjar-se significa meia hora. "5 minutos" só são cinco minutos se esse for o prazo que ela te deu para veres futebol antes de ajudares nas tarefas domésticas.
3 - "Nada": Esta é a calmaria antes da tempestade. Significa que ALGO está a acontecer e que deves ficar atento.. Discussões que começam em "Nada" normalmente terminam em "Chega".
4 - "Tu é que sabes": É um desafio, não uma permissão. Ela está a desafiar-te, e nesta altura tens que saber o que ela quer... e não digas que não sabes!
5 - Suspiro ALTO: Não é realmente uma palavra, é uma declaração não-verbal que frequentemente confunde os homens. Um suspiro alto significa que ela pensa que és um idiota e que só está a perder tempo a discutir contigo sobre "Nada".
6 - "Tudo bem!!!": Uma das mais perigosas expressões ditas por uma mulher.. "Tudo bem!!!" significa que mais cedo ou mais tarde vais pagar na mesma moeda pelo que fizeste e com juros.
7 - "Obrigada": Uma mulher está a agradecer, não questiones, nem desmaies. Apenas diz "de nada". A menos que ela diga "MUITO obrigada"- isso é PURO SARCASMO e ela não está a agradecer por coisa nenhuma. Nesse caso, NÂO digas "de nada". Isso apenas provocará o "Esquece".
8 - "Esquece": É uma mulher a dizer "Vai-te ... !!"
9 - "Deixa estar, EU resolvo": Outra expressão perigosa, significa que uma mulher disse várias vezes a um homem para fazer algo, mas agora está ela a fazer. Isto normalmente resulta no homem a perguntar"mas afinal o que é que queres?". Para a resposta da mulher, consulta o ponto 3.
10 - "Sabes, estive a pensar...": Esta expressão até parece inofensiva, mas usualmente precede os Quatro Cavaleiros do Apocalipse.
11 - "Precisamos ter uma conversa!": estás a 30 segundos de levar com um belo par de patins.
Sem paranoias vamos estar atentos às parceiras, embora com a consciência clara que no que respeita aos jantares nós começamos fazendo o convite mas só elas sabem como acabam.

Saudações

O Viajante

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

E ainda a guerra!


Faz hoje oito anos que pela primeira vez os americanos viram o seu país ser atacado. Dois ataques bem sucedidos no wordl Trade Center e no Pentágono provocaram cerca de três mil mortos, na sua esmagadora maioria civis, que pacificamente iniciavam o seu dia de trabalho ou viajavam em negócios ou para se reencontrarem com entes queridos.
Pela primeira vez os americanos viram o horror da guerra à sua porta, a destruição, os feridos, os mortos, o sofrimento das famílias e todo o conjunto de desgraças que resultam das guerras.
Mas não chega recordarmos os mortos de Nova Yorque ou Washinton torna-se necessário para que o mundo não se esqueça recordar os de Guernica provocados pelos franquistas e seus aliados fascistas, Londres e Varsóvia provocados pelos ataques alemães, Dresden e Colónia, pelas bombas incendiárias inglesas, Xangai e Nanquin, pelas japonesas e Hiroshima e Nagasaky pelas bombas atómicas americanas.
Em todas elas o cortejo de horrores, miséria e morte que os senhores da guerra fizeram desabar sobre as populações indefesas, chacinando os não combatentes, velhos mulheres e crianças, para segundo eles encurtar a guerra e salvar vidas.
Enquanto vivermos num mundo em que existam guerras justas ou que o valor da vida dos seres humanos tenha que ver com a sua nacionalidade, surgirão com certeza mais onzes de Setembro e não será a tecnologia e as armas dos que se julgam bem defendidos que irá impedir novas tragédias.
Que se calem as armas e falem os corações!
Saudações
O Viajante

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Adormecer aqui e acordar do outro lado



Bem, sensível aos pedidos (especialmente femininos) pus em movimento a roda da inspiração e saiu-me esta brincadeira. Uma aventura do João Bettencourt 1º oficial do "Lusitânia".

João deitou-se, ligou o interface neural e o sistema de sensores de segurança e adormeceu. Foi de imediato transportado a uma realidade virtual indutora do sono e do sonho. Um presente dos homens da ciência para que possamos dormir de forma mais profunda.
Os pensamentos chegavam à sua mente como ondas à praia, mas são um tanto imprecisos nos pormenores, talvez um problema no interface neural. Como algo distante o João recorda-se de pela enésima vez ter verificado o uniforme.
Ele era um dos felizardos, só iria entrar de serviço na viajem de volta. Depois do jantar era como se continuasse de férias. Era 1º oficial a bordo do “Lusitânia” especializado em informática e comunicações. Desde muito jovem que a sua inclinação para tudo o que fosse computadores tinham-no transformado, não desfazendo dos colegas, num autêntico mago cibernético.
Adorava viajar e todas as viagens eram como se fossem a primeira. Ficava na ponte a observar encantado o azul do nosso planeta, ou as estrelas. Uma vez resolveu dar um pouco de “corda” ao astrónomo amador que existia em si e pensou, recorrendo aos seus conhecimentos técnicos, fazer um mapa astral para os que apesar de toda a tecnologia ainda gostassem de navegar apenas pelas estrelas.
A sua especialidade era de fundamental importância para a preparação da viagem, mas durante, só se houvesse alguma avaria. Daí que mesmo de turno poderia voltar a atenção para o seu projecto astronómico.
No fim do jantar, que como sempre foi óptimo, o comandante despediu-se do pessoal do 2º turno como quem sugeria que iríamos atravessar um qualquer buraco negro ou “stargate” temporal, dizendo com um sorriso: “encontramo-nos do outro lado”
De repente o interface neural conforme programado despertou-o. João abriu os olhos desligou os sensores de segurança tomou um duche rápido e apresentou-se na ponte. Olá senhor Bettencourt chegou a tempo de ver o nascer do sol, espero que tenha descansado, saúdou-o o comandante. João Olhou pelas janelas da ponte e reparou que o sol surgia por detrás do planeta mas este não era azul era mais para o avermelhado. Descansado? Claro, pensou ele, tinha começado a dormir na Terra e ao fim de seis meses acordado em Marte, só podia.
Saudações
O viajante

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Compreensão - chave do conhecimento


Que bom seria termos uma garantia absoluta de segurança. Se pudéssemos ter a certeza de tudo o medo desapareceria, fosse em relação ao presente fosse em relação ao futuro.
Mas não temos e por isso, quer consciente quer inconscientemente, estamos sempre à procura de segurança. Muitas vezes física desenvolvendo capacidades ou acumulando bens, outras vezes emocional ligando-nos a sistemas de ideias ou crenças, na busca da virtude da felicidade do amor e do pretenso conhecimento
Mas embora nos entrincheiremos por trás das seguranças do conhecimento, da virtude, do amor e da posse, embora edifiquemos muitas certezas, estamos sempre a construir uma casa sem alicerces que será derrubada facilmente pelas ondas da vida que chegam em experiências, uma após outra e que destroem todo o conhecimento anterior, todas as certezas anteriores, arrastando as seguranças que tão diligentemente construimos, disseminando-as ao vento como palha.
Como tal procuramos continuamente a substituição, e essa substituição torna-se a nossa meta, o nosso objectivo. Dizemos, esta crença provou não ser de qualquer valor, portanto deixa-me virar para outro conjunto de crenças, outro conjunto de ideias, outra filosofia.
Só que não nos livramos do medo pela remoção de um conjunto de crenças substituindo-o por outro. Torna-se necessário que tomemos consciência do verdadeiro valor das crenças a que nos agarramos, do significado persistente dos nossos instintos de posse, das limitações do nosso conhecimento e das seguranças que edificamos. Somente atingindo essa compreensão podemos pôr fim ao medo.
Talvez para que possamos compreender o Cosmos no seu significado pleno, torna-se necessário que a mente esteja vazia, livre dos grilhões do espaço do tempo e do hábito da aquisição auto-protectora.


Saudações


O Viajante