quinta-feira, 25 de junho de 2009

A Festa do Sol




Na noite de 23 com o desfile das marchas de S. João viveu-se o momento mais alto das festas em hora de S. João que animam, de 19 de Junho até dia 28 a cidade de Angra do Heroismo, conhecidas pelas “S. Joaninas”.

Depois de em anos anteriores terem celebrado a diversidade cultural e o papel da cidade na carreira das indias, as festas têm como tema este ano o Sol, enquanto gerador de energia e força para caminharmos no sentido de um futuro luminoso.

Contudo a festa não se reduz às marchas. Desfiles de grupos folcloricos e filarmónicas, bem como eventos desportivos como regatas e provas de BTT, passando por exposições de pintura e fotografia, mostras etnográficas e como não podia seixar de ser, esperas de gado e corridas de touros.

Todas as noites em seis pontos da cidade haverão espectáculos musicais, alguns deles com artistas de renome e também estão disponíveis um pouco por toda a cidade “tasquinhas” onde para além da comida “normal” se podem provar alguns petiscos locais como lapas grelhadas, favas cuadas, batatas com massa malagueta, morcela frita e a alcatra.

As festas são encerradas por um desfile de bandas filarmónicas, que na Terceira são vinte e duas, e por um sempre espectacular fogo de artificio.

Espero que para o ano alguns de vós que estão a ler este post resolvam passar por cá e divertirem-se um pouco

Saudações

O Viajante

domingo, 14 de junho de 2009

Da Saudade


Hoje Lisboa recebeu-me com um manto de sol e céu debruado a colinas.

Olhei para os rostos ansiosos dos que esperavam familiares e amigos na saida do aeroporto e instintivamente procurei-te, mas claro não te vi.

Dei-te um beijo e tu ficaste. Eu sei como ficaste!!

Mil milhas depois já sinto saudades dos teus abraços

Passeei pela cidade mas os “nossos” lugares tinham uma cor diferente.

Hoje senti que de facto somos como uma caravela, se eu sou o leme tu és a vela que enfrenta os elementos e nos impulsiona.

O bom das partidas é que deixam sempre em aberto a hipotese do regresso e os regressos são muito mais honestos e sobretudo mais saborosos

Deixo-te com um beijo linda “seeker”, dorme e sonha.

O Viajante

sexta-feira, 12 de junho de 2009

A vingança da natureza ?


Não sei porquê mas este surto quase pandémico da gripe A que teve inicio no México está a preocupar-me.
È facto que é menos letal que a gripe espanhola, que em 1918 matou mais de vinte milhões de pessoas, ou que as gripes asiática e de Hong kong que em 1958 e 63 mataram mais de quatro milhões.
Apesar de estarmos quase no Verão e tendo em conta as medidas tomadas de imediato pela maioria dos países, impressiona a forma como em poucos meses foram infectadas mais de duas dezenas de milhar de pessoas e cerca de 150 morreram. Como será no próximo Outono/Inverno, quando as temperaturas baixarem?
Continuamos a atacar estes vírus com antibióticos ou anti-inflamtórios. E a velha vacina? Segundo os especialistas não resulta porque o vírus tem mutações com muita frequência. Com muita frequência eles querem dizer em alguns meses, ou seja nada nos garante que no próximo Inverno o vírus não esteja muito mais letal do que agora.
Ao que parece dantes tanto os vírus como as bactérias sofriam menos mutações tornando as vacinas mais eficazes. Ultimamente não acontece assim, talvez porque tenhamos banalizado o uso dos antibióticos acabámos por forçar o microrganismo a inscrever no seu DNA a aceleração das mutações como forma de sobrevivência. Este processo terá acontecido num espaço de sessenta anos o que será um tempo extraordinariamente curto para um organismo vivo.
Daqui a mais alguns anos, e quando digo alguns estou a falar em 2 ou 3, os antibióticos existentes não terão qualquer efeito nos vírus e bactérias que nos vão atacar.
Então aí a nossa omnipotente tecnologia vai ter muitas dificuldades em nos valer e afinal não serão as armas nucleares, a poluição ou as mudanças climatéricas mas uns seres vivos, que não precisam de cérebro para serem inteligentes, muito mais capazes do que nós, que irão talvez quem sabe, obrigar-nos a repor o equilíbrio natural.


Saudações

O Viajante

segunda-feira, 8 de junho de 2009

O Caminho e a busca do Equilibrio


A forma como interajo com as pessoas e com o ambiente à minha volta resulta com certeza das experiências que fui vivendo desde que cá cheguei.
A tolerância em relação aos outros bem como a capacidade de os ouvir, ajudar e até perdoar se for caso disso, não são atitudes fáceis e eu admito que nestes anos tive e tenho algumas intolerâncias por resolver, não ajudei algumas pessoas que podia ter ajudado e não consegui perdoar outras.
A minha recusa em ver as coisas, assobiando para o lado como se não existissem, motivou por vezes respostas do Universo que quase sempre me foram colocadas de forma súbita e brutal. Apesar da primeira reacção ser fugir o facto de estar “encostado à parede” só me dava um caminho, resolver a questão.
Aprendi a ser amável o que não quer dizer que o consiga ser com toda a gente. Até quando discutimos ideias podemos ser amáveis, magoar alguém porque achamos que ele é fraco ou indeciso acabará por ser um acto de arrogância da nossa parte e talvez em defesa de uma ideia que amanhã nós próprios chegamos à conclusão que não estava tão correcta assim.
Aprendi também que muitas vezes as pessoas não mudam, não porque não querem, mas porque não são capazes. Por vezes aquilo que para nós parece fácil e lógico (como se nós fossemos lógicos) para determinadas pessoas é uma muralha quase intransponível.
A primeira atitude é não há pachorra para essa gente, achamos que eles andam por aqui para ocuparem o nosso tempo, sugarem a nossa energia. Claro que depois aparece alguém na nossa vida que manipula e mente sistematicamente e nós vamos sempre arranjando tempo e vontade para o perdoarmos.
Eu não vejo isso assim, acho que muitos deles sofrem a tentar dar a volta e julgo que aquilo que mais os entristece é o facto de se sentirem abandonados e sobretudo incompreendidos.
Não uso túnica branca, não procuro a redenção e apesar de achar que devo ensinar aos que não sabem e corrigir os que eu acho que estão a errar tento fazer isso com amor, tolerância e paciência
Mas claro, isso sou eu, existem outros caminhos tão válidos quanto o meu.
Saudações

O Viajante

sexta-feira, 29 de maio de 2009

O estado de "Ermita"




Numa das cadeiras que tive de fazer na universidade o meu professor aconselhou-nos a leitura de textos de vários autores que segundo ele seriam importantes. Um deles era Friedrich Nietzsche. “Assim falou Zaratustra” ou o “Anti-Cristo” , voltaram-me ao pensamento e lembro-me de ter comentado com ele que não era um dos meus filosofos favoritos. Contudo ele aconselhou-me a ler de novo Nietzsche e garantiu-me que ia ficar com uma perspectiva diferente o que de facto aconteceu.
Quando publiquei o meu último post e tornei a ler as palavras do Mestre Krishnamurti sobre os Requisitos do Caminho e sobre os três grandes pecados da humanidade: maledicência, crueldade e superstição, dei conta da facilidade com que os cometemos.
Hoje li nos jornais aqui na minha ilha que dois miúdos depois de terem espancado um cão largaram-lhe fogo. Há dias tive oportunidade de ler os comentários feitos num forum de opinião em que alguns dos participantes em vez de construtivamente darem o seu parecer sobre o assunto se limitaram de forma anónima a agredir os outros com palavras de uma crueldade extrema.
Rotulamos os outros, com ou sem razão e muitas vezes fazemos campanha contra eles comentando com outras pessoas, engrossando a onda que os irá transformar naquilo que nós já achamos que eles são. E fazemos isto sem pestanejar como se tivessemos a missão de expor os defeitos que julgamos ver nos outros.
Senti necessidade de olhar para dentro e se de facto não precisei de pensar muito para me sentir injusto para com o meu irmão, precisei de muito mais para não o discriminar, apesar das razões que eu possa ter contra ele.
Saudações
O Viajante


domingo, 24 de maio de 2009

Touradas à Corda


Ontem mesmo ao pé da porta tive mais uma manifestação da cultura e tradição da Terceira, as “Touradas à Corda”.
Na sequência das festas promovidas pelas irmandades dos Impérios do Espírito Santo são realizados vários eventos , alguns religiosos e outros profanos. “A Tourada à Corda “ é um desses eventos, muito apreciado e talvez o mais concorrido.
São quatro os touros largados um de cada vez , durante vinte minutos . Ao contrário das largadas no continente, onde os touros são conduzidos a um local fechado, aqui eles são largados na rua onde está o Império e percorrem –na apenas com a limitação de terem uma corda à volta do pescoço que permite a dois grupos de homens “os pastores” controlarem o animal impedindo a sua saída de um espaço que está apenas limitado por duas faixas brancas pintadas no chão.
Normalmente a assistência divide-se em dois grupos: um que está devidamente protegido em locais seguros e que assiste de facto e o outro que está na rua e enfrenta o touro. Destes quatro ou cinco são os “capinhas” toureiros improvisados que com um cobertor ou com um simples chapeu de chuva fazem alguns passos de toureio. Os restantes limitam-se a avançar e a recuar em contraponto aos movimentos do touro.
Nesta tourada não existem bandarilhas ou outros intrumentos que maltratem o animal e os ferimentos que ele possa receber são de quedas ou de saltar muros quando persegue todos os que estão proximos de si.
Os “toureiros” estão de mãos vazias e limitam-se num jogo de gato e rato a tentar enganar o touro e quando não conseguem as consequências podem ser graves. O mesmo pode acontecer a quem se juga seguro, já que apesar das medidas de protecção a força e determinação do animal são impossíveis de avaliar.
Claro que a tourada como tudo aqui na ilha é um momento de convívio quer com as tascas móveis que vendem todo o tipo de petiscos e bebidas, quer com a mesa posta em todas as casas do local para receberem familiares, vizinhos e amigos.
Pensei em colocar um video que desse uma ideia de como decorre uma tourada, escolhi um que tem apenas uma “colhida” já que por vezes os acidentes são graves e a imagens poderiam afligir quem vê. Contudo para os mais destemidos informo que no Yutube existem videos só sobre situações dessas.


Saudações


O Viajante

sábado, 23 de maio de 2009

O "chico espertismo"





Para animar ou anestesiar a malta não sei, depois do caso freeport temos o caso Lopes da Mota que alegadamente terá dito a alguns colegas que seria melhor arquivar o caso freeport, utilizando na conversa o nome do Ministro da Justiça e do Primeiro Ministro, o que foi considerado como uma pressão intoleravel .
Então meus amigos que tem isso de anormal não foi assim que surgiu toda a confusão no dito caso freeport? O promotor do freeport foi falar com o tio para ele falar com o sobrinho que por acaso era Ministro do Ambiente para resolver a situação.

O "chico espertismo" e o "nacional porreirismo" são duas variantes da "cunha" do tempo da outra senhora, que hoje, embora com roupagens mais democráticas, atravessam de forma transversal a nossa socidade .

Foi por isso que o Valentim chateou o presidente da Comissão de Arbitragem por causa dos árbitros para o Boavista, ou o Pinto da Costa recebeu árbitros em casa, sem verem nisso qualquer problema ético.

O "chico esperto" não se vê a si próprio como corrupto ou imoral, pelo contrário considera-se desenrascado e empreendedor.

Outra coisas que os "chicos espertos" têm é horror a segredos (que não sejam deles claro)sejam estratégicos, de justiça ou outros, daí que não haja carta que venha da polícia inglesa, lista de funcionários do SIS ou conversa entre governantes que no dia seguinte não venha escarrapachada num jornal qualquer.

Agora os senhores deputados, como não têm mais nada que fazer, decidiram que têm direito a saber todos os segredos dos estado português e inclusivé vão legislar sobre isso.

Eu acho que os portugueses devem ficar muito preocupados, já que os resultados de uma tentativa que Jaime Gama fez em Abril passado de fazer reuniões de informação entre o SIS e três comissões parlamentares,(só três, cerca de 45 deputados) a da Defesa a dos Negócios Estrangeiros e a do Assuntos constitucionais, não foram brilhantes.

A informação secreta ou reservada bastante sensível deveria ser transmitida pelos nossos serviços secretos aos membros dessas comissões, o que tem alguma lógica e é prática comum em muitos países.

Contudo um dos "chicos espertos" presentes, que gosta de ter boas relações com a comunicação social, descreveu a um jornal a reunião: quem estava, quem faltou, o ambiente e claro os assuntos tratados. Com gente assim não vamos lá.

Outra coisa interessante aconteceu, mas no Reino Unido. Ao que parece muitos deputados de todos os partidos com lugar no parlamento, usaram fundos públicos para pagarem reparações nas casas em Londres, a que têm direito, mas ao que parece inflacionaram as despesas, talvez quem sabe para melhorarem os seus baixos salários.

Tudo foi tornado público e numa atitude muito portuguesa o "Speaker" do Parlamento tentou saber, não quem eram os prevaricadores, mas como é que o jornal que denunciou o caso teve acesso a esse "segredo".

Claro que esta atitude custou-lhe o lugar e no que respeita aos deputados envolvidos na burla a sua carreira política chegou ao fim.

Depois de ler a notícia lembrei-me do caso das viagens fantasma que foi denunciado na nossa Assembleia da República e do que aconteceu aos ilustres deputados envolvidos e pensei como é diferente a política em Portugal.


Saudações


O Viajante

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Me engana que eu gosto !



Tem sido uma semana cheia de notícias encorajadoras. O BCP só no primeiro trimestre deste ano teve 106 milhões de lucro, o que corresponde a um aumento de 625% em relação a igual período do ano passado, será que estamos a sair da crise primeiro que a América?
O Joe Berardo tal como eu ficou tão contente com o desempenho do BCP que resolveu fechar o Savoy na Madeira e por no desemprego mais de centena e meia de trabalhadores, se o banco aumentar mais os lucros será que corremos o risco de não ter hoteis na Madeira?
Uma auditoria ao BPP detectou que este banco não tinha contabilidade organizada.
Ora vamos lá ver se eu entendo: se eu tiver uma pequena empresa que movimente umas dezenas de milhares de euros tenho de ter contabilidade organizada senão a fiscalização da DGCI multa-me, mas se eu for dono de um banco que movimenta centenas de milhões ninguém se preocupa que tenha contabilidade de taberneiro, nem claro o Banco de Portugal que deveria ser o garante de que as instituições bancárias funcionam dentro na legalidade.
Vamos aumentar a dimensão da nossa zona económica exclusiva, um país que praticamente não tem marinha vai defender na ONU o alargamento do seu território. O governante responsável falou em primeiro lugar nos recursos que a nova área, com mais de um milhão de quilometros quadrados, nos pode oferecer, mas esqueceu-se de dizer que não temos nem os meios ou a tecnologia para os obter, nem tão pouco os meios navais para a defendermos, será lirismo ou pouca inteligência?
Belmiro de Azevedo tornou a bater na tecla da competitividade. Mas afinal a competitividade das empresas não tem que ver com o empresários? Com a forma como fazem a sua gestão e a inovação tecnologica?Ah! já sei é por causa das leis laborais. Mas desde há alguns anos a esta parte a legislação laboral é cada vez mais flexível e a competitividade continua baixa. Talvez os senhores empresários queiram acabar com o código do trabalho e deixar ao mercado a solução da questão? Pois nesse peditório já demos com os resultados que estamos a viver.


Saudações


O Viajante

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Aos pés do Mestre V


Requisitos para o Caminho



De todos os Requisitos, o mais importante é o Amor.
Se ele é suficientemente forte num homem, força-o a adquirir todo o resto, porque todo o resto sem ele jamais seria suficiente. Muitas vezes traduz-se num intenso desejo de libertação da roda do nascimento e da morte, é como um desejo pela união com Deus. Mas dizer assim soa a egoísmo, e só revela parte do significado. Não é tanto desejo, mas vontade, resolução, determinação. Para produzir este resultado, esta resolução deve encher toda sua natureza, de modo a não deixar espaço para nenhum outro sentimento. A vontade de ser uno com Deus, não é para poder escapar à fadiga ou ao sofrimento, mas para que em virtude de seu profundo amor por Ele possa agir com Ele e do modo que Ele age. Porque Ele é Amor, tu, se hás-de te tornar uno com Ele, deves-te encher também de um perfeito altruísmo e amor.
Na vida diária isto significa duas coisas; primeiro, que tu deves ter cuidado em não ferir nenhuma coisa viva; segundo, que deves estar sempre atento para qualquer oportunidade de ajudar.
Primeiro, não ferir. Existem três pecados que fazem mais mal do que tudo no mundo - maledicência, crueldade e superstição - porque estes três são pecados contra o amor. Contra estes três. o homem que enche o seu coração com o amor de Deus deve vigiar incessantemente.
Vê o que faz a maledicência: ela começa com um mau pensamento, e isto por si mesmo é um crime. Pois em todos e em tudo há o bem; em todos e em tudo há o mal. Podemos reforçar qualquer um deles pensando nele, e deste modo podemos ajudar ou estorvar a evolução; podemos fazer a vontade do Logos ou podemos nos opor a Ele. Se pensas no mal alheio, estás fazendo três coisas más ao mesmo tempo:
a. Preenches tua vizinhança com maus pensamentos em vez de bons, e assim estás aumentando a tristeza do mundo.
b. Se naquele homem existe o mal que imaginas, estás a fortalecê-lo e alimentá-lo; assim estás tornando aquele teu irmão pior em vez de melhor. Mas geralmente o mal não está ali, e só o imaginaste; então o teu mau pensamento tenta o teu irmão a fazer o mal, pois se ele ainda não é perfeito podes transformá-lo naquilo em que pensaste.
c. Enches tua própria mente com maus pensamentos em vez de bons; e assim impedes teu próprio crescimento, e te tornas, para aqueles que podem ver, um objecto feio e penoso, em vez de um formoso e adorável.
Não contente em ter feito todo este mal para si mesmo e para sua vítima, o maledicente tenta com toda sua força fazer de outros homens cúmplices de seu crime. Ele conta avidamente sua fábula perversa aos outros, esperando que o acreditem; e eles se juntarão a ele derramando maus pensamentos sobre o pobre sofredor. E isso continua dia após dia, e é feito não por um só homem, mas por milhares.
Começas a ver quão vil, quão terrível é este pecado? Deves evitá-lo completamente. Nunca fales mal de ninguém; recusa-te a ouvir quando alguém falar mal de outrem, porém diz, gentilmente: "Talvez não seja verdade, e mesmo se for, é mais amável não falar disso".
Sobre a crueldade. Esta pode ser de dois tipos, intencional e não intencional. A crueldade intencional é quando propositadamente infligimos dor a um outro ser vivo; e este é o maior de todos os pecados, é obra de demónios e não de homens. Dirias que nenhum homem deveria fazer tal coisa; mas os homens tem-no feito com frequência, e diariamente. Os inquisidores fizeram-no; muitas pessoas religiosas fizeram-no em nome de sua religião, e muitos agentes disciplinares nas escolas o fazem habitualmente. Todas estas pessoas tentam desculpar sua brutalidade dizendo que é o costume; mas um crime não deixa de ser crime porque muitos o cometem. O karma não leva em conta o costume, e o karma da crueldade é o mais terrível de todos. O destino da pessoa cruel deve recair também sobre todos os que saiem intencionalmente para matar as criaturas de Deus dizendo que é "desporto".
Coisas como estas não farás, eu sei; e pelo amor de Deus, quando se oferecer a oportunidade, falarás abertamente contra elas.
Mas há uma crueldade na fala para além dos actos; e um homem que diz uma palavra com a intenção de ferir outro é culpado deste crime. Isto, também, não farás; mas às vezes uma palavra descuidada faz tanto mal quanto uma outra maliciosa. Assim, deves estar em guarda contra a crueldade não intencional.
Muito sofrimento é causado apenas por negligência, esquecemo-nos de pensar como uma acção nossa afectará os outros. Mas o karma jamais esquece, e não leva em conta o facto de os homens esquecerem. Se desejas entrar no Caminho, deves pensar nas consequências do que fazes, ou serás culpado de crueldade irreflectida.
A superstição é outro mal poderoso, e já causou muita crueldade. Um homem que é escravo da supertição desdenha outros que são mais sábios, tenta forçá-los a fazer o que ele faz.
Os homens têm cometido muitos crimes em nome do Amor de Deus, movidos por este pesadelo da superstição; cuida bem que não reste em ti nenhum traço dela.
Deves evitar estes três grandes crimes, pois são fatais para todo progresso, porque pecam contra o amor. Mas não deves apenas te abster de fazer o mal; deves ser activo em fazer o bem. Deves encher-te com o intenso desejo de servir. Está sempre atento para fazer o bem à tua volta, não só aos homens, mas também aos animais e às plantas. Deves fazê-lo nas pequenas coisas todos os dias, para que possas formar um hábito, de modo que não percas a oportunidade rara quando a coisa maior se oferecer para ser feita. Pois se anseias ser um com Deus, não é para teu próprio bem; mas para que possas ser um canal através do qual o Seu amor possa fluir para chegar nos teus irmãos.
Aquele que percorre o Caminho não existe para si mesmo, mas para os outros; ele terá de esquecer-se de si mesmo, a fim de poder servi-los.
A sabedoria que te habilita ajudar, a vontade que dirige a sabedoria, o amor que inspira a vontade - estes são os Requisitos. Vontade, Sabedoria e Amor são os três aspectos do Logos; e tu, que desejas estar ao serviço de Deus, deves mostrar no mundo estes três aspectos.


("Aos pés do Mestre" - j. Krishnamurti)


Saudações


O Viajante

segunda-feira, 4 de maio de 2009

"Os Maios" na Terceira


No dia 1 de Maio tivemos mais uma manifestação muito especial da cultura Terceirense “Os Maios”.
Neste dia em muitas casas da ilha são colocados bonecos que são designados por “Maios”. Na sua confecção são usadas roupas velhas que são cheias com outra roupa. As caras são pintadas de forma quase infantil.
Dizem alguns especialistas que hoje em dia existe uma maior sofisticação na confecção dos “Maios” mas que desde sempre eles pretendiam enviar uma mensagem ou fazer uma critica.
Não sei das razões profundas desta manifestação, mas acho que seria um divertimento para toda a família a participação na confecção dos “Maios”.
E claro a acompanhar toda esta brincadeira umas papas grossas, um doce muito apreciado por cá, bastante saboroso que como diria um colega meu é arroz doce sem arroz, mas com milho moído, que lha dá uma maior consistência, daí o nome.
Saudações

O Viajante