quarta-feira, 22 de abril de 2009

"Homo" Sapiens mas pouco



No início desta minha mensagem gostaria de agradecer à Shin Tau a atribuição deste “selo Lemniscata” e as palavras amáveis que usou para me descrever a mim e ao meu blog. Obrigada amiga.
Quanto à questão acerca de nós enquanto espécie eu poderei dizer “sapiens” mas (ainda) pouco.
Acho que somos animais com níveis de racionalidade que numa escala de 0 a 10 variam de quase zero quando nos defendemos, lutamos pela nossa vida ou entramos em pânico, até 7 ou 8 quando fazemos trabalhos mais científicos.
Apesar de toda a evolução, ainda hoje continuamos em muitas situações a reagir com o que ficou inscrito na nossa matriz genética há mais vinte mil anos atrás embora hoje com meios mais poderosos e com resultados por isso mais catastróficos.
O homem não existe porque pensa como gostaria Descartes, mas de facto o homem existe porque sente, como defende brilhantemente Manuel Damásio no seu livro “O Erro de Descartes”.
Sapiens ou quase teremos que manter a humildade, já que representamos apenas alguns segundos no relógio deste nosso planeta.

Saudações

O Viajante

Dia da Terra


Ser terrestre é muito mais que ser habitante deste planeta é sobretudo fazer parte do seu ecossistema. Ter consciência que sem água não vivemos ou que sem oxigénio não respiramos e sobretudo ter consciência dos ciclos naturais, sentirmo-nos não como donos a usufruir de recursos que julgamos inesgotáveis mas como parceiros em simbiose com o planeta. Só assim poderemos evitar rupturas que irão destruir-nos enquanto espécie.
Hoje é “Dia da Terra”é mais um daqueles dias com simbologia ambivalente. Se por um lado é sinónimo da preocupação de alguns, cada vez mais felizmente, com esta nossa casa, por outro lado indica também que a maioria tem que ser lembrada de uma coisa que devia para ser quase biológica, natural portanto e diária.
Saiam por aí abracem as arvores deitem-se na relva ouçam o marulhar das ondas, o chilreio dos pássaros ou a água a correr nos riachos. Poupem a água e a energia, não poluam, reciclem.
Escolham uma medida de protecção ao nosso planeta que possam tomar todos os dias em vossa casa e executem-na, será extremamente importante.

Saudações

O Viajante

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Aos pés do Mestre IV

Requisitos para o Caminho

Formas de conduta


"4. Alegria
Deves suportar teu karma com alegria, qualquer que seja ele, considerando uma honra que tal sofrimento se abata sobre ti, porque isso demonstra que os Senhores do Karma pensam que és digno de auxílio. Por mais duro que seja, sê grato por não ser pior. Lembra-te que tens pouca serventia para o Mestre até limpares o teu karma ruím e estejas livre. Mas oferecendo-te a Ele, pediste-lhe que a limpeza teu karma pudesse ser acelerada, e desta forma, agora deves resolver em uma ou duas vidas aquilo que doutro modo poderia se diluído numa centena. Mas a fim de tirar o melhor proveito dele, deves suportá-lo com alegria e com jovialidade.
Um ponto mais. Deves abandonar todo sentimento de posse. O karma pode tirar-te as coisas que mais aprecias - até mesmo as pessoas que mais amas. Mesmo assim deves alegrar-te - pronto para abandonar toda e qualquer coisa. Muitas vezes o Mestre precisa derramar a Sua força sobre outros através de Seu servo; Ele não poderá fazê-lo se o servo cede à depressão. Assim, a alegria deve ser a regra.
5. Unidirencionamento de objectivo
A única coisa que deves colocar diante de ti é fazer a obra do Mestre. Mesmo que outras coisas surjam, no teu caminho nunca esqueças o teu primeiro objectivo. Porém nada mais pode entrar no teu caminho, pois toda ajuda e trabalho altruísta é obra do Mestre, e deves fazê-lo por amor a Ele. E deves dar toda tua atenção a cada coisa que fizeres, para que possas de facto fazê-la da melhor forma. O mesmo Mestre também escreveu: "O que quer que faças, fá-lo de coração, como se fosse para o Senhor, e não para os homens". Pensa como farias algum trabalho se soubesses que o Mestre viria imediatamente vê-lo; é exactamente neste espírito que deves fazer todo o teu trabalho. Aqueles que sabem mais decifrarão tudo o que aquele verso significa. E há outro como aquele, muito mais antigo: "O que quer que tua mão faça, fá-lo com toda tua força".
Unidirecionamento de objetivo significa, ainda, que nada jamais te deve desviar, mesmo por um momento, do Caminho em que entraste. Nenhuma tentação, nenhum prazer mundano, devem jamais te desviar. Pois tu mesmo te unificaste com o Caminho; ele deve de tal maneira ser parte de tua natureza que o sigas sem precisar de pensar nele, e não possas te desviar. Tu, a Mônada, decidiste assim; romper com isso seria romper contigo mesmo.
6. Confiança
Deves confiar no teu Mestre; deves confiar em ti mesmo. Se já viste o Mestre, deves fiar-te n'Ele totalmente, através de muitas vidas e mortes. Se ainda não O viste, deves tentar percebê-Lo, e confiar n'Ele, porque se não o fizeres, nem mesmo Ele te poderá ajudar. A menos que haja uma confiança perfeita, não pode haver um fluxo perfeito de amor e poder.
Deves confiar em ti mesmo. Dizes que te conheces bem? Se achas isso, é porque tu não te conheces; conheces apenas a frágil casca externa, que tantas vezes caiu na ilusão. Mas tu - o verdadeiro tu - és uma centelha do fogo do próprio Deus, e Deus, que é onipotente, está em ti, e por causa disso não há nada que não possas fazer, se o quiseres. Diz a ti mesmo: "O que o homem fez, o homem pode fazer. Sou um homem, e sou também Deus no homem; eu posso fazer tal coisa, e a farei". Pois tua vontade deve ser como o aço de boa têmpera, se vais trilhar o Caminho."

("Aos pés do Mestre" - j. Krishnamurti)

Saudações


O Viajante

segunda-feira, 6 de abril de 2009

"O Triângulo da Vida"



Num dos últimos posts "a segurança começa em nós" falei de algumas medidas a tomar em caso de tremor de terra.
Dei algumas dicas sobre quais seriam os melhores lugares na nossa casa que em caso de desabamento do tecto nos pudessem dar mais hipoteses de sobrevivência.
As técnicas de busca, salvamento e primeiro socorro em caso de catástrofe ou acidente grave são processos dinâmicos que desde 1978, altura em que fiz o meu primero curso, até hoje, têm sofrido alterações de metodologias e procedimentos. Por isso nada está completamnete definido e todos os dias em resultado das experiências no terreno surgem técnicas que podem ser úteis.
Assim vou transcrever alguns conselhos de um especialista de seu nome Doug Coppcom, com muitas horas em locais de catástrofe que apresentou um novo conceito a que ele chamou “O Triângulo da Vida”
Segundo ele quando um prédio cai o peso do tecto cai sobre os objectos e móveis esmagando-os, porém fica sempre um espaço vazio em seu redor. A este espaço chamou “O Triângulo da Vida”. Quanto maior for o objecto mais pesado e mais resistente, menos se compactará e maior será o espaço do “Triângulo da Vida” e maiores serão as hipoteses de sobrevivência da pessoa que se deitou ao lado desse móvel ou objecto.
È muito melhor estar fora de um prédio do que dentro dele, porque quanto mais dentro do perímetro do prédio mais certo será que a sua saida esteja bloqueada, tornando a fuga mais difícil senão impossível.
Contudo se estivermos num edifício de varios pisos temos de ter em atenção que para além da proibição de utilização dos elevadores, que irão ficar parados com o corte de corrente que acontece nos sismos de grande magnitude, acontece outro fenómeno as escadas devido às tecnicas de contrução, têm diferentes “níveis de frequência”, e movem-se de forma diferente do resto do prédio dificultando bastante a evacuação dos moradores.
Assim durante o sismo e se não puder sair da sua casa ou local de trabalho tome em consideração o seguinte:
Não se coloque debaixo das vigas das portas deite-se ao seu lado escolha os cantos da casa
Não se coloque debaixo de objectos ou moveis, deite-se ao lado em posição fetal protegendo a cabeça e a cara com as mãos e os braços.
Se estiver na cama role para o lado e fique entre a cama e a parede na posição fetal protegendo a cabeça e cara com as mãos e os braços.
Se estiver na sala deite-se ao lado do sofá ou de um movel resistente na posição fetal protegendo a cabeça e cara com as mãos e os braços.
Se estiver no exterior e por qualquer razão não puder abandonar o local:
Não se coloque debaixo de viaturas ou paragens de transportes urbanos , deite-se ao lado em posição fetal protegendo a cabeça e a cara com as mãos e os braços
Desloque-se bem encostado à parede ou então a uma distância segura que o proteja da queda de algum elemento da fachada.
São mais alguns conselhos a juntar a outros de que já vos falei e que podem ser a diferença entre a vida e a morte. O trabalho dos que salvam é um trabalho sempre inacabado e vocês não fazem ideia da alegria que é salvar uma vida. Só assim se poderá entender imagens como as que vemos muitas vezes na televisão de equipas e populares a baterem palmas no meio da destruição só porque salvaram mais uma vida.




Saudações




O Viajante

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Aos pés do Mestre III

Requisitos para o Caminho

Aspectos de conduta

"1. Autocontrole sobre a Mente
O Requisito de Ausência de Desejo demonstra que o corpo astral e o corpo mental devem ser controlados. Significa o controle do temperamento, de modo que não possas sentir nenhuma raiva ou impaciência; significa o controle da própria mente, de modo que o pensamento possa ser sempre calmo e imperturbado; significa ainda o controle dos nervos (através da mente), de modo que eles sejam o menos irritáveis possível. Esta última parte é difícil, porque quando tentas preparar-te para o Caminho, não podes evitar que teu corpo se torne mais sensível, e por isso os seus nervos são facilmente perturbados por um som ou um choque, e sentem qualquer pressão agudamente; mas deves-te empenhar ao máximo.
A mente calma significa também coragem, para que possas enfrentar sem medo as provas e dificuldades do Caminho; significa também firmeza, para que possas fazer luz sobre os problemas que acometem a tua vida, e evitar assim a incessante preocupação sobre miudezas em que muitas pessoas gastam a maior parte de seu tempo. O Mestre ensina que não importa nada o que acontece a um homem vindo do exterior: tristezas, problemas, doenças, perdas - tudo isso deve ser igual a nada para ele, e ele não deve permitir que afectem a calma de sua mente. Tudo isso é o resultado de suas acções no passado, e quando surgir deves suportá-lo com alegria, lembrando que todo mal é transitório, e que o teu dever é permanecer sempre alegre e sereno. Aquilo tudo pertence às tuas vidas anteriores, e não a esta; não podes alterá-las, portanto é inútil preocupares-te com isso. Pensa antes no que fazes agora, e que criará os eventos de tua próxima vida, pois isso tu podes alterar.
Jamais te abandones à tristeza ou à depressão. A depressão é um erro, pois infecta os outros e torna suas vidas mais difíceis, o que não tens o direito de fazer. Portanto, sempre que ela surgir, descarta-a de imediato.
De qualquer forma deves controlar teu pensamento; não deves deixá-lo vaguear a esmo. O que quer que estejas fazendo, foca ali teu pensamento, para que aquilo possa ser perfeitamente executado; não permitas à tua mente ser indolente, mas mantém sempre bons pensamentos no seu fundo, prontos para passarem à frente quando ela estiver ociosa.
Usa teu poder de pensamento sempre para bons propósitos; sê uma força na direção da evolução. Pensa todos os dias em alguém que tu sabes estar triste, ou sofrendo, ou precisando de ajuda, e derrama teu amor sobre ele.
Resguarda tua mente contra o orgulho, pois o orgulho nasce apenas da ignorância. O homem que não sabe pensa que é grande, que fez esta ou aquela grande coisa; o homem sábio sabe que só Deus é grande, que toda boa obra é feita só por Deus.
2. Autocontrole na Acção
Se teu pensamento é o que deve ser, terás poucos problemas com tua acção. Mas lembra-te que para seres útil à humanidade o pensamento deve resultar em acção. Não deve haver nenhuma preguiça, mas sim uma constante actividade na boa obra. Mas faz apenas o que é o teu dever fazer - e não o de outro homem, a menos que ele te dê permissão e tu o faças no intuito de ajudá-lo. Deixa que cada um faça o seu próprio trabalho à sua maneira; sê sempre expedito em oferecer ajuda onde ela for necessária, mas jamais interfiras. Para muitas pessoas a coisa mais difícil de aprender no mundo é pensar em seus próprios assuntos; mas é exactamente isso que deves fazer.
Porque tentas assumir um trabalho superior não deves esquecer tuas atribuições comuns, pois antes de desempenhá-las não és livre para outro serviço. Não deves assumir mais nenhum dever mundano; mas os que já assumiste, deves cumprir com perfeição - todos os deveres claros e razoáveis que tu mesmo reconheças, e não os deveres imaginários que os outros tentam impor sobre ti. Se hás-de ser do Mestre, deves fazer os trabalhos comuns melhor do que os outros, e não pior; porque deves fazer assim também por amor a Ele.
3. Tolerância
Deves sentir uma perfeita tolerância para com tudo, e um interesse sincero nas crenças das pessoas de outras religiões, assim como nas da tua. Pois sua religião é um caminho para o mais alto, exactamente como a tua. E para ajudar todos, deves entender todos.
Mas a fim de obteres esta perfeita tolerância, primeiro deves livrar-te do fanatismo e da superstição. Deves aprender que nenhuma cerimónia é necessária; senão pensarás em ti mesmo como melhor do que os que não as executam. Também não deves condenar os outros que ainda não fazem cerimónias. Deixa-os fazer como querem; apenas eles não devem interferir contigo que conheces a verdade - eles não devem tentar forçar sobre ti o que já ultrapassaste. Faz concessões em tudo; sê amável sempre.
Agora que teus olhos foram abertos, algumas de tuas velhas crenças, tuas velhas cerimónias, podem-te parecer absurdas, e talvez, de facto, o sejam. Mesmo que já não tomes parte nelas, respeita-as por amor daquelas almas boas para quem elas ainda são importantes. Elas têm o seu lugar, têm sua utilidade; elas são como aquelas linhas duplas que te guiavam a escrever direito, quando eras criança, e até que aprendesses a escrever muito melhor e mais livremente sem elas. Houve um tempo em que precisaste delas; mas agora este tempo já passou.
Um grande Mestre escreveu uma vez: "Quando eu era uma criança, eu falava como criança, entendia como criança, pensava como criança; mas quando me tornei um homem eu deixei de lado as coisas infantis". Porém aquele que esqueceu sua infância e perdeu a simpatia para com as crianças não é o homem que pode ensiná-las ou ajudá-las. Assim, olha para tudo com carinho, gentileza e tolerância; igualmente para todos, Budistas ou Hinduístas, Jainistas ou Judeus, Cristãos ou Muçulmanos."

(Aos pés do mestre - J. Krishnamurti)


Saudações
O Viajante

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Aos pés do Mestre II



Requisitos para o Caminho:

Ausência do desejo

"Há muitos para quem o Requisito da Ausência de Desejo é difícil, pois eles sentem que são seus desejos - que se seus desejos peculiares, seus gostos e aversões, forem descartados, não restará nenhum eu. Mas estes são apenas os que ainda não viram o Mestre; na luz de Sua santa Presença todos os desejos morrem, exceto o desejo de ser como Ele. Por isso, antes que tenhas a felicidade de vê-Lo face a face, podes mesmo assim, se quiseres, conseguir a Ausência de Desejos. A Discriminação já te ensinou que as coisas que a maioria dos homens quer, como riqueza e poder, não são dignas de serem adquiridas; quando isso é realmente sentido, e não meramente dito, cessa todo o desejo por elas.
Assim, tudo é bem simples; só é preciso que tu o entendas. Mas há alguns que deixam a busca das coisas da Terra apenas para ganhar o céu, ou obter a libertação pessoal do renascimento; não deves cair neste erro. Se esqueceste completamente do eu, não podes ficar pensando quando este eu será libertado, ou que tipo de céu terá. Lembra que todo o desejo egoísta acorrenta, por mais elevado que seja seu objecto, e até que o tenhas erradicado não serás de todo livre para te devotares à obra do Mestre.
Quando morrerem todos os desejos pessoais, ainda pode restar o desejo de ver o resultado do teu trabalho. Se ajudas alguém, queres ver o quanto o ajudaste; talvez até mesmo queiras que ele também o perceba, e te seja grato. Mas isto ainda é desejo, e também falta de confiança. Quando empregas toda tua força para ajudar, necessariamente deve haver um resultado, podendo tu vê-lo ou não; se conheces a Lei, sabes que deve ser assim. Portanto, deves agir certo e por amor e não na esperança de recompensas; deves trabalhar por amor ao trabalho, e não na esperança de ver o resultado; deves-te entregar ao serviço do mundo porque o amas, e não podes evitar a entrega.
Não acalentes desejo por poderes psíquicos; eles virão quando o Mestre considerar que é melhor para ti que os possuas. Forçá-los cedo demais frequentemente acarreta muitos problemas; muitas vezes seu possuidor é desviado por espíritos da natureza enganadores, ou se torna orgulhoso e passa a imaginar que não comete erros; e em todo caso o tempo e esforço que é preciso despender para obtê-los poderia ser usado no trabalho para os outros. Eles virão no decurso do desenvolvimento - eles devem vir; e se o Mestre vê que seria útil para ti que os tenhas mais cedo, Ele te ensinará como desdobrá-los com segurança. Antes disso, estarás melhor sem eles.
Deves te guardar ainda, contra certos pequenos desejos que são comuns na vida diária. Jamais desejes brilhar, ou parecer inteligente; não tenhas nenhum desejo de falar. É bom falar pouco; melhor ainda é não falar nada, a menos que estejas certíssimo de que o que desejas falar é verdadeiro, amável e será de ajuda. Antes de falar, pensa se o que vais dizer tem estas três qualidades; se não as tem, não o digas.
É bom te acostumares mesmo agora a pensar com cuidado antes de falar; pois quando atingires a Iniciação deves vigiar cada palavra, senão poderás dizer o que não deve ser dito. Muita conversa comum é desnecessária e tola; quando se trata de maledicência, é coisa má. Assim, acostuma-te a ouvir mais do que falar; não ofereças opiniões a menos que tas solicitem directamente. Uma formulação dos Requisitos para o Caminho apresenta-os assim: saber, ousar, querer, e calar; e a última das quatro é a mais difícil de todas."

(Aos pés do mestre - J. Krishnamurti)

Saudações

O Viajante

terça-feira, 31 de março de 2009

Aos Pés do Mestre


Requisitos para o Caminho:

Discriminação

"Não deve ser difícil escolher entre o certo e o errado, pois os que desejam seguir o Mestre já decidiram assumir o certo a todo custo. Mas o corpo e o homem são duas coisas diferentes, e a vontade do homem nem sempre é a vontade do corpo. Quando teu corpo quer alguma coisa, pára e pensa se realmente és tu quem a quer. Pois tu és Deus, e tu queres apenas o que Deus quer; mas deves mergulhar fundo dentro de ti mesmo para encontrar o Deus interior, e ouvir Sua voz, que é a tua voz. Não tomes teus corpos como se fossem tu mesmo - nem o corpo físico, nem o astral, nem o mental. Cada um deles pretenderá ser o Eu, a fim de obter o que quer. Mas tu deves conhecê-los todos, e saber-te mestre de todos eles.
Quando há trabalho a ser feito, o corpo físico quer descansar, sair para caminhar, comer e beber; e o homem que não sabe diz a si mesmo: "Quero fazer estas coisas, e devo fazê-las". Mas o homem que sabe diz: "Este que deseja não é eu, e deve esperar um pouco". Muitas vezes, quando há oportunidade de ajudar alguém, o corpo sente: "Será muito incômodo para mim; que outro o faça". Mas o homem responde ao seu corpo: "Tu não vais me impedir de fazer uma boa obra".
O corpo é teu animal - o cavalo em que montas. Portanto, deves tratá-lo bem, e cuidar bem dele; não deves extenuá-lo, deves alimentá-lo adequadamente, apenas com comida e bebida puras, e mantê-lo sempre meticulosamente limpo, livre até mesmo da mais diminuta partícula de sujidade. Pois sem um corpo perfeitamente limpo e saudável não podes fazer o árduo trabalho de preparação, não podes suportar sua tensão contínua. Mas deve ser sempre tu quem controle o corpo, e não que ele te controle.
O corpo astral tem os seus desejos - dúzias deles; ele quer que sintas fome, digas palavras ásperas, sintas ciúme, ambiciones dinheiro, invejes as posses alheias, cedas à depressão. Ele quer todas estas coisas, e muitas outras, não porque deseje prejudicar-te, mas porque aprecia vibrações violentas, e aprecia variá-las constantemente. Mas tu não queres nenhuma destas coisas, e portanto deves discriminar entre as tuas vontades e as do teu corpo.
Teu corpo mental quer pensar em si mesmo como orgulhosamente separado, quer pensar muito em si mesmo e pouco nos outros. Mesmo quando tiveres te retirado das coisas do mundo, ele ainda tenta calcular para si mesmo, fazendo-te pensar em teu próprio progresso, em vez de pensares na obra do Mestre e na ajuda aos outros. Quando meditares, ele tentará fazer com que penses nas muitas coisas que ele quer, em vez de na única coisa que tu queres. Tu não és esta mente, mas ela é tua para teu uso; assim, novamente é necessária a discriminação. Deves vigiar sem trégua, ou falharás."

(Aos Pés do Mestre) J. Krishnamurti

Saudações

O Viajante

sábado, 28 de março de 2009

Minha casa meu castelo



Termos como: “a casa de um homem é o seu castelo” ou “eu conheço muito bem os cantos à casa” dão uma ideia de intimidade e segurança que todos sentimos quando falamos da nossa casa em comparação com a “selva” lá fora.
È precisamente esta aparente segurança que nos leva a afrouxar e vigilância e de repente o que era o “paraiso na terra” passa a ser o “inferno”.
Os acidentes domésticos são muito comuns, e mesmo com todo o cuidado, há objectos e situações que representam risco e podem provocar acidentes.
Um tapete que não está devidamente assente com protecção antiderrapante, uma gaveta da cómoda aberta, a porta de um armário, um fio do telefone solto, soleiras das portas não niveladas com o chão e até a falta de iluminação, podem provocar quedas e traumatismos com consequências muito graves.
Mas para além dos riscos colocados pelos objectos existem tambem os que resultam das nossas atitudes pouco cautelosas : andar sobre pisos molhados, húmidos ou encerados, andar de meias ou usar chinelos e sapatos mal apertados, estar em pé em cima de um banco ou cadeira a fazer limpezas ou reparações e mexar em equipamentos electricos com as mão húmidas.
Quatro pessoas morrem diariamente em Portugal vítimas de acidentes domésticos e de lazer, que obrigam ainda ao tratamento hospitalar de 1.665 portugueses por dia, segundo um estudo promovido pela União Europeia (UE).
Oito em cada dez acidentes acontecem em casa, na escola e durante os momentos de lazer e desportivos. Nas habitações, as casas-de-banho, as escadas e a cozinha foram consideradas as zonas mais perigosas.
Pensado nisto ocorreu-me fazer alguns posts com o titulo “Minha casa meu castelo”, sobre a segurança na nossa casa para dar uma ajuda a que no próximo estudo comunitário o número de vitimais mortais portuguesas se reduza bastante.
Irei falar em abstracto dos riscos e das eventuais atitudes de prevenção, não me dirigindo especificamente a qualquer escalão étário. Mais tarde irei colocar alguns posts dirigidos à segurança das crianças, idosos e pessoas com deficiência.

Saudações

O viajante

"Gnōthi seauton"



"Não importa a razão que defendes, certamente será tão importante como a da pessoa que difere de ti"


Foi mesmo a semana do Imperador os “embates” (no bom sentido e sempre apreciados) com a Ido Mind lado a lado com alguns problemas familiares, levaram a que eu sentisse necessidade de me retirar durante uns dias e porque não me considero o dono da verdade, questionar-me sobre alguns dos principios que me orientam .
Ajudado pelas técnicas de meditação que tenho absorvido através das minhas amigas bloggers Salamandra e Shin Tau procurei ligar-me ao Uno e estar receptivo às respostas que todos os seres de luz me quisessem enviar.
A meio da semana dei de caras com o texto “pegadas na areia” que para quem ainda não conhece conta que o Mestre mostrava ao seu discipulo a sua vida como uma caminhada numa praia. Essa caminhada mostrava quase sempre dois pares de pegadas que simbolizavam que o Mestre tinha acompanhado sempre o seu discipulo ao longo da caminhada. Mas um coisa perturbou o discipulo, nos momentos mais dificeis da sua vida havia apenas um par de pegadas na areia e ele então questionou o seu Mestre sobre o porquê dele o ter abandonado precisamente quando mais necessitava dele, ao que este respondeu que não o tinha abandonado e que a razão da existência de apenas um par de pegadas devia-se ao facto de nesses monentos dificeis o Mestre o ter levado ao colo.
Depois cruzei-me com dois textos lindissismos: a "Meditação sobre o Imperador" da Shin Tau e "Uma reflexão sobre o Tarot dos anjos sobre a flexibilidade" da Salamandra que me deram todas as respostas.
Eu tenho consciência que muitas vezes optamos por seguir pelo caminho mais fácil em vez de seguirmos pelo caminho certo, acredito que existem pessoas que gostariam mas não conseguem fazer essa mudança, condicionadas por limitações que muitas delas nem se apercebem. Também acredito que existem outras pessoas que optaram conscientemente por seguir outro caminho e não querem mudar.
Eu sei que é mais fácil fazer o papel da vítima em vez de viver a vida agradecendo tudo de bom que ela nos ensina. Mas também sei que é mais fácil desistir, dizer que não há solução e abandonar, em vez de acreditarmos que nos outos tambem existe um lado bom que podemos trazer à superfície.
Como eu acredito num Deus do amor, do perdão e da segunda oportunidade não posso ser outra coisa que não seja um instrumento da sua paz, para que onde haja ódio que eu reponha o amor, onde haja discórdia que eu leve a união, onde haja dúvidas que eu leve a fé, onde haja erros que eu leve verdade, onde haja ofensa que eu leve perdão, onde houver desespero que eu leve esperança , onde haja tristeza que eu leve alegria, onde haja trevas que eu leve a luz. Que eu procure mais consolar do que ser consolado, amar do que ser amado, compreender do que ser compreendido, pois é dando que se recebe é perdoando que se é perdoado e é morrendo que se vive.

Saudações

O Viajante

sexta-feira, 20 de março de 2009

O direito à esperança



Quem desconhece a história está condenado a repeti-la. (Bertold Brecht)

Está máxima devia estar escrita em letras bem gordas em todos os gabinetes dos políticos deste país.
Não digo isto para falar na crise ou no mau trabalho do governo, digo porque cada vez me alarma mais o crescente desinteresse e até quase desprezo que os cidadãos sentem pelos que (não) elegem. Eu digo, não elegem porque como se pode comprovar a cada acto eleitoral a abstenção é a grande vencedora das eleições.
Passamos da ditadura do partido único para a ditadura dos partidos. Demoramos mais de vinte anos após 25 de Abril para que os partidos com acento parlamentar aceitassem que grupos de cidadãos fora dos partidos pudessem concorrer às autárquicas. Mas a legislação é tão restritiva que é como se essa hipótese não existisse.
Os partidos de governo PS e PSD há muito que refugiados num pragmatismo neo-liberal perderam a sua matriz ideológica confundindo-se e confundindo os eleitores.
Alternam no poder não porque têm ideias para mudar mas porque de tempos a tempos um cai de podre.
Não se preocupam com abstenção porque mesmo que apenas um terço dos portugueses lhes dêem maioria absoluta, eles sentem-se no direito de governar o país como o Salazar fazia, sem dar ouvidos a ninguém, mas muito menos poupados.
Voltando à frase com que comecei, achava melhor que os dirigentes dos partidos, estudassem um pouco de história para perceber como e porquê surgiu o movimento de 28 de Maio de 1926, ou será o autismo uma doença típica dos políticos provocada pela exposição ao poder?
A globalização como tigre de papel que era caiu com a crise económica, na França, nos Estados Unidos, na Inglaterra até na nossa vizinha Espanha a palavra de ordem é consuma produtos nacionais. Isto quer dizer que as medidas proteccionistas estão a chegar portanto o “guarda-chuva” comunitário que nos salvou até agora pode ter os seus dias contados.
A continuarem com esta atitude de manterem o poder a qualquer custo sem se preocuparem em aferir das necessidades dos seus eleitores, ou resolver os reais probleamas nacioanis, alimentando clientelas que se servem do país em vez de servirem o país, os partidos ditos democráticos estão a cavar a sua sepultura e não tarda chegarão os salvadores da pátria, defensores da lei e dos bons costumes, aliás já há muita gente a clamar por eles.
Caros governantes, eu sei que vocês têm um pé-de-meia nas ilhas Caimão ou numa offshore qualquer, mas nós não temos e vamos ter de ficar por cá.
Saudações
O Viajante