terça-feira, 3 de março de 2009

A segurança começa em nós III




Hoje em dia são vários os produtos para extinguir o fogo que temos no mercado. Para além da água existem a espuma que resulta da mistura de determinados produtos químicos com a água e que servem para apagar incêndios em combustíveis líquidos como a gasolina ou em caves, onde por razões de segurança os bombeiros não possam entrar.
Os pós químicos que são produtos que extinguem o fogo normalmente por abafamento e por ultimo o anidrido carbónico também conhecido por Co2 ou “neve carbónica”, um gás que também actua por abafamento mas que devido a alta pressão em que se encontra quando é atirado sobre o fogo saí a uma temperatura muito baixa e em forma de flocos de neve baixando por consequência a temperatura do fogo.
Estes dois últimos produtos são vendidos em contentores cilíndricos de cor vermelha chamados “Extintores” que estamos habituados a ver em edifícios que recebem público e empresas.
A existência de um equipamento desses em nossa casa poderá significar a diferença entre um prejuízo de algumas dezenas de euros e a destruição completa do recheio e até da própria casa.
Embora existam também de água pulverizada, o pó químico ou a “neve carbónica” serão os extintores ideais para termos em nossa casa. Podem ser usados sem restrições em qualquer tipo de incêndio que possa eclodir. Existem extintores de várias dimensões e portanto com diferentes quantidades dos agentes extintores e claro a preços diferentes.
No próximo post direi mais coisas sobre estes equipamentos.
A IdoMind uma amiga blogger “activista da segurança” e que pertence ou pelo menos colabora com a Cruz Vermelha pediu-me para publicitar um pedido da Cruz Vermelha Internacional:
As equipas de socorro perceberam que em quase todos os acidentes de viação, os feridos têm um telemóvel consigo.·Para que em caso de acidente seja possível contactar alguém da nossa família o mais rapidamente possível devemos acrescentar na nossa lista de contactos o numero da pessoa a contactar em caso de emergência. Tal deverá ser feito da seguinte forma: “AA Emergência” (as letras AA são para que apareça sempre este contacto em primeiro lugar na lista de contactos).
A utilidade desta medida é indiscutível, portanto mãos à obra.

Saudações


O Viajante

domingo, 1 de março de 2009

Errar é humano perdoar é divino


No final do Carnaval existem vários rituais de passagem com nomes diferentes mas que têm o objectivo de purificar as almas de todos para o tempo da Quaresma que se segue. O enterro do entrudo, o enterro do bacalhau ou a queima do judas são alguns destes rituais populares.
O falar neste último ritual fez acorrem ao meu espirito algumas ideias acerca do papel de Judas e do seu companheiro de infortunio Poncio Pilatos no julgamente e execução do Senhor Jesus.
Afinal quem eram estes homens e porque razão um traiu a amizade e o outro a justiça?
Judas Iscariotes era um activista político, era o mais letrado do grupo dos apóstolos , tinha boas relações com elementos do Sinédrio e pertencia ao grupo dos zelotes, grupo ultra-nacionalista que lutava contra a presença romana na palestina, ou seja o que hoje se poderia chamar um fundamentalista. Este grupo aguardava ansiosamente a chegada do Messias, que iria expulsar o ocupante romano e restaurar o reino de Judá.
Pôncio Pilatos só é conhecido na história desde que o Imperador Tibério o nomeou governador da província de Judeia no ano 26, ficando praticamente com poder absoluto, embora subordinado a Cesareia. Talvz porque almejasse chegar aos mais altos cargos da hierarquia romana, desde de que chegou àquela provincia afastada do império, Pilatos fez tudo para ser notado pelo seu imperador, provocando algumas conflitos com os judeus, que acabaram por ser resolvidas pelo seu superior hierarquico que se encontrava na provincia proxima da Cesareia quase sempre a favor dos judeus.
E se Judas não tivesse entregue Jesus e Pilatus não tivesse “lavado as mãos” como teria ficado o plano divino para a nossa Salvação?
Estavam estes homens à partida condenados a serem o traidor dos traidores e o egoista dos egoistas?
Será que Deus ou o seu enviado Jesus manipularam estes homens no sentido de realizar o Plano?
Judas foi um dos doze que se aproximou de Jesus no inicio da sua vida pública. Como era dos mais instruidos Jesus nomeou-o tesoureiro da comunidade o que naturalmente deve ter causado alguns problemas com os outros.
Judas, mais do que o Salvador religioso via em Jesus um lider político e militar que deveria conduzir os isrealitas à vitória sobre o ocupante romano.
Todas os milagres que Jesus foi realizando foram dando a Judas cada vez mais a certeza de que Jesus era o Messias de Deus.
Contudo as afirmações de Jesus que o seu reino não era deste mundo ou “daí a César o que é de César e a Deus o que e de Deus” conjugadas com a sua falta de planos para a tomada do poder desiludiram Judas que no seu ardor militante deve ter arquitectado um plano que a seu ver obrigaria Jesus a assumir o seu messianismo. Convencido pelos sacerdotes que apenas o iriam prender durante a Pascoa para evitar que causasse problemas no templo com as sua pregações, Judas entregou o seu amigo e Mestre esperando uma reacção da parte de Jesus.
Para seu espanto Jesus não só impediu Pedro de o defender como também caminhou para a cruz sem quase falar em sua defesa e ao contrário do prometido a prisão pascal passou a execução.
Claro que esta situação foi demais para Judas que cometeu o único crime que lhe pode ser apontado suicidou-se
Quanto a Pilatos ele sabia que mais confusões com os judeus só iriam complicar a sua carreira e quando os judeus se recusaram a entrar no pretorio para não se contaminarem para a celebração da Pascoa é Pilatos que numa atitude sem precedentes, aceita vir ter com eles ao exterior para julgar Jesus. Apercebendo-se que o problema é religioso, para ganhar as simpatias dos judeus tem a atitude que todos conhecemos, lava a mãos e diz que não tem nada que ver com a morte de Jesus, isto apesar dele ter sido torturado e crucificdo por soldados romanos.
Ninguem nasce para ser conhecido como o traidor dos traidores ou o egoísta dos egoístas. Tambem não acredito que Deus na sua justiça tenha manipulado esses dois homens levando a que fizessem coisas tão negativas.
Como já disse muitas vezes, acredito que até mesmo aqueles que surgem na nossa vida e nos causam problemas o fazem por amor. Muitas vezes é precisamente quando somos confrontados por alguém ou alguma coisa que consideramos negativa é que fazemos vir ao de cima o melhor de nós.
Tanto Judas como Pilatos faziam parte do plano encabeçado por Jesus para a elevação vibratória do planeta e para salvação da raça humana, então porque não pensar que eles tal como Jesus se sacrificaram para que tudo fosse consumado?
Se durante dois mil anos a justiça dos homens foi implacavel com Judas e Pilatos talvez nesta era iluminada pela luz do Espirito seja a altura de se rever a sentença.


Saudações


O Viajante

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

A segurança começa em nós II







"Se te conheceres mas não conheceres o teu adversário, em cem batalhas só vencerás cinquenta”



Na sequência do post que coloquei no outro dia sobre a segurança hoje irei falar de um assunto mais técnico que vou tentar que não seja aborrecido.
Lembrando a frase sobre a importância de conhecermos os nossos adversários, gostaria de falar sobre um presença assídua em nossa casa. Normalmente bem comportado mas que quando põe as garras de fora pode destruir em poucos minutos o trabalho de uma vida ou até a própria vida. Estou a falar do fogo.
O fogo como a respiração ou a ferrugem é uma reacção química, que tem uma particularidade importante, liberta calor.
Esta reacção química, que tem o nome técnico de combustão, para acontecer precisa da presença de três elementos o chamado “Triângulo do Fogo”:
O combustível – o que arde
O Oxigénio – o que ajuda a combustão
O calor – o que inicia a combustão
Depois de se libertar de controlo, o fogo passa a ser um “incêndio” e para o dominarmos temos de o ver como se fosse um ser vivo já que ele respira, alimenta-se e desloca-se.
Tendo em conta que ele alimenta-se do combustível, precisa do oxigénio para respirar e do calor para se propagar, as formas de o dominarmos passam pela supressão de um ou dois dos elementos que fazem parte do “Triângulo de Fogo”, existindo assim três técnicas de extinção do fogo:
Por carência – retirar o combustível
Ex: fechar o gás perante um incêndio no fogão
Por abafamento – retirar o oxigénio
Ex: colocar um cobertor sobre uma pessoa com roupas em chamas
Por arrefecimento – retirar o calor
Ex: deitar água sobre uma fogueira.
Um dos incidentes mais vulgares na nossa cozinha é a inflamação do óleo na frigideira. Embora não seja um combustível perigoso, como a gasolina, o óleo alimentar liberta grande quantidade de calor quando se inflama. Assim perante esta emergência os procedimentos deverão ser os seguintes:
1. Desligue o gás
2. Não utilize água directamente sobre as chamas já que vai provocar o derrame do óleo, espalhar o fogo e pode provocar queimaduras graves
3. Arranje uma tampa de panela que tenha um diâmetro maior do que a frigideira e coloque sobre a frigideira. Mantenha a frigideira tapada por alguns minutos até a temperatura do óleo baixar
4. Se não tiver uma tampa use uma tolha mas antes molhe bem a toalha no lava-louça, escorra a água que tiver a mais, dobre-a ao meio e coloque sobre a frigideira. Mantenha a toalha sobre a frigideira durante alguns minutos para o oleo arrefecer
Saudações

O Viajante




terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

O Carnaval na Terceira



Mais um tempo que na Terceira se reveste de caracteristicas quase únicas em todo o país.
Durante os três dias de Carnaval grupos de teatro popular deslocam-se por toda a ilha, actuando em colectividades que estão normalmente cheias para os ver.
As "Danças" e os "Bailinhos" como são designados, são grupos que poderão chegar a vinte elementos. Representam uma pequena peça, que pretende fazer uma crítica a determinadas situações sociais e ou políticas. Na maior parte das vezes de forma cómica e divertida com as chamadas “Danças de Pandeiro” e “Bailinhos” ou de forma mais séria levando por vezes a assistência às lagrimas como é o caso das “Danças de Espada”.
As “Danças de Pandeiro” são assim chamadas porque o elemento que por vezes vai fazendo o papel de narrador tem um pandeiro que utiliza para ritmar o resto do grupo e fazer algumas evoluções no palco tocando este instrumento. Quando são dois os tocadores de pandeiro dá para apreciar a sintonia dos seus movimentos.
A diferença entre uma “Dança” e um “Bailinho” tem sobretudo a ver com a riqueza dos trajes utilizados pelos participantes.
Este ano serão sessenta o numero de “Danças e Bailinhos”, isto implica que cerca de mil e duzentas pessoas estão directamente envolvidas, metade das quais toca instrumentos musicais para além de representar.
Além destes existem mais umas quantas centenas de costureiras que confecionam os trajes, empresários e entidades publicas que facilitam transportes e as colectividades que normalmente recebem estes grupos com comida.
A importância não só cultural como social deste fenómeno, ainda se acentua mais quando tomamos consciência que tudo isto acontece numa ilha com cerca de sessenta mil habitantes.


Saudações


O Viajante








segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Bombeiros da nossa terra

(Equipa de Salvamento de Grande Angulo do CB Peniche)


Nos comentários que fez ao meu post “A segurança começa em nós” a amiga blogger Shin Tau colocou algumas questões sobre o salvamento das pessoas de dentro casas em chamas ou sobre o estado de espírito dessas pessoas.
Quando vejo o filme “Mar de Chamas” com todos aqueles incêndios espectaculares, dou graças a Deus pelo facto de felizmente, tanto para os bombeiros como para as vítimas, na esmagadora maioria das vezes, as coisas não acontecerem assim.
Nas pequenas localidades com edifícios de pouca altura e pequenas superfícies tanto industriais como comerciais, os incêndios de grande dimensão são em número reduzido.
Outra coisa que sucede nos meios pequenos é que nós conhecemos os vizinhos sabemos se estão em casa ou não, se estão doentes ou se são idosos. Normalmente quando os bombeiros chegavam ao local os moradores já tinham saído da casa, pelos seus meios ou ajudados pelos vizinhos. Que eu me lembre apenas duas vezes tivemos de tirar pessoas dentro de um edifício, sempre mãe e filhos, nunca por causa das chamas, sempre por causa do fumo.
Mas se as vítimas mortais dos incêndios foram pouco mais de vinte, as provocados por acidentes rodoviários ou de trabalho e acidentes no mar foram muito superiores.
Aí houve situações em que de facto sentimos que fizemos a diferença, conseguimos salvar vidas. Aliás dois elementos do meu Corpo de Bombeiros o Rui e o Zé Tó, receberam o prémio de “Bombeiro do Ano” pelo facto de apesar das condições dificílimas terem entrado por mar dentro com um bote de borracha e terem salvo dois surfistas que já não conseguiam chegar à costa.
A esmagadora maioria dos bombeiros em Portugal são voluntários ou seja dão algum do seu tempo livre para aprenderem, prestarem serviço no quartel e sempre que a sirene toque, (sim porque embora nas grandes cidades já não haja, nas pequenas os bombeiros são chamados ao quartel sempre que necessário a qualquer hora do dia ou da noite por uma sirene) acorrerem a salvar quem precisa.
O stress emocional e o facto de ao longo do tempo de serviço assumirem o pouco do karma daquelas pessoas, que ao seu lado sofrem entre a vida e a morte, transformam a alma de qualquer um, dão-lhe uma perspectiva mais precisa de quão atentos devemos estar ao Caminho e aos outros.
Durante os meus mais de vinte e cinco anos de serviço o Corpo de Bombeiros de Peniche perdeu dois bombeiros por acidente, o Leiria, electricista de profissão e a Amélia, doméstica e mãe, iam a caminho do incêndio e nunca chegaram lá.
Pois é o regulamento tem destas coisas, diz que temos de ir mas não diz nada em relação ao voltar.
Saudações
O Viajante

domingo, 22 de fevereiro de 2009

A Contemplação


Pois para que o mundo saiba que na Ilha Terceira de Jesus Cristo no arquipélago dos Açores, fazendo jus a uma tradição que já muito antiga, existem pessoas, como o caso do autor do texto abaixo, que num jornal local plantam na mente de todos os que os leem as sementes do um futuro pensamento ocidental menos enredado nas teias que os sistemas económicos foram tecendo


Saudações


O Viajante


A CONTEMPLAÇÃO
"A alienação capitalista na qual vivemos atolados insinua ser a contemplação preguiça, o que é falso. Ela também não é descanso: o descanso é uma necessidade física e a contemplação uma urgência espiritual. O ser humano é, por natureza, capaz de espiritualidade, viverá aquém das suas capacidades se não corresponder a este apelo.
Deve distinguir-se, ainda, entre contemplação e oração; a oração é, em parte, contemplação, mas a contemplação não carece de ser religiosa. Basta ser racional para precisar de contemplar. Antes do Cristianismo, a Grécia filosófica referiu-se ao ócio como via para atingir o «Conhece-te a ti mesmo».
Desesperados com o trabalho imoral, os ocidentais viram-se para técnicas orientalizantes de contemplação, esquecidos da tradição ocidental neste campo. Acontece ser esta troca fatal: o Oriente, em regra, usa a contemplação para esvaziar a interioridade de toda a marca individual, o que é o contrário do «Conhece-te a ti mesmo». Procuram o Nada e nós o Ser.
O acto introspectivo não deve parar no degrau psicologista. O «Eu assim, eu assado» está a léguas da paz interior. O luxo da nossa Língua afirma: “contemplar” também é “dar”: «Fulano foi contemplado com uma viagem à lua». O acto reflexivo termina nas mãos.
O exemplo maior de tudo isto volta a ser a Arte, a excelência do trabalho. O artista actual fala da sua “produção”, o que é ser tolo. O produto é o contrário da obra de arte e o artista não é máquina. Precisa de parar para reflectir, como a terra tem seu pousio.
Parar. Olhar o mundo. Escutar o mundo. Ouvir a voz interior.
“Cair em si”.
Ai de nós, colocamos música nas lojas, nas ruas, em máquinas pelos ouvidos adentro.
Temos medo do silêncio.
Asfixiamos." -
Mário Cabral in Diário Insular

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

A segurança começa em nós I

Como fui bombeiro durante mais de 25 anos achei que poderia transmitir alguns conhecimentos nesta área que fossem úteis a todos os que passam por este blog. Por isso de tempos a tempos vou colocar um post com a indicação das atitudes a tomar perante situações que envolvam riscos diversos, nomeadamente o fogo.
Para já diria que os locais onde ocorrem os sinistros são muito perigosos pelo que o facto de actuarmos de acordo com as normas não nos coloca automaticamente fora de perigo, poderão existir outros factores que não estamos a ver ou que desconhecemos.
Hoje vou deixar algumas regras práticas que poderão utilizar caso sejam surpreendidos pelo fogo dentro de um edifício:

1. Procure sair do edifício rapidamente
2. Utilize os caminhos de evacuação assinalados e as saídas de emergência
3. Nunca utilize os elevadores desça pelas escadas, os elevadores podem parar e as pessoas no seu interior poderão morrer asfixiadas
4. Se houver muito fumo e calor procure deslocar-se o mais próximo possível do solo até uma porta ou janela, o ar junto ao chão é mais fresco e tem mais oxigénio
5. Se chegar a uma porta apalpe as ferragens se estiverem quentes não abra.
6. Se chegar a uma janela chame a atenção de alguém na rua, gritando ou até atirando algum objecto, mantenha a calma e aguarde que o salvem
7. Se a sua roupa começar a arder, não corra, deite-se no chão, proteja a cara com as mãos e role para a esquerda e para a direita até apagar as chamas.
Como o saber não ocupa lugar espero que este primeiro post tenha despertado a curiosidade para os próximos.



Saudações

O Viajante

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

"Nem tudo o que luz é ouro"


Todos os que me conhecem sabem que não sou uma pessoa de posições radicais, procuro ser ponderado e sobretudo acho que o nosso caminho tem de ser “O Caminho do Meio”.
Como diz o povo o que é demais cheira mal. Tudo o que é levado ao extremo perde as suas características boas e transforma-se em algo prejudicial.
Eu acredito que a sociedade gera no seu interior as forças que a transformam, mas também que a estabilizam.
Quando falo em ser em vez de ter não estou a falar em deixarmos a nossa casa e irmos viver para a montanha, transformarmo-nos em místicos ou ascetas (o que aliás seria impossível) estou a falar em olharmos para dentro ouvirmos aquilo que o ruído desta correria incessante em que vivemos do sempre mais, nos impede de ouvir.
Somos completamente dominados pela economia e pelo consumo desenfreado tudo compramos e julgamos que tudo se pode comprar. Como diz o Rogério o dinheiro pode não trazer a felicidade mas pode comprar os confortos.
Podemos estar bem alimentados sem estar obesos, podemos ter uma casa confortável sem a termos cheia de coisas inúteis. Há pouco mais de cinquenta anos no nosso país poucos tinham automóvel, não tínhamos televisão, frigorífico e muito menos computador, ou telemóvel. Éramos um país pobre (como hoje somos, só que hoje vivemos de aparências) e apesar do sistema político ditatorial nunca fomos um povo cinzento ou infeliz.
Se olharmos para as grandes correntes filosóficas como o Budismo o Hinduísmo, Confucionismo, elas vieram de países que até há bem pouco tempo atrás tinha grandes carências, de acordo como o nosso ponto de vista.
A procura de algo mais para além das necessidades da pirâmide de Maslow não nos é induzido por qualquer acção de marketing publicitário. É a necessidade profunda de descobrirmos a nossa verdade interior e dar reposta à pergunta que nenhum sistema cientifico-tecnólogico nem nenhuma capacidade económica permitem responder: qual é o meu papel no processo da evolução do Cosmos. E claro há pessoas que sentem essa necessidade e outros não.
Saudações
O Viajante

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Transtorno Afectivo Bipolar

Quando publiquei um dos meus posts com o título “É de pequenino…” uma amiga blogger do outro lado do oceano na “Cidade maravilhosa”, comentou no meu blog despertando a minha curiosidade para uma doença que afecta muitas pessoas em tudo mundo, o Transtorno Afectivo Bipolar. No seu blog “Para além da borda” ela publicou um depoimento impressionante feito na primeira pessoa por uma doente. Pedi-lhe que me autorizasse a publicação deste testemunho. Espero que sirva para nos sensibilizar para todos os que sofrem deste mal e que podem ser nossos familiares, amigos, vizinhos ou colegas de trabalho. Espero também que contribua para alertar pais e educadores para os sinais permitindo uma intervenção o mais precoce possivel
Um abraço

O Viajante

O mundo é bom, mas é ininteligível”.
Adélia Prado


“O que é pior: uma notícia de morte ou uma doença incurável? A pergunta martelava dentro do meu cérebro durante todo o trajecto de volta. A cabeça encostada no vidro, o corpo exausto na poltrona, olheiras e alguns quilos a menos, misturados a uma vontade quase visceral de gritar. Assim suicida, no meio de um autocarro. Eu havia dito “não é possível”, eu disse, eu falei bem alto “não há casos na família”, encontrei motivos para cada escala da minha montanha-russa e fatos “bem datados” da minha biografia. E o pior é que, no fundo, eu sabia ser verdade. Quando a gente recebe uma notícia de morte é como se o tempo parasse, subitamente as palavras perdem seus significados e se transformam em um amontoado de sons, in-su-por-tá-veis. Em instantes um arrepio varre o corpo do calcanhar à nuca, o corpo inteiro treme e logo é invadido por uma sensação de queda, os sentidos se armam e a adrenalina corre no sangue como se fosse explodir nas veias. Parece que nunca termina. A frase é repetida uma centena de vezes na cabeça até que se entenda a aridez do que é a morte. Sua terrível concretude. Mas, ainda assim, a morte é externa. Já, quando se recebe a notícia de uma doença incurável, a primeira sensação é a negação. “Há algum erro, isso não pode ser possível”, ou “você está brincando”, ou o silêncio sardónico e incrédulo de quem abrirá a porta de saída e imediatamente procurará uma “segunda opinião”. Só que, no fundo, bem no fundo mesmo da alma, a gente sabe o que é verdade e busca desculpas para si. “Por que comigo?”“, com tanta gente no mundo, por quê logo a mim?” Não há como escapar. De repente é como se a gente acordasse em uma outra vida. Aquele não é mais o nosso corpo, é qualquer outra coisa totalmente alheia e quase irreconhecível. Então vem o medo, o pavor daquilo ser “eterno”. E o horror de não poder ir embora. Assim foi quando me disseram. Depois, quando a gente já procurou a terceira e quarta opiniões, e já está ficando ridículo simplesmente não aceitar o que já é um fato, a gente fica meio que histérico e apavorado por informação. Cata em tudo quanto é canto qualquer coisa: depoimento, carta, artigo, livros de diagnóstico, sítios da Internet, quadrinhos. E fica revivendo aquele assunto por uma infinidade de dias, mais ou menos o tempo da próxima consulta. Aí, a gente toma finalmente coragem e começa o tratamento. É assim com todo mundo, e foi assim comigo também.
É claro que antes o médico já fez o histórico da sua “doença”, já sabe +/- em que tipo ou subtipo você se encaixa, quantas crises você já teve, quando a doença começou a fincar seus tentáculos e a destroçar suas emoções. Seu cérebro, embora extremamente capaz e criativo, vivo, produz neurotransmissores de forma diferente. E isso, fundamentalmente biológico, possui reflexo nas suas emoções e comportamento de tal forma que é como se você estivesse em uma montanha-russa: às vezes lá em cima, às vezes lá em baixo. Isso, para seu desespero, acontece com frequência. No meu caso, em uma questão de dias (ciclagem rápida, como chamam).
E, sendo assim, o médico, e somente ele, decide que tipo de medicação você terá que tomar continuamente (eufemismo para “o resto da vida”), e a melhor forma de te “tirar” da fase aguda (eufemismo para “mais remédios”) da crise. Eles são chamados: estabilizadores de humor. São o famoso lítio, o ácido valpróico, o divalproato de sódio, a onlazapina e a carbozepina. O primeiro é o mais usado e o indicado para as modalidades “clássicas” da doença. O segundo e terceiro para os cicladores rápidos, como a voz que vos fala.
Nada se compara à sensação de perda de autonomia que a necessidade de uma medicação de uso contínuo produz, ainda mais quando esta possui efeitos colaterais importantes. A vontade de parar é enorme. Mesmo sendo uma pessoa responsável, ciente dos riscos, parei o tratamento diversas vezes. Não preciso dizer que quase morri. Por isso sei que não há nada pior do que a doença, perto dela os efeitos colaterais são vidro, estilhaçam-se no chão. Depois soube pelo Doktor que isso acontecia também com todo mundo. Certa vez, quando eu estava visivelmente doente, numa das piores depressões que experimentei, pálida feito um papel, choramingando para falar num tom de voz ínfimo, trémula, resumindo - um fiasco - uma grande amiga me disse “Você havia melhorado. Por que parou? Você devia pensar não no fato de que você vai ter que tomar os remédios para sempre, e sim, no fato de ainda bem que eles existem para te ajudar a sair dessa”.
Guardei a frase. Havia sido a mais sensata dos últimos dez anos da minha vida. E olhando para trás, para tudo o que perdi, as pessoas a quem assustei, preocupei e prejudiquei de alguma forma, para as coisas inacreditáveis que fiz: andar no meio dos carros com um headphone aos berros nos ouvidos e cantarolando músicas de todo tipo, feliz da vida achando que nada poderia me atingir ou machucar; ficar depois da linha amarela do metro só para sentir o vento dos vagões passando em alta velocidade bater no rosto; sentir uma vontade de falar sobre tudo o que vinha à mente para t-o-d-a-s as pessoas, inclusive para as não conhecidas; atrapalhar conscientemente o trabalho alheio; fazer duas faculdades enquanto fazia dois estágios e escrevia dois livros e lia, lia, lia, dormindo pouco e me sentindo bem (a parte perigosa da montanha-russa – a que ilude, inebria, atrai, seduz e faz você perder os amigos, o dinheiro e o respeito das pessoas); para em questão de dias, parar de comer; ficar exausta e falando quase nada, saindo de casa o mínimo possível e pela garagem (para não ter que dar bom dia para o porteiro e não correr o risco de encontrar nenhum vizinho simpático); perder o interesse pelas coisas; ver as notas baixarem; ver tudo perder o sentido; cada ato tornando-se penoso e insuportável; pensar o tempo todo em morte e planejar que ela aconteça, e rápido (a parte perigosa da montanha russa – a que te faz perder o emprego, o estudo, e, falando em bom português, podendo te levar ao suicídio). Não quero nada disso para mim, quero experimentar a vida como ela é, não quero lentes.
E para que isso ocorra, tenho que ser forte e acordar forte todas as manhãs e saber que embora minhas mãos tremam e me impeçam de tocar piano (uma das minhas paixões), hesitando como se eu tivesse oitenta anos, tenha falhas de memória e uma gastrite, nada é comparável ao desespero de uma crise e da vontade de sair dela. Ainda que, por mais paradoxal que seja, já que não é uma doença rara, seu tratamento custe muito caro e uma crise me possa levar o emprego. É muito melhor acordar todas as manhãs e ver a beleza de um dia de sol.
Tudo bem que me consola o fato de que Bethoven, Van Gogh, Faulkner, T. S. Elliot, Virgínia Woolf, Joyce e outros também sofressem do distúrbio e tenham, apesar disso, e melhor, com isso, deixado para a humanidade obras incríveis. Sei que se todos eles, e todos nós, pudessem, e pudéssemos escolher, não o escolheriam, e não escolheríamos, e talvez preferissem/ preferíssemos não deixar nada tão brilhante assim se isso lhes/ nos custassem, como custou, partes importantes de suas/ nossas vidas.
Assim como não concordo com absurdos proferidos por pessoas cuja acuidade mental deve ser mais ou menos próxima a de uma trepadeira, que insistem em dizer coisas do tipo: -ah, conheci um bipolar que não era assim como você; ou, -você deve fazer uma forcinha e parar com os remédios, você pode viver sem eles; ou aqueles que pensam que somos perigosos e incapazes. Pois fiquem sabendo que a vivencia existencial de uma pessoa é única, portanto, a forma como a doença se manifestará também é única; e embora isso não seja regra geral, muitos dos mais sensíveis e inteligentes membros da sociedade são portadores dela e não raro perdem suas vidas desnecessariamente por esse tipo de covardia moral que é o estigma. Fazendo com que muitos jamais procurem tratamento por medo de assumir, até para si próprios (como aconteceu comigo), que sofrem de uma doença mental, pois sabem intimamente que a sociedade que os circunda, inclusive a família, não irá aceitar e rejeitará ter que oferecer para esses que destoam algo que ela não pode dar, porque não entende. E não entendendo, simplesmente, abandona.
Eu nunca pensei que falaria sobre isso. Na verdade, sempre fiz por negar sua existência, por mais de dez anos fingi nada saber a seu respeito. Achei que, negando-a sempre, ela acabaria por me deixar. Não deixou: agravou-se. Meu desempenho intelectual, mesmo com a doença e as consequentes depressões, era e é acima do normal, mesmo eu sabendo que não estava rendendo nem um terço da minha capacidade. E ficava melhor e mais visível nas fases de hipomania/ mania quando minha timidez diminuía e a capacidade de expressão aumentava. E eu fui me iludindo, achando que mantinha algum controle, que as emoções negativas e positivas jamais teriam autonomia sobre mim, vendo os espaços de tempo entre uma fase e outra diminuindo, a intensidade aumentando, até que ficou incontrolável. Quase larguei a faculdade no penúltimo período, relaxei nos estágios, emagreci dez quilos, quis me matar diversas vezes. E por mais que me saltasse aos olhos que algo de profundamente errado estava acontecendo, ainda assim eu me recusava a procurar ajuda por medo de ter a minha capacidade posta em xeque. Essa era a parte lúcida, a única, da minha mente, que ainda me protegia. No entanto, essa mesma mente se recusava a perceber que a minha vida era o que estava realmente em xeque. Minha capacidade intelectual está preservada. Completamente. Então, percebi que ao calar a doença, evitar ao máximo que as pessoas soubessem era uma forma covarde de agir. Quantos como eu precisarão de dez anos de sofrimentos inenarráveis para procurar tratamento? Não adianta fugir, como eu disse, não há escapatória. Eu fugi da luta enquanto pude, erradamente. Não falar, não só é uma forma de ser conivente como é um atentado contra a minha dignidade, contra tudo o que eu acredito enquanto valores. Eu, que jamais julguei ninguém. Eu, que fui criada para amar meus semelhantes e a mim mesma acima de todas as coisas. Isso está, e estará, irremediavelmente acima de todo e qualquer preconceito. E toda a vez que eu o fizer estarei prejudicando outros na mesma situação, fragilizados por uma doença devastadora se não controlada, que tem tratamento. E me juntarei aos covardes que me estigmatizam. Não. Somente quem já viu a morte de perto sabe o tamanho de seu poço. Não. Renuncio ao confortável silêncio dos meus comprimidos e da minha casa, à minha arrogância, à minha pretensão para não jogar no lixo minha essência e meu carácter. Não sou e jamais serei uma avestruz. Prefiro dar a cara para bater.
E cá estou, incólume, em casa, formada e já sem emprego, contando essa história para vocês”

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Direito por linhas tortas


Penso que já em tempos mencionei que uma entidade superior canalizada por um humano teria dito em 1990, mais coisa menos coisa, que na era da Nova Energia que se aproximava. as organizações financeiras seriam o grande problema. Quer pela dor e sofrimento que iam causar quer pelo facto de ser necessário que novas prioridades fossem definidas e também novas formas de relacionamento entre as pessoas, para que o dinheiro passasse a ser cada vez mais um meio e nunca um fim.
No meu post “Senhor fazei que eles vejam” a sempre apreciada IdoMind colocou a questão que vale o milhão de dólares (também podem ser euros): Será que o universo com a crise, privando-nos daquilo que nos “distraía”, o dinheiro, não nos está a dar a dica para começarmos a viver em vez de fingirmos que vivemos, como fizemos até aqui?
Como nunca acreditei em coincidências acho que temos de aproveitar esta oportunidade e mudarmos certas coisas.
Temos que nos focar no “ser” e não no “ter”. Os medos, a luta pelo poder, as guerras, a corrupção, o sofrimento resultam desta subtil diferença. Os homens passam metade da vida a acumular bens materiais como se fossem viver para sempre e depois passam a outra metade com medo de os perderem.
Obrigada IdoMind de facto a minha amiga pôs, como diz o povo, o dedo na ferida. Importa agora mudar as coisas.


Saudações


O Viajante