sexta-feira, 15 de agosto de 2008

O rei vai nu


Antes das férias em troca de correspondência com um amigo levantei questão da subida das taxas de juro feita sistemáticamente pelo BCE para de acordo com os seus responsáveis combater a inflacção.
Tendo em conta que o aumento dos preços se deve sobretudo ao aumento dos combustíveis e das matérias primas, ou seja no caso da UE é uma inflacção importada, não estava a ver como a subida das taxas iria impedir esse aumento.
A subida das taxas de juro tem entre outros efeitos a diminuição do investimento das empresas, o aumenta o desemprego e o aumento dos gastos com a habitação.Os custos sociais graves que advêm destas medidas devem ser ponderados em função dos resultados que se esperam com a sua implementação, que na minha opinião serão nulos se não baixarem os custos dos combustíveis e das matérias primas.
Por isso fiquei surpreendido pelo facto de apenas o presidente da França e o primeiro ministro de Espanha terem criticado estas medidas. Nem o nosso governo nem os economistas da nossa praça vieram a público fazer algum comentário, que eu tenha ouvido.
Daí que teria ficado muito contente se de facto a situação não fosse trágica quando um antigo governador do Banco de Portugal disse de forma desassombrada que não entendia a actuação do Banco Central Europeu.
Ora até que enfim alguem gritou “O rei vai nu” . Estou a começar a ficar farto de uns quantos senhores que ninguem elegeu, controlarem a nossa vida sem poderem ser questionados, são os dirigentes dos bancos, das multinacionais, os especuladores da bolsa, decididamente temos de propor para o Nobel o homem que inventou o neo-liberalismo económico.
Enquanto escrevia estas linhas ocorreu-me outra razão para o aumentos das taxas de juros, talvez o BCE queira aumentar os depositos nos bancos da zona euro para eles poderem enfrentar os problemas resultantes da crise do “sub-prime”americano, ou seja eles metem água nós pagamos .

Saudações

O Viajante

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Ainda a Geórgia


“Estados Bálticos defendem a integridade da Geórgia”. Ora essa!! não apoiaram e reconheceram a independência do Kosovo então porque não a da Ossetia, e da Abkazia.
Pois quarenta anos sob domínio soviético não foi pêra doce mas se querem continuar a existir mesmo na UE habituem-se a negociar seja com os russos ou com outros quaisquer, porque não será o escudo anti-missil nem a Nato espalhada por diversos teatros de operações que poderá enfrentar as forças armadas da Rússia.
Tal como os americanos os russos não brincam em serviço e portanto vamos acabar as humilhações à Rússia. Eles são um povo orgulhoso que não aceita ser humilhado, repórteres de guerra como o da Skynews que praticamente na sua reportagem se limitou a insultar os militares russos não dão uma boa imagem da comunicação social ocidental imparcial.
Não morro de amores pelos russos mas tenho que reconhecer que a comunicação social algo injustamente colocou-os no papel dos maus da fita, criticando até o facto de eles terem ameaçado ir para Tiblissi e depois terem voltado para à Ossétia. Então não foi isso que os Estados Unidos fizeram na primeira guerra do golfo, avançaram para Bagdad e depois voltaram para trás?
A procura do inimigo externo para desviar a atenção dos problemas internos tem sido ao longo do tempo uma técnica utilizada por muitos dirigentes. Só assim se pode justificar esta aventura militar da Georgia.


Saudações


O Viajante

Novamente a guerra

Como e que um responsável político de um país com cerca de 4,4 milhões de pessoas desencandeia uma acção militar que ele sabe à partida vai provocar a resposta de outro país com capacidades militares de longe superiores às suas.
Na quinta feira da semana passada a Georgia ataca a Ossetia do Sul mantando centenas de civis e alguns soldados russos da força de manutenção de paz. Claro que a resposta russa não se fez esperar.Contudo segundo pude apurar na sexta feira a Russia pediu uma reunião do Conselho de Segurança para tentar acabar com a guerra mas espante-se os americanos e britânicos não concordaram com o texto que os russos propunham especialmente com a frase em que se pedia a ambas as partes para renunciarem ao uso da força, ou seja apoiavam o ataque da Georgia.
Com a resposta militar de Moscovo as críticas choveram lideradas por elementos da Adminsitração Bush e pelo futuro candidado americano senador McCain que vem exigir a intervenção da Nato e uma reunião imediata do conselho de segurança, ele talvez não soubesse da primeira .
E agora como vai ser, depois do apoio generalizado à independência do Kosovo não se vai apoiar a vontade dos residentes da Ossetia, ou da Abkazia que tal como os kosovares tem direito a ser independentes?
A Georgia tem feito lobby nos Estados Unidos para a sua entrada na Nato, lobby esse feito por um senhor ligado ao senador McCain. Se por caso isso tivesse sido conseguido lá teria a Nato, ou seja a Europa e os Estados Unidos, que entrar em guerra com a Russia, o que julgo não deveria ser nada saudável especialmente para os europeus.
Normalmente os senhores da guerra sejam eles americanos ou russos semeiam as guerras mas nunca morrem nelas, nem eles nem ninguém da familia deles.
Quanto à frase da secretária Rice de que a Russia não pode atacar um vizinho só porque ele não é bom vizinho só me merece um comentário: falta de memória.


Saudações


O Viajante

Novamente a guerra

Como e que um responsável político de um país com cerca de 4,4 milhões de pessoas desencandeia uma acção militar que ele sabe à partida vai provocar a resposta de outro país com capacidades militares de longe superiores às suas.
Na quinta feira da semana passada a Georgia ataca a Ossetia do Sul mantando centenas de civis e alguns soldados russos da força de manutenção de paz, claro que a resposta russa não se fez esperar.Contudo segundo pude apurar na sexta feira a Russia pediu uma reunião do conselho de segurança para tentar acabar com a guerra mas espante-se os americanos e britanicos não concordaram com o texto que os russos propunham especialmente com a frase em que se pedia a ambas as partes para renunciarem ao uso da força, ou seja apoiavam o ataque da Georgia.
Com a resposta militar de Moscovo as criticas choveram lideradas por elementos da Adminsitração Bush e pelo futuro candidado americano senador McCain que vem exigir a intervenção da Nato e uma reunião imediata do conselho de segurança, ele talvez não soubesse da primeira .
E agora como vai ser, depois do apoio generalizado à independência do Kosovo não se vai apoiar a vontade dos residentes da Ossetia, ou da Abkazia que tal como os kosovares tem direito a ser independentes?
A Georgia tem feito lobby nos Estados Unidos para a sua entrada na Nato, lobby esse feito por um senhor ligado ao senador McCain . Se por caso isso tivesse sido conseguido lá teria que ir a Nato, ou seja a Europa e os Estados Unidos, entrar em guerra com a Russia o que julgo não deveria ser nada saudável especialmente para os europeus.
Normalmente os senhores da guerra sejam eles americanos ou russos semeiam as guerras mas nunca morrem nelas, nem eles nem ninguem da familia deles
Quanto à frase da secretária Rice de que a Russia não pode atacar um vizinho só porque ele não é bom vizinho só me merece um comentário

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Os escravos ainda existem









Hoje dei conta na minha caixa do correio electrónico de mais uma pérola do neo-liberalismo capitalista.

Algumas fotos da fábrica de calçado de uma das maiores cadeias de sapatarias da Índia a “Catwalk”.

O trabalho é quase todo manual e feito nas condições que as fotos mostram.

Reparem que para rentabilizar o espaço foram montadas umas estantes de forma a duplicar o número de postos de trabalho (Nem "Imelda Matt-Despotic Queen of Shoes"na sua fábrica teve esta ideia).

O senhor que aparece em destaque é o patrão mostrando a sua “unidade industrial”.

Os trabalhadores dormem e comem na “fábrica”, trabalham entre 16 a 18 horas por dia e o salário dá para comprar comida.

Esta organização tem 120 lojas em toda a Índia e pretende atingir os indianos mais endinheirados o que quer dizer que será fácil vender os sapatos acima dos 150 US$.

Se tivermos em consideração que cada par à saída da fábrica tem um custo de 14 US$ poderemos ter a noção dos lucros fabulosos do tal senhor da foto e também da miséria, desnecessária em que vão continuar os seus empregados.



Saudações


O Viajante

Comida vegetariana

A minha mulher é por opção vegetariana e como podem calcular quando comemos em restaurantes por vezes as coisas ficam complicadas. Saladas e omeletes são as escolhas mais viáveis, tudo o mais é meio caminho andado para o desastre.
Vivemos na cidade de Angra do Heroísmo que, apesar de ser uma comunidade pequena e com naturais limitações, cria pequenos nichos de qualidade e de bem servir.
È o caso do local onde almoçamos diariamente, um restaurante “self-serviçe”, o “Pão Quente”. Depois de algumas semanas de saladas e um ou outro prato de legumes falamos com a responsável que se dispôs a colocar o problema ao chefe de cozinha. Esta união de boas vontades tem permitido à minha mulher já desde o ano passado ter quase todos os dias um prato vegetariano diferente.









Abóbora c/recheio de soja




Hamburgueres de soja

Beringela c/recheio de vegetais e soja

Melão c/recheio de frutas e frutos secos

Queria aqui como cliente satisfeito retribuir a simpatia da D. Zélia e da sua equipa: Ana, Zita, Alexandra, João e restante pessoal. Queria deixar aqui também o meu agradecimento ao Chefe Mariano pela sua disponibilidade e paciência e felicitá-lo pelos espectaculares pratos vegetarianos, deliciosos e muitas vezes com um toque de arte muito “Nouvelle cuisine”, porque os olhos também comem.


Se por acaso visitarem a cidade de Angra do Heroísmo venham ao “Pão Quente” e peçam ao Chefe Mariano para vos fazer um prato vegetariano, como não existe lista vão ter de confiar, mas eu garanto que não vão ficar desiludidos.


Saudações

O Viajante

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Bola na barra

Bom parece que o Porto sempre vai à Liga dos Campeões e ainda bem porque seria uma pena um clube que de facto foi a melhor equipa de campeonato português ser afastado por questões “não desportivas”.
No meio de isto tudo impressionou-me o facto do nem o presidente do Porto nem alguns adeptos que foram entrevistados defenderem o clube contra as acusações de corrupção, argumentando que isso já foi há muito tempo ou até como foi o caso do Sr. Pôncio Monteiro que chamou queixinhas aos que tinham levantado a questão ou seja o presidente do Benfica.
Outra coisa que me impressionou foi a atitude do presidente do Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol que talvez sob um violento ataque de clubite aguda fez uma serie de manobras de legalidade questionável para proteger o Porto e o seu presidente.
Então esse senhor não é magistrado? E no nosso estado de direito os magistrados não são reconhecidos como pessoas que aplicam a justiça de forma imparcial?
Estou a pensar seriamente se alguma vez tiver de responder em tribunal vou exigir que o juíz seja do mesmo clube que eu.
Mas como diz o povo com muita sabedoria: o melhor é não alinhar em “futebois”

Saudações

O Viajante

domingo, 10 de agosto de 2008

A nossa grande civilização


E pronto já podemos ir dormir de consciência tranquila porque como num passe de mágica o que era deixou de ser. As mulheres podem abortar sem qualquer limitação até às dez semanas sem serem penalizadas por isso. Nesta procura quase compulsiva da felicidade a nossa sociedade está a entrar pelo caminho do facilitismo que nos está a transformar a todos em seres egoístas apenas preocupados com o nosso espaço, a nossa liberdade e os nossos direitos, esquecendo que vivemos num mundo transformado em “aldeia Global”, que a nossa liberdade acaba onde começa a dos outros e que paralelamente aos direitos estão os deveres.
Nós somos a avançada civilização ocidental, respeitamos os direitos humanos, defendemos as liberdades individuais, temos regimes políticos abertos, ajudamos os mais pobres. As nossas guerras são sempre justas ou preventivas, os ataques são cirúrgicos, as baixas civis chamam-se danos colaterais, os assassínios chama-se execuções e o aborto agora chama-se interrupção voluntária da gravidez. Chamem-lhe o que quiserem mas as guerras justas ou não são iguais, a execução de um assassino é também um assassinato e a interrupção voluntária da gravidez é de facto um aborto.
Nós precisamos destas almofadas semânticas para que a nossa consciência nos possa continuar a dar superioridade moral e possamos dormir descansados.
Saudações
O Viajante

Primeiro passo

Decidi, talvez influenciado pela minha mulher, entrar neste mundo dos blogs. Irei falar de tudo o que me apetecer, irei colocar questões e emitir opiniões e sobretudo passar ao “papel” as minhas preocupações. Claro que são as minhas opiniões e ao publicá-las desta forma corro o risco de ouvir críticas ou discordâncias de alguém que por acaso passe por aqui. Contudo todas as sugestões e críticas são bem-vindas e serão com certeza importantes até quem sabe para mudar algumas das minhas perspectivas sobre este mundo globalizado em que vivemos.
Saudações

O Viajante

Portugal país religioso


Sempre foi uma imagem de marca deste nosso país a incontestada religiosidade do seu povo. Desde de sempre a Igreja Católica dominou pelo menos em termos estatísticos, contudo existem vários conceitos de católicos.Católico não praticante, ou seja é batizado mas não frequenta os cultos. Depois existem os católicos praticantes mas que não cumprem as regras como por exemplo do controlo de natalidade ou do aborto. Por último temos os que são católicos mas não gostam dos padres.
Ser católico passou a ser uma tradição, uma “herança cultural”. A instituição transformou-se numa espécie de supermercado de sacramentos onde as pessoas vão para comprar umas comunhões uns batismos ou até uns casamentos, muito mais bonitos do que os relizados pelo civil, mas nem querem ouvir falar da falta de vocações ou dos custos da manutenção dos templos ou nos serviços que como cristãos deveriam prestar à comunidade.
No inicio do seculo XXI a purificação da Igreja Católica Romana torna-se necessária . Será com certeza penosa para alguns espíritos que ainda julgam poder controlar outros espíritos e que continuam a dar mais valor à quantidade do que à qualidade. Quanto aos cristãos católicos façam um exame de consciência e decidam se querem amar a Deus dentro ou fora da Igreja e sobretudo tenham a honestidade intelectual e moral para definirem o seu lugar.
Com isto não quero dizer que enquanto instituição a Igreja Católica tenha terminado o seu papel, apesar dos seus defeitos, ou melhor dos defeitos dos homens que a dirigem, ela continua a ser um repositório de valores e uma importante fonte da coesão da sociedade que urge preservar e sobretudo melhorar, contruindo cada vez mais pontes por onde passe a mensagem primeira que Jesus nos deixou “amai-vos uns aos outros como o Pai vos ama”.


Saudações


O Viajante